"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Amor Inquebrantável: Diretriz Divina para os Maridos


Para um marido amar a esposa como Cristo ama sua Igreja, deve amá-la com um amor inesgotável. Nesta conotação de Gênesis 2.24, Paulo enfatiza a constância, bem como a unidade do casamento: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne” (Ef 5.31). O padrão de Deus para o casamento não mudou.

Um dos grandes obstáculos para um casamento bem sucedido é o fracasso de um ou dos dois cônjuges de “deixar pai e mãe”. Com o casamento, inicia-se uma nova família e embora o relacionamento dos cônjuges com os pais permaneça, ele é modificado quanto à autoridade e às responsabilidades. Você precisa amar e cuidar de seus pais, mas não pode permitir que controlem sua vida depois que se casa. Como recém-casados, marido e esposa devem deixar os pais e se “unir” — estar cimentados — um aos outros. Você quebra uma série de laços e cria outro conjunto. Não esqueça que o segundo conjunto é mais forte e mais permanente do que o primeiro.

Outro obstáculo, ainda mais devastador, é o divórcio: “O SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio [divórcio]” (Ml 2.16). Deus odeia o divórcio porque destrói aquilo que ele decretou que devia ser indestrutível.

Embora tenha feito provisão de divórcio nos casos de adultério repetido e impenitente (Mt 5.31, 32; 19.4-10) e a separação por parte de cônjuges não cristãos (1Co 7.15), a morte é a forma de dissolução do casamento desejada por Deus. Assim como o Corpo de Cristo é indivisível, o ideal divino para o casamento é que este também seja indissolúvel. Um marido, portanto, que prejudica a esposa causa dano a si próprio, e um marido que viola ou destrói seu casamento destrói a si próprio. Se há algo que aprendemos com a nossa sociedade atual, é este fato.

Paulo prossegue e diz: “Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.32). Por que a submissão, bem como o amor que se sacrifica, que purifica e que cuida são tão enfatizados nas Escrituras? Porque a santidade da Igreja é ilustrada na santidade do casamento. Seu casamento é uma afirmação ou uma negação do amor entre Cristo e a Igreja.

A santidade do casamento motivou Paulo a concluir: “Cada [marido] ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite o marido” (v. 33). Não há uma declaração mais definitiva do ideal de Deus para o casamento do que esta. Quando os maridos e esposas cristãos andam no poder do Espírito, submetendo-se à sua Palavra e ao seu controle e se submetem um ao outro, o resultado é a bênção de Deus.

- por John MacArthur
Fonte: John MacArthur, Homens e Mulheres (Editora Textus), p. 69-70.
Retirado de: Monergismo

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O vazio em cada "curtida"


No Facebook e no Instagram acompanhamos o registro de vários acontecimentos na vida dos nossos contatos: festas incríveis, livros de cabeceira cabeçudos, drinks e jantares elaborados, janelas de avião, céu azul na praia, piqueniques, risadas. No Foursquare também estão registradas as passagens por alguma galeria de arte incrível, aeroportos internacionais ou festas VIP. Por que tudo isso?

Imagem é tudo

As mídias sociais criaram uma silenciosa e acirrada disputa entre as pessoas para mostrar quem aparenta ter a vida mais bacana. Pensamos que estamos felizes com o que temos até nos depararmos com um update na rede social que sussurra o contrário: você poderia ser mais interessante. Não para você, claro, mas para os outros. De que adianta ser feliz sem platéia? Compartilhar um ideal de vida é a cauda de pavão virtual — e nem sempre corresponde à realidade.


Tudo isso reflete traços emocionais e psicológicos profundos em cada um de nós, interferindo na nossa auto-imagem, auto-estima e também na forma como nos relacionamos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Dessa forma, existe a necessidade de aceitação.

Um estudo australiano afirmou que o Facebook alimenta a necessidade de auto-promoção de usuários com característica mais narcisista e extrovertida. Ao mesmo tempo, são os solitários que gastam mais tempo na rede social, como uma forma de interagirem com o mundo. Receber um comentário em um post estimula a auto-estima e também pode aliviar uma solidão. As pessoas esperam ler o quanto ficaram bonitas na nova foto do perfil, como é lindo o lugar em que passaram as férias, ou como elas possuem bom gosto musical.

Ansiedade pela audiência

Porém, na era do imediatismo provido pela mobilidade, cria-se uma angústia e ansiedade por feedbacks – estes que vem em forma de likes e comentários. Muito mais que um narcisismo, é a carência e a necessidade de pertencimento. Números que vão crescendo. Refresh. Mais likes. A quantidade torna-se maior que a qualidade, como pequenas manifestações de interesse que tentam preencher algum vazio. Tudo é quantificável.

Pensando em todos estes números angustiantes, o estudante de Novas Mídias da Universidade de Illinois, Benjamin Grosser, desenvolveu o Facebook Demetricator: uma ferramenta que remove os números do seu Facebook. Ao invés de mencionar a quantidade, como “7 pessoas curtiram isso”, a ferramenta substitui por “pessoas curtiram isso”. E também não mostra mais quantos amigos a pessoa tem, ela simplesmente tem amigos.

Mais do que canais e aplicativos, as redes são responsáveis por um novo comportamento social. As emoções humanas foram afetadas muito além do que se imaginaria. Hoje lidamos com quatro grandes esferas emocionais: a exaltação do ego, a necessidade de auto-afirmação, a sensação de pertencimento e a sensação de obrigação. Com isso, vários sentimentos são desenvolvidos de maneira única e desproporcional: frustração, orgulho, inveja, raiva, arrogância, ansiedade, alegria, curiosidade, etc.

Selfie, logo existo

A celebração da imagem individual é, de fato, um hot topic. Ano passado, a palavra “selfie” foi eleita a palavra do ano pelo Dicionário Oxford. Segundo os editores do dicionário, o uso da palavra aumentou 17.000% desde 2012 — quando foi primeiramente utilizada em um fórum online australiano. O sociólogo francês Michel Maffesoli, um dos principais pensadores sobre questões ciberculturais da atualidade, vê nos selfies mais uma expressão contemporânea da iconofilia, essa adoração imagética num eterno looping.

Maffesoli diz que, de fato, as mídias sociais tendem a dispor uma figuração feliz de nós mesmos. É uma tentativa de dar à tribo que pertencemos imagens reconfortantes de nós mesmos. Essa aparente felicidade traduz um “pudor antropológico”, um elemento essencial do viver em sociedade. Uma tendência da pós-modernidade, que atinge em especial as jovens gerações, consiste em se acomodar ao mundo. Adaptar-se, ajustar-se a ele. Se a regra é selfie, nós nos encaixamos nisso.

[...]

Não há como não se identificar. Vivemos, de fato, na sociedade do espetáculo (com licença, Guy Debord). E, por estarmos imersos neste contexto, também participamos criando e reproduzindo auto-imagens. Qual é o motor desse comportamento? Adequação social? Afirmação da personalidade? Alimentação do ego? Necessidade de participação? Apaziguamento do tédio ou ansiedade? Seja qual for o motivo você — e eu — participamos disso.

- por Nina Grando
Fonte: Medium.com

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sexo sem narrativa (ou: contra a pornografia)


Somos seres de imaginação, e no sexo tecemos a quatro mãos as nossas fantasias. Mas se terceirizamos essa narrativa à pornografia, o que resta de verdadeiro nela?

Diante do caos da vida criamos as nossas narrativas. Nas páginas da brutalidade insuportável dos acidentes de trânsito, homicídios, tropeços, partidas, enganos, hesitações, encontros, desencontros, paixões e mágoas, tecemos a nossa história.

A vida será tanto melhor quanto mais sofisticada a narrativa que dela fizermos. Quem dirige a sua vida? Woody Allen, Clint Eastwood, Tarantino, Fellini, Bergman, Buñuel, Walt Disney? Você? Seja quem for o diretor, seja o roteirista.

A vida sem fio narrativo é uma vida vã. Ainda que a sinopse mude a todo tempo, e a cada dia os ventos levem o enredo numa direção, é preciso saber narrar para viver verdadeiramente. Para atravessar o caos inteiriço. Para ter grandeza e ser inteiro, sem exagerar nem excluir.

O sentido da vida pode ser, hoje, um sorriso de menina. A dança de Celina. Amanhã, quem sabe, todo o dinheiro para a caridade – e uma volta ao mundo em 90 dias.

Do novelo puxamos nossos fios. Como as Moiras, tecemos, medimos e cortamos as histórias nas horas apropriadas – e, se errarmos, o fio se enovela. Perde o viço, perde o sentido. Quando a narrativa é pobre, a vida é vazia.

Na intimidade, narramos. O poder maior, a libertação profunda, é narrar a própria vida.

E a comunhão fortuita de nossa história com outra história, do que resulta uma novela – ou um novelo – chamamos de sexo.

Porém se o sexo se esvazia de narrativa, o que lhe sobra? Mecânico, torna-se ato, torna-se fato; coito clínico; registro. Pornografia.

A perversidade da pornografia é esvaziar narrativas. Cada vez que acessamos um site pornográfico, entregamos nossas fantasias aos piores roteiristas, talvez por preguiça. Eles contarão arremedos de histórias de violência, submissão, horror e assepsia. Histórias sobretudo mal contadas, sobretudo inverossímeis.

Nunca se consumiu tanta pornografia no mundo – ou seja, nunca terceirizamos tantos roteiros de fantasias. A maior parte da internet é isto: esquetes menos que sexuais, menos até do que pornográficas. Esquetes penetrativas.

Pornografia é sexo menos narrativa. Sexo menos fantasia – legítima fantasia, de minha iniciativa. Eis o que a distingue do erotismo, da sedução, da fantasia. Sexo sem toque, sexo sem riso, sem beijo, aperto, amasso, alegria. Sexo clínico, sem contexto, sexo in vitro.

Prefiro cultivar minhas próprias fantasias narrativas.

Umberto Eco já escreveu que a diferença de um filme erótico para um filme pornográfico tem a ver com o tempo. No filme pornográfico, todas as ações extrassexo aconteceriam rapidamente, enquanto o ato em si seria prolongado ao máximo. Completo: o ato em si é desprovido de narrativa, eis a cartilha da pornografia. Traz a narrativa das fantasias pré-fabricadas, exaustivamente encenadas, de enfermeiras, aeromoças, bombeiros, dançarinos. Mas não as narrativas do corpo, das mãos, do que é, enfim, o sexo: alegria.

Pornografia é sexo sem toque. Sem calor, com holofotes.

Ninguém sabe o que acontece quando a educação sexual de gerações inteiras se dá por meio da internet e da pornografia, atrofiando a imaginação própria, única, misteriosa – algo divina. Quando se aprende desde cedo a terceirizar fantasias para estranhos roteiristas. Quando se tenta reproduzir ângulos só fascinantes para uma lente, para uma câmera.

Para escrever uma narrativa memorável é preciso ter honestidade consigo mesmo, inclusive na cama. É preciso assumir o maior risco de todos: o de ser exatamente aquilo que a gente é. Ser de fantasia, profundas fantasias.

- por Renato Essenfelder
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Nota do autor deste blog: embora o autor do texto não pareça ser crente e a fonte do artigo não seja de um "site crente", a reflexão é bastante oportuna, pois demonstra como este tipo de pecado, invariavelmente, nos leva a uma percepção errada do matrimônio, bem como do sexo criado por Deus.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"Olhar não tira pedaços" - mas tira o essencial


Creio que boa parte de nós já ouviu a expressão "olhar não tira pedaços", onde quem falava se referia a olhar para outra pessoa com vontades "além da visão", como diria um amigo meu, sendo que tal pessoa já estava comprometida. Tal jargão se tornou comum e, não raro, é dito de forma bastante séria, como se o indivíduo estivesse defendendo seu direito de cobiçar o próximo, mesmo estando unido a outrem.

Ocorre, porém, nobre leitor, que não se trata de não tirar pedaços da pessoa a quem se olha (francamente, que desculpa mais horrível!), e sim que a cada novo olhar você se corrompe e os desejos se tornam mais fortes! É exatamente isso que acontece: o indivíduo é casado, por exemplo, e fica olhando para todas as outras mulheres na rua - e crendo que isso é sinônimo de ser "macho" (coitado, pobre homem). 

Mas, o que, invariavelmente, irá acontecer com este homem? Trair? Matar a esposa? Evidente que não. Todavia, a cada novo olhar, coisas acontecem em sua vida, as quais relato brevemente abaixo.

- seu coração se torna menos afeto por sua esposa, pois ao olhar para outras mulheres, você repara no que elas "tem" e sua esposa "não tem", e a relação matrimonial esfria;

- sua mente passa a ser mais desejosa de outros estímulos, pois sempre existirá alguém "melhor", "mais atraente" e você estará, constantemente, à procura da perfeição que não existe, embora você goste de se enganar, acreditando que ela exista;

- o perigo de o seu casamento se tornar um "lixo" é cada vez maior, pois você se deixa levar pela aparência, por aquilo que é supérfluo, passageiro e extremamente temporário, de tal modo que não é de se espantar que sua casa não seja mais um local de conforto e descanso amoroso;

- você estará agindo em desconformidade com seu juramento, pois se jurou fidelidade matrimonial (ou está a caminho), tais atitudes de olhar com cobiça para o alheio, além de demonstrar que você não presta, significa que és um(a) mentiroso(a);

- você será mais um indivíduo que piorará este mundo, pois de pessoas que cobiçam, lançam olhares e falam coisas a outrem, o mundo já está cheio e todos estão sem paciência para eles;

- você será a contradição ambulante, pois não gostaria que alguém olhasse para o seu cônjuge tal qual você olha para outrem, sendo um excelente falsário e antagônico ser.

Portanto, entenda que o mandamento bíblico "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17), além de outras implicações e fundamentos, tem como princípio o fortalecer a vida familiar, aprimorar o casamento e estabelecer um princípio de sabedoria a todos.

Olhar não tira pedaços, mas tira o essencial: o amor, a confiança e tudo quanto se segue em uma relação matrimonial.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

10 Personalidades Que Não Podem Existir Em Um Casamento Cristão


Minha querida esposa e eu estamos casados há dezesseis anos. Aprendemos muito ao longo desse tempo. O que começou turbulento deu lugar a uma união doce e gloriosa. É raro o dia em que eu não agradeço ao Senhor pela minha esposa. Nosso casamento não é perfeito porque nenhum de nós é perfeito (embora ela com certeza esteja mais perto da perfeição do que eu). Mesmo assim, posso dizer pela graça e misericórdia de Deus que nós temos um bom casamento.

Existem diferentes lições que aprendemos ao longo desses dezesseis anos. Algumas foram mais doloridas do que outras e algumas são lições que continuamente terão que ser aprendidas. Como um pastor que aconselhou muitos casais e como um veterano de dezesseis anos de casamento, encontrei essas dez personalidades que não podem existir em um casamento cristão.

1. Agente secreto: não podemos ter expectativas secretas. Nosso cônjuge deve saber e devemos dar voz às nossas expectativas no relacionamento dentro do casamento. Não é justo e nem sábio esconder esses pensamentos de nossos companheiros. Eles precisam saber. Se não desejamos dar expressão para uma expectativa, então não deveria haver uma. Na verdade, por vezes, estamos relutantes em compartilhar essas expectativas silenciosas porque, uma vez que as escutarmos em nossas bocas, perceberemos o quão mesquinhas e desnecessárias elas são.

2. Debatedor: debates são bons na política, na sala de aula e no bebedouro. Eles não ajudam no casamento. Nunca discuta apenas por discutir em seu casamento. Não debata para ganhar um argumento, uma rodada ou um plano. É um jogo em que todos perdem. Esteja disposto a discutir e discordar, mas nunca debater.

3. Guerreiro: nosso conflito não é com nossa esposa. Nossa luta não é “contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12). Nosso cônjuge nunca deve ser visto como nosso adversário e nós não devemos ser vistos como os adversários deles. Estamos unidos em Cristo para lutarmos a batalha ao lado um do outro, não um contra o outro. Eu não sou o inimigo dela e ela não é minha inimiga. Somos compatriotas e soldados companheiros de braços dados contra o mal enquanto nosso Senhor Jesus nos guia em sua santa e boa luta. Que nós possamos nos “estimular ao amor e às boas obras” (Hebreus 10.24) e não contra uns aos outros.

4. Mamãe/Papai: A maioria de nós ama ser pai, mas isso não deve ultrapassar nosso chamado enquanto marido e esposa. É um erro grave colocar nossos filhos no lugar do nosso casamento. Se nosso casamento está sofrendo, nossas crianças estão sofrendo. Se nosso casamento é próspero, a cascata de bênçãos desce aos nossos filhos como o óleo derramado na cabeça de Arão descendo por sua barba (Salmo 133). É como o orvalho do Hermom que desce nas montanhas de Sião – dá a vida.

5. Inquiridor: o pecado de nossa esposa não é apenas algo que ela “tem que resolver”. Nem os pecados dos maridos são problemas que eles tem que “superar”. Estamos unidos juntos.  Somos uma carne (Gênesis 2.24). Deus nos deu um ao outro para andarmos em retidão de mãos dadas. Que nós levemos as cargas uns dos outros para cumprirmos a lei de Cristo (Gálatas 6.2).

6. Substituto do Espírito Santo: uma das grandes armadilhas de um casamento cristão é estar mais preocupado com o estado espiritual de meu cônjuge do que de mim mesmo. É um tipo de super-espiritualidade que vem na forma de amor e retidão quando na verdade não diz respeito a essas coisas. No lugar disso, é algo repleto hipocrisia. Nós não somos o Espírito Santo e não somos a consciência de nossos cônjuges. É muito fácil sermos distraídos de nossas próprias responsabilidades quando temos nosso alvo fixado no outro.

7. Covarde: amar e apreciar a graça não significa evitar todas as coisas difíceis no casamento. Alguns maridos e esposas cristãs estão confinados pela falsa-crença de que ser centrado na graça significa evitar todo conflito, desacordo e confronto. Somos “pessoas da graça” e, algumas vezes, a maior manifestação dessa graça é disposição em tratar de assuntos difíceis e caminhar por questões duras. Uma esposa graciosa falará a verdade, sempre em amor, mas falará a verdade (Efésios 4.12) para que seu marido e seu casamento melhorem para a glória de Deus.

8. Acusador: coisas esquecidas do passado não são armas a serem usadas no presente. Não importa se são pecados ou erros cometidos antes do casamento ou depois dos votos serem feitos. Não importa se são erros particularmente contra você ou outra pessoa. Assuntos perdoados são perdoados. Existem consequências? Claro. Devemos falar dessas coisas para o conselho ou orar juntos sobre ela? Sim. Mas essas coisas não são uma britadeira a ser usada em tempos de contenda, um exemplo a ser usado pelo bem da argumentação nem um pensamento para manter nossos cônjuges cativos aos nossos desejos. Eles foram enterrados em um abismo profundo e selados com nosso perdão pela graça de Deus. Ali eles devem permanecer, a não ser que precisem ser trazidos em pauta e nunca como algo a ser levantado contra o outro.

9. Ego-monstro: [O amor] não procura os seus interesses (1 Coríntios 13.5). Não devemos buscar nosso interesse em primeiro lugar. Se ambos estamos buscando o interesse do outro, então ambos interesses serão satisfeitos, não relutantemente, mas voluntariamente.

10. Ditador: o casamento cristão não deve ser dominado por um cônjuge ou outro. O marido é o cabeça da união (Efésios 5), mas ele não é o rei. Tanto o marido quanto a mulher servem a um único rei. Ele dita as regras, características e propósitos para a relação. Seja nossa inclinação quanto à busca de controle no casamento pela força ou pelo silêncio passivo-agressivo, ela é errada. Não podemos tentar dominar onde não temos nenhum direito. Em última instância, esse casamento não é “nosso” para fazermos dele o que quisermos. É dele. Recai sobre o domínio dele e ambos servimos ao seu reino, não ao nosso. Nosso casamento deve ser um sinal terreno vivo que aponta para a realidade da união de Cristo com a igreja (Efésios 5). Isso é o que deve dominar, ditar e governar nossos casamentos: a glória de Cristo, nosso Rei, Cabeça e Noivo exaltado. Não nós. Quão maravilhoso é um casamento cristão!

- por Jason Helopoulos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Como explicar a predestinação em 7 perguntas simples


Com a Bíblia em mãos, abra em Romanos 8 e leia: "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou" (Rm 8.29-30). Isso posto, faça as seguintes perguntas à pessoa:

1. Deus predestinou os que conheceu "para serem conformes à imagem de seu Filho"?;
2. O fim da predestinação é que Cristo "seja o primogênito entre muitos irmãos"?;
3. Todos os homens já criados são como que irmãos de Cristo?
4. Aos que "predestinou a estes também chamou"?
5. Deus chamou todas as pessoas?
6. "aos que chamou a estes também justificou". Deus justificou todas as pessoas?
7. "aos que justificou a estes também glorificou". Deus glorificou, tal como fez com Cristo, todos indivíduos da terra? 

Desta forma, de maneira muito clara e lógica, qualquer indivíduo pode perceber que, se não houver predestinação à salvação, ou Paulo mentiu e escreveu heresia em sua carta os romanos ou todos os indivíduos da terra serão invariavelmente salvos, pois a Escritura diz que a partir da predestinação, surgem outras coisas como o chamamento, justificação e glorificação.

Portanto, a predestinação é algo simples, além de ser maravilhoso. :)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Carta ao Antenor - um crente que está acima do seu peso ideal


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Saudações, nobre Antenor!

Escrevo, de imediato, lembrando daquele churrasco que tivemos há poucas semanas atrás - realmente excelente! A cerveja, então... No ponto para acompanhar o "sacrifício" e refrescar o corpo. :)

Rapaz, esta carta terá tons mais "informais" do que as demais, tendo em vista que muito lhe considero e aprecio nossa amizade. Todavia, ainda que menos "formal", não deixará de ter importância bíblica.

Lhe envio esta mensagem para tratar de um ponto que o irmão, talvez, não tenha percebido: de que está acima do peso ideal. Evidente que não estou falando que seu percentual de gordura está "x" ou "y" por cento a mais ou tenho em mente alguma conta maluca sobre o peso correto, e sim que assim como eu, muitos tem percebido que você está, sejamos sinceros, bem gordinho e precisando de uma correção alimentar e exercícios - somos homens e homens são sinceros com seus amigos, ok?

Sabe, Antenor, seria muito mais fácil "não estar nem aí" pra você e te ver comendo quilos e quilos de besteira, bem como sentar em frente à televisão e comer aquele monte de "tranqueiras" que você costuma ter em casa. Mas não posso me furtar da responsabilidade que, como amigo, tenho por ti.

Lembremos do que Jesus disse: "E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia" (Lc 21.34 - grifado). Em sua carta aos crentes em Roma, o apóstolo Paulo escreveu: "Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja" (Rm 13.13 - grifado). Também Pedro nos relembra que esta prática de comer desenfreadamente, em verdade, diz respeito ao velho homem: "Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias" (1Pe 4.3 - glutonarias).

Sabemos que a glutonaria, nos tempos bíblicos, dizia respeito a uma série de rituais, onde se passavam grandes tempos comendo, bebendo e fazendo toda sorte de baderna, mas nada impede que entendamos o princípio por detrás dos versículos, a saber, que devemos ter domínio sobre todas as coisas, inclusive com respeito à comida.

Em um dos salmos mesiânicos, encontramos, também, algo importante: "Torne-se-lhes a sua mesa diante deles em laço, e a prosperidade em armadilha" (Sl 69.22). Sabemos que é Deus quem nos dá o que beber e o que comer, tanto que por isso Jesus agradeceu ao Pai pelos peixes e pães, de maneira que cotidianamente repetimos tal padrão, entretanto, não raro, fazemos com que a boa prosperidade de Deus se torne um ídolo em nosso coração, de maneira que, em vez de comermos para viver, quase que vivemos para comer. A mesa farta, então, dada por Deus, se torna um laço de armadilha pelo pecado.

Por isso, Antenor churrasquinho (hahaha - me permita voltar ao tom mais informal :), continue com seus churrascos (e me convide!), pizzas, lasanhas e tudo o que quiser, mas viva conforme a Escritura, ou seja, com domínio próprio, conforme lemos: "Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gl 5.22 - grifado).

Ah, e por favor: não dê desculpas para o pecado. Eu sei que existem indivíduos com reais problemas e que possuem algum desvio no organismo, de modo que engordam muito mais que as pessoas "normais" - todavia, não é o seu caso e você sabe disso. Você está acima do peso porque come muito mais do que a energia que gasta.

Já aviso de antemão, é claro, que não será fácil se reeducar na alimentação e fazer alguns exercícios para perder estes quilos extras, mas lembre-se do alvo de todas as coisas na vida cristã: "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31). Melhor é se esforçar agora e colher bons frutos depois, do que ligar para o pastor, irmãos da igreja e ficar pedindo oração pela pressão que está fora de controle, não é mesmo? Além de gastar com remédios e afins.

Estou certo de que fazendo essa mudança em sua vida, você não somente terá mais saúde e disposição, e sim será um marido mais atraente para sua esposa (ou você acha que ela gosta de ter um homem assim tão maior que ela? acho que não deve gostar...), um pai mais ativo nas atividades físicas com os filhos, bem como poderá ajudar de maneira mais vigorosa no serviço ao Reino de Deus.

O Senhor seja contigo! Um abraço!
Em Cristo, Filipe Luiz C. Machado

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

10 Maneiras de se montar um berço infantil para a glória de Deus


"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

1. Se você orou e buscou a Deus por este filho, agradeça ao Deus eterno, pois os filhos são herança do Senhor (1Sm 1.27; Sl 127.3);
2. Procure montar com calma e sabedoria, de modo que até nas pequenas coisas, faça tudo como que para ao Senhor e não para agradar a homens (Ef 6.6);
3. Reflita que assim como muitas partes compõem o berço, muitas são as partes da Igreja para abrigar a adoração a Cristo (Ef 4.16);
4. Lembre-se de que a tristeza da hora do parto será esquecida e uma alegria maior virá (Jo 16.21);
5. Medite em que seu filho poderá nascer em um bom local, enquanto Cristo, desde pequeno, foi desprezado (Lc 2.7);
6. Agradeça ao Senhor pelo seu casamento e pela bênção providenciada (Sl 128.3);
7. Tenha em mente que por mais esforçado que você seja, o crescimento e amadurecimento de seu filho dependem da vontade de Deus (Lc 2.40);
8. Louve ao Senhor por poder ter comprado ou ganho o berço, pois todas as coisas advêm do Criador (Rm 8.28);
9. O berço, como tal utilidade, em breve será substituído, fazendo com que você relembre da importância de progredir na vida cristã (Ef 4.13);
10. Fixe em sua vida que assim como seu filho deitará e logo dormirá, pois seguro estará, de igual modo todos os crentes podem proceder (Sl 4.8).

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

“Bateram no meu filho! E agora?”



Quantas de nós já precisamos lidar com uma situação parecida? Sua menina de três aninhos é mordida na escola, ou volta da classe de EBD com o bracinho vermelho: ela foi empurrada pelo coleguinha. A primeira reação que uma mãe tem é de acolher e consolar sua pequena. A segunda é querer saber quem fez aquilo, ansiando por justiça! Às vezes, inclusive, a ordem dos sentimentos é alterada. Quem teria a coragem de maltratar minha bebê tão dócil e frágil? Essa criança não tem mãe? Onde estava a professora que não viu isso acontecer? Todas estas e muitas outras perguntas e indagações se aninham no coração da mãe ao ver seu filho injustamente machucado.

Quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa…”

Como somos alertadas pela Palavra de Deus, todos os nossos pensamentos, desejos, sentimentos e ações devem ser voltadas para a Sua glória! E você acha que isso se refere apenas a coisas “espirituais”? Não! O próprio texto citado acima usa como exemplo os gestos mais básicos do nosso dia- a- dia: comer e beber! Nas atitudes mais cotidianas precisamos buscar a glória de Deus, nos perguntar como podemos dar testemunho da nossa fé e sermos sal e luzeiro deste mundo. Não precisamos esperar grandes e memoráveis situações para agirmos assim. Não devemos achar que provar a nossa fé é um ato reservado apenas para momentos de grandes provações, em que teremos que sofrer pelo Evangelho e talvez, um dia, darmos nossa vida por ele. Podemos ir treinando nas pequenas situações da vida, onde SIM, também nos é exigida uma vida de santidade e provas da nossa fé. E quer momento melhor para refletir a luz do Evangelho do que quando seu filho é agredido? Tantas coisas estão em jogo, tantos pecados vêm à tona num acontecimento tão cotidiano quanto este, que podemos nos assustar!

Em primeiro lugar, devemos analisar o nosso próprio coração. Talvez ele esteja permeado por idolatria e sequer saibamos. Identificaremos a idolatria em nós mesmas, no momento em que pecarmos porque pecaram contra os nossos! Se a nossa primeira atitude é uma atitude de ira, autocomiseração e justiça própria (“que vontade de esganar aquele moleque!”), já temos aí um ídolo erigido contra o qual precisamos lutar: o bem estar de nossos filhos a qualquer custo. Não entender que pecar contra Deus porque pecaram contra nossos pequenos é idolatria, é um sério risco que corremos.

Nossos filhos são pecadores também, lembra? E como pecadores estão inseridos num mundo de pecado, cheio de outros pecadores. Isto significa que nossos pequenos estão expostos a todo tipo de desgraça que o pecado trouxe sobre a humanidade: morte, doenças (algumas muito graves), inimizades, agressões, injustiças. Você acha mesmo que conseguirá proteger seu filho das adversidades a que estão expostos? Lembre-se que ele nasceu num mundo contaminado pela praga do pecado. Será que temos exagerado na busca da proteção deles? Será que temos tanto medo de que algo ruim aconteça com eles que estamos dispostas até mesmo a pecar para manter o status de “são e salvo” de nosso filho? Estas perguntas merecem um profundo questionamento a nós mesmas!

Não estou querendo dizer, entretanto, que você não deva cuidar ou proteger seus filhos de perigos e dores. Não é esse o ponto. Você DEVE protegê-lo, foi chamada para isso! Se seu filho foi agredido na escola, por exemplo, procure a professora e converse com ela, evite deixar seu filho brincar com aquela criança que você sabe que é agressiva, troque-o de turma se for o caso. É lícito tomarmos atitudes para tirarmos nossos pequenos de situações que podem provocar dor a ele. Mas a questão que gostaria que você analisasse é a do coração. Como lidar com acontecimentos que você não foi capaz de evitar, é o assunto deste artigo!

Convivemos com uma natureza caída: a nossa, a do nosso filho e a do coleguinha!

Esta é a primeira coisa que devemos ter em mente quando nos deparamos com uma bochecha mordida! Nosso filho é pecador, e isso quer dizer que ele pode ter provocado a situação que culminou em agressão. Mas se ele é totalmente inocente neste episódio, lembre-se que não é inocente em todos! Em algum momento seu filho também já foi (ou com certeza ainda será), o agente que causou dor física ou emocional em outra criança. Algumas delas não são de bater, mas são mestres em levar outras crianças ao extremo da ira!

Certa vez presenciei uma situação que ilustra bem o que estou querendo dizer. A filha de uma amiga minha, de três anos, foi convidada para uma festinha infantil. A festa era linda e a aniversariante, vestida de princesa, sussurrava ao ouvido da amiguinha: “essa festa não é sua, é minha! Você nem tem um vestido de princesa como o meu… essa festa é MINHA, não é sua”. A filha da minha amiga, que é uma pimenta, ouviu a primeira e a segunda provocação. Na terceira, já aos prantos (afinal a festa não era dela e ela não tinha um vestido de princesa!!), deu um empurrão na aniversariante que se pôs a chorar inconsolável. Pense na situação! Ninguém exceto eu, que estava bem ao lado, havia visto a cena toda. Para todos os efeito, a filha da minha amiga deu um empurrão na pobre e doce princesa! Ninguém havia visto os requintes de maldade e o prazer da pequena ao dizer à colega que ela não era a dona da festa. Percebe como nem sempre temos todos os dados para fazer um julgamento correto? A filha da minha amiga estava errada e pecou por se irar e empurrar a menina. Esta por sua vez, pecou ao sentir prazer em menosprezar a criança que não era a estrela da noite! Ambas precisavam ser corrigidas e admoestadas a abandonar seus pecados. Apenas pais muito atentos e preocupados serão capazes de perceber estas nuances e agir de modo sábio e bíblico, não sendo uma “Alice no país das maravilhas” achando que seu filho nunca tem culpa de nada e é sempre vítima de alguém.

Mas e se, de fato, meu filho for a vítima?

Eu sei bem como é a situação de uma criança que agride outra de graça, sem ter acontecido absolutamente nada que gerasse a agressão. Para meu desespero, meus dois filhos mais velhos passaram pela terrível fase de morder, e quando o faziam, era apenas porque tinham vontade e não porque eram provocados! É fato que situações assim acontecem, e como você deve reagir quando seu filho foi agredido sem ter culpa no cartório? Será que, aí sim, te é permitido dar largas à sua ira e agir com justiça própria? Antes de tratarmos do coração do nosso filho que sofreu a injúria, precisamos tratar do nosso! Como eu encaro os sofrimentos neste mundo, como eu me vejo diante de Deus, com quantas armas defendo os meus direitos em detrimento do que a Bíblia fala, são conceitos que farão toda a diferença no meu modo de agir. Não se engane minha irmã, tudo que você aprende com as pregações de seu pastor, com o que você lê na Bíblia e em outros livros cristãos, todo o corpo de doutrinas que você tem aprendido, precisam ser usados nas situações mais corriqueiras de sua vida. Para isso serve a Palavra de Deus. A Bíblia não é formada por conhecimentos intangíveis, que não têm nada a ver com a minha vida diária! Todas as grandes doutrinas do Evangelho devem ser postas em prática na nossa vida, devem pautar a maneira que encaro o mundo a minha volta, devem ser a minha regra de viver diário! Não podemos separar as grandes doutrinas do Evangelho do beliscão que meu filho levou na escola. Precisamos fazer estas conexões o tempo todo. E mais: precisamos ensinar estas grandes verdades, aplicadas ao cotidiano, aos nossos pequenos. Se não for assim, alguma hora ele desejará deixar de lado estes ensinamentos tão bonitos, mas que não têm aplicação nenhuma em sua vida. O Evangelho é vida! Tiago nos ensina isso de forma taxativa: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” Tiago 2.14. A prática das boas obras testificam a nossa fé! Uma vida de prática daquilo que a Bíblia ensina, demonstra ao mundo de forma gritante em que nós cremos.

Dito isso, pergunto a você: por que muitas vezes, ao verem seus filhos serem agredido, os pais fomentam a ira em seus próprios corações e nos corações de seus filhos? Por que os pais não optam por perdoar e ajudar os pais que estão tendo dificuldade com seus filhos? Por que adultos preferem ensinar as crianças a revidar os ataques sofridos? Por que se recusam a obedecer ao Evangelho neste quesito específico?

Ensiná-los a sofrer injúrias, sofrer o dano.

Em I Coríntios 6, Paulo trata de contendas e litígios entre irmãos e diz que só haver estas contendas, já era completa derrota para eles. Ir a um tribunal de ímpios, para que fosse julgada uma causa entre irmãos, então… seria vergonhoso. No final desta advertência ele diz que entre levar a causa a tribunais injustos e ficar no prejuízo, os crentes deveriam optar pela segunda alternativa: “Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” (verso 6). Paulo não está ensinando neste texto que não podemos ir à justiça, pleitear nossos direitos. A questão é quando fazer isso traz dano ao Evangelho. Se fazer sobressair a sua causa justa, for em alguma medida prejuízo ao Evangelho, você deve optar por sofrer o dano!

Na sociedade que vivemos hoje, a palavra de ordem é: “meus direitos!”. Estamos dispostos a tudo para fazer valer nossos direitos. Ficar no prejuízo, sair perdendo, ser lesado, ficar com a pior parte é simplesmente impensável. Ser agredido e não revidar, ser ferido e não pagar na mesma moeda? Nunca! Somos ensinados por este século a nos estimar a tal ponto, que somos capazes inclusive de pecar para defender a nossa honra e os nossos direitos. Mas Jesus agiu de forma completamente diferente. Ele é o nosso modelo, a Ele devemos imitar e seguir!

Se você pretende que seu filho seja um seguidor do Evangelho de Cristo, que seja um crente fiel às Escrituras, comece plantando desde cedo em seu coração os grandes princípios nela contidos! Ensine-o a sofrer pelo Evangelho. Ele será escarnecido e zombado na escola por seu honesto e diferente procedimento. Ensine-o a não se importar com o que os outros pensam dele, mas com o que Deus pensa a seu respeito. Ensine-o a não dar valor demais à aceitação que ele pode ou não ter dos amiguinhos, isto não o tornará melhor. Seu valor não está na popularidade que alcança na escola, mas em ser um filho obediente e temente ao seu Deus. Incentive-o a perdoar e a buscar reconciliação, mesmo quando o causador da contenda não for ele.

Ajude-o também a orar pela criança que o agrediu. Não é assim que a Bíblia ensina? “…amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” Mateus 5.44-48. O que me espanta é porque pais crentes ensinam seus filhos a revidar e a detestar o coleguinha que os feriu, para mais tarde ensiná-los a dar a outra fase, a não revidar as ofensas. O que os faz pensar que a Lei de Deus é uma para os pequenos pecadores e outra para os pecadores já crescidos? Onde a Bíblia nos autoriza a ensinarmos nossos filhos a revidar ofensas, a detestar? Deveríamos ensinar a nossos filhos que dias piores virão, dias em que talvez eles tenham que dar a vida por amor ao Evangelho como fez Estevão, Pedro, João Batista e tantos outros mártires que pagaram um alto preço por sua fé. Começar por ensinar que o mundo não gira em torno deles e que sofrer uma agressão injusta não é a pior coisa que pode acontecer a alguém, é um bom começo para prepará-los para os sofrimentos que a vida de um crente fiel pode trazer.

Reafirmo o que disse acima: você pode e deve proteger seu pequeno de crianças que o maltratam, mas COMO você fará isso é a questão. Como você pastoreará o coração de seu filho quanto ao que aconteceu fará uma grande diferença para seu futuro! Será que numa situação destas você agiganta os sentimentos dele de auto-piedade, do quanto ele é bonzinho e o colega mau? Será que você tem nutrido no coração de seu filho sentimentos de amargura e vingança contra aquela criança? Ou ao contrário, tem procurado minimizar o acontecido, explicando a seu filho que ele ainda enfrentará muitas situações parecidas? Será que você tem incentivado-o a orar pelo coleguinha e a buscar reconciliação, quando possível? Será que você tem auxiliado-o a lutar contra a sensação de que ele só será feliz se todos o tratarem muito bem, e se ele for amado por absolutamente todos a sua volta? Você tem ensinado seu filho a lidar de forma santa com a rejeição? 

Treine-o a pensar e a viver de acordo com as Escrituras desde a tenra idade! Ensine-o a colocar em prática desde muito cedo as grandes e poderosas verdades do Evangelho, ensine-o a viver por meio d'Ele! Desta forma você estará treinado-o para ser um valoroso servo de Deus, que pauta tudo o que faz, sente e pensa pela única regra de fé e de prática que nos revela quem Deus é e o que exige de seus filhos: A sua santa Palavra!

- por Simone Quaresma

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O porquê de eu não concordar com a castração química e similares



Como já escrevi, o perdão não exclui a punição no que concerne aos atos da vida civil, por exemplo. Não é porque uma pessoa foi convertida, que as multas de trânsito não possuem mais "poder sobre sua vida" ou que as infrações penais passarão ao largo, afinal, não devemos confundir o perdão com as consequências dele. Cristo perdoou o ladrão na cruz, mas não o livrou da morte, pois era necessário enfrentar as consequências impostas.

Bem, mas por que sou contra a castração química, em especial fortemente desejada aos estupradores, e pedófilos? Por uma razão muito simples: "E se algum homem no campo achar uma moça desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ela, então morrerá só o homem que se deitou com ela; Porém à moça não farás nada. A moça não tem culpa de morte; porque, como o homem que se levanta contra o seu próximo, e lhe tira a vida, assim é este caso" (Dt 22.25-26).

Biblicamente, o estupro é comparado ao homicídio, tamanha sua crueldade. Para a Bíblia, ainda que um estuprador se arrependa "com todas as suas forças", ele deve ser punido (o que não exclui sua salvação, caso seja realmente regenerado). A gravidade deste pecado, evidente, não precisa ser sequer comentada, pois mesmo os não cristãos concordam que é um crime terrível e que merece fortíssimas reprimendas.

E a questão sobre a castração ainda tem outro ponto: "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" (Mc 7.21-23). Castrar quimicamente alguém, mediante injeções e substâncias que refreiem o desejo sexual, embora pareça uma boa solução, não retira "os maus pensamentos" dos ser humano. Poderiam, se quisessem, cortar o órgão genital, que mesmo assim o desejo pelo mal continuaria existindo.

Ou seja, é preciso ser contra esse método não bíblico, afinal, além de não funcionar, não faz justiça ao pecado tão grandemente cometido.

Que Deus nos abençoe e nos leve a sempre lembrar: "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Dt 12.32).

*edição após publicação: sou conhecedor de que Dt 22.28-29 fala de algo diferente, demonstrando que caso a mulher não seja desposada (prometida em casamento), ou seja, esteja solteira, a punição não seria a morte do homem, e sim que deveria casar com ela. Esta é uma distinção importante, pois embora no caso tratado se fale de mulher prometida em casamento (devendo o estuprador ser executado) e nos versículos 28-29, de mulher solteira, o diferencial não está ser prometida em casamento ou não, e sim no "e o homem a forçar" (Dt 22.25), demonstrando que no caso dos versículos da mulher solteira, não houve estupro, e sim um homem e uma mulher solteiros que acabaram tendo relações sexuais antes do casamento - devendo, então, se casarem.

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