"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O que penso sobre a redução da Maioridade Penal?


Em breve síntese, o projeto que visa diminuir a maioridade penal tem por finalidade a punição mais abrangente, englobando não somente os maiores de 18 anos, e sim todos os que completarem 16 anos. Intenta o projeto a maior aplicação de um sistema repressivo àqueles hoje chamados de “adolescentes”, uma vez que cresce exponencialmente a delinquência por parte deste grupo .

Se por um lado aumentar a maioridade penal é algo digno de louvor, uma vez que há defensores ferrenhos, por exemplo, da troca de sexo para pessoas de 16 anos, nada mais crível do que terem responsabilidades à altura de tão grande dever, mister que já são dotados de plena ciência sobre suas vidas. Doutro lado, é sabido que o encarceramento em nada tem melhorado, reabilitado ou produzido qualquer indivíduo melhor após sua saída, fazendo com que, em tese, se enviados forem hoje os “menores” para a prisão, tendem a sair “formados no crime”, o que não é a intenção do projeto (ou é – não é boa coisa confiar no ente estatal).

Assim, temos uma celeuma existencial, pois há a necessidade de se punir, ao mesmo tempo em que não se deve insistir em uma punição que é ineficaz. É preciso lembrar, também, que conquanto a atual forma de punir seja deficiente, não é plausível a crença de que a pena deve deixar de existir, tendo em vista que se estaria premiando a delinquência e incentivando um estado de barbárie institucionalizado.

É preciso, por isso, uma rápida avaliação dos seguintes pontos: se o indivíduo de 16 anos (ou até menos) possui capacidade cognitiva para agir publicamente – tal qual sair para “baladas” e fazer o que tem vontade, inclusive gerando filhos e tendo responsabilidade sobre eles – e por eles responder; se com 16 anos a pessoa deve ser colocada em alguma rede de punibilidade semelhante a de adultos (maiores de 18 anos); se o evitar de punir com maior rigor os maiores de 16 anos iria trazer benefícios à sociedade.

Para a primeira indagação acima, é necessário um retumbante “sim”, pois não se duvida que com as informações a cada dia mais aceleradas, um homem de 16 anos não seja consciência de que bater, furtar ou assassinar a outrem seja interessante ou digno de louvor; aliás, não é preciso informação para informar o indivíduo sobre o Direito Natural, uma vez que em todos é nato. Para a segunda, sim também, entretanto, com a ressalva de que o atual sistema penitenciário é, para poupar palavras, ridículo e totalmente na contramão, uma vez que o encarceramento não resolve coisa alguma – muito melhor seria o trabalho forçado (com as dignidades da pessoa humana respeitada) até solver a dívida, por exemplo. No tocante ao terceiro ponto, entendo que a punição não se trata de fazer a sociedade olhar e temer o mesmo para si ou visualizar uma boa atuação do poder estatal, e sim uma necessidade de se punir a quem for, as quais terão a certeza de que a verdadeira justiça será administrada.

Por falar em justiça, é imperioso o entendimento de que por “justiça” não se pode entender a mera aplicação do Código Penal ou Código de Processo Penal, até porque tais sistemas estão totalmente desvencilhados da realidade fática e não raro, punem muito excelsamente do que o crime correspondente. Justiça não é sinônimo de sistema positivado.

A fim de ilustrar tais injustiças cometidas, citemos a lei bíblica “olho por olho e dente por dente” (Êx 21.24 - ou como ficou conhecida, Lei de Talião). Tal lei, ao contrário do que possa aparentar, visa a justa retribuição ao crime cometido – se fratura, fratura; se furto, indenização; se morte, morte. E por que isso? Porque o ser humano é ávido por punir muito além do razoável, como é o caso de se encarcerar quem furta ou rouba para o próprio mísero sustento, o que muito embora seja socialmente reprovável, não representa tão grave ameaça a ponta de ser privado por completo da liberdade, existindo outras formas de se contornar tal atitude.

Nesta velocidade, se pode entender que caso a maioridade penal seja estabelecida para os 16 anos de idade, teremos mais adolescentes sendo punidos com maior rigor (o que é excelente), pois as medidas sociais impostas pelo ECA, muito embora tenham fundo de boa intenção (ou não), são ínfimas e não retribuem, na maioria das vezes, a injusta perversidade cometida pelo indivíduo – poupar um indivíduo que tira a vida de outrem? Jamais! Entretanto, se não há boa aplicação do atual sistema penitenciário e quase todos concordem que ele é reprovável socialmente e moralmente, tendo claro que sua função de privar a liberdade não satisfaz os verdadeiros baluartes da justa punição, ao se aumentar esta população com pessoas cada vez mais novas, se estaria, em tese, aumentando os guerreiros do crime ou quando menos, prejudicando a geração futura, posteriormente ao devolver à sociedade tais indivíduos marcados com as más administrações.

Desta forma, podemos encaminhar para o fim e dizer que a maioridade penal para 16 anos é plenamente desejável, entretanto, não nos moldes atuais, sendo mais crível a reforma completa de todo o sistema penal e ECA, deixando de existir “ficha limpa” depois de determinada idade, punição igual para os crimes idênticos e diferente aos ímpares cometidos, criando uma sociedade onde não se abranda a pena a “menores” e nem se pune com rigor excessivo casos de menor monta, podendo tais casos serem contornados, como já se disse, por outras vias, tais quais o trabalho para pagar a furto/roubo, indenizações e quando preciso, a morte do infrator, uma vez que retirar a vida de outrem sem justo motivo é se enquadrar na máxima potencialidade da maldade, haja vista que a vida pertence a Deus e Ele mesmo ordenou que tal execução acontecesse.

Concluindo e sendo objetivo: nem maioridade ou menoridade, e sim justa punição a todo aquele que cometer crime, seja quem for ou em que idade tiver, desde que provado o óbvio discernimento sobre que está realizando.

*texto feito por ocasião de um trabalho da faculdade

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Minta ao seu filho para torná-lo bom


Muito do que nos é aconselhado a fazer como pais é para que os nossos filhos se sintam bem consigo mesmos. Este conselho tem raízes no movimento da autoestima, que alegou que o sucesso na vida de uma criança está baseado na possibilidade de sentir-se boa ou não. Embora o movimento da autoestima moderna tenha começado na década de 1950 e 1960, essa não era uma mentira original. Ela tem estado por aí há milhares de anos. É a mesma fraude em que Eva acreditou no início. Hum, ela pensou; esta fruta parece ser boa e me fará bem. Eu acho que nós a comeremos no jantar de hoje à noite. Desde a queda da raça humana, estamos alternadamente nos dizendo que somos bons, que se nos esforçarmos bastante seremos bons o suficiente, ou que ser bom é uma impossibilidade, por isso, devemos simplesmente desistir e nos divertir. Afinal de contas, ninguém é perfeito!

À luz de tudo isso, o que nós, pais, devemos fazer? Se você crê na Bíblia, temos a certeza de que você percebe que nem nós nem nossos filhos são verdadeiramente bons. "Boa menina!", "Bom trabalho!", "Você é uma linda princesa!" - esses são os refrãos incessantes quando os pais procuram criar a sua própria versão de filhos bons e de sucesso. Mas, quando todos os outros pais no grupo passam o dia dizendo à pequena Rebeca o quão boa ela é, como os pais cristãos devem responder? Ao invés de dizer à Rebeca que ela é uma boa menina, poderíamos dizer, "Eu notei que você compartilhou o brinquedo hoje. Sabe o que isso me lembra? Como Cristo compartilhou sua vida conosco. Eu sou muito grato pelo trabalho de Deus em sua vida dessa maneira. Sei que nenhum de nós jamais faria qualquer coisa amável se Deus não estivesse nos ajudando. Estou muito grato".

Caso você esteja se perguntando se a Bíblia dá um exemplo deste tipo de incentivo, aqui está o relato de Lucas a respeito do que aconteceu quando Barnabé viu a graça de Deus trabalhando no povo de Antioquia: "E enviaram Barnabé até Antioquia. Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se o exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor" (At 11:22-23). Barnabé viu a graça de Deus trabalhando na vida das pessoas, por isso exortou-as a permanecerem fiéis. Nós também podemos ver a graça de Deus agindo em nosso filhos e podemos exortá-los a permanecerem fiéis.

Digamos que a Rebeca tenha o hábito de ser egoísta, então, antes de a mamãe levá-la para brincar com o seu coleguinha, elas gastam algum tempo orando juntas. A mãe poderia simplesmente agradecer a Deus por compartilhar tantas coisas boas - tais como amigos, luz do sol, momentos para brincar - com a Rebeca e, em seguida, pedir a Deus para ajudá-la a lembrar-se de sua generosidade quando os outros quiserem o que ela está usando. Então, se a mãe percebe a sua generosidade, ela pode dizer: "Rebeca, você está compartilhando! Não é maravilhoso ver como Deus respondeu a nossa oração? Viu, Rebeca, mesmo que todos nós odiemos compartilhar, Deus é mais poderoso do que o nosso egoísmo. Ele não é bom?"

Por não sabermos se a Rebeca é regenerada, nós não a agradeceremos por obedecer à lei de Deus. Se ela não for salva, ela não tem o Espírito Santo em si e não pode escolher responder a Deus ou o obedecer à sua lei de coração. O único encorajamento que sempre podemos dar aos nossos filhos (e uns aos outros) é que Deus é mais poderoso do que o nosso pecado, e ele é forte o suficiente para nos fazer querer realizar a coisa certa. Nós podemos assegurar-lhes que a ajuda de Deus pode alcançar todos, até mesmo eles. Nosso encorajamento deveria sempre estimular o louvor à graça de Deus em vez de a nossa bondade.

Por outro lado, se persistirmos na busca de construir a autoestima dos nosso filhos elogiando-os, nós os faremos à nossa própria imagem, meninos e meninas que idolatram a bênção, adultos escravizados à opinião dos outros, e pais que passam a mentira para a próxima geração - ainda que ela não tenha funcionado para torná-los bons também. Como nós, nossos filhos anseiam a bênção bem-aventurada: "Você é bom!" Mas a Bíblia diz que, porque não somos bons, essas palavras não se aplicam mais a nós. Nós não somos bons. Veja como a Bíblia descreve a nossa situação: "Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração" (Gn 6:5).

Ansiamos por ouvir: "Você é bom", mas apenas Jesus Cristo e os revestidos de sua bondade merecem ouvir isso. E se realmente abraçarmos essa verdade, a forma de criarmos nossos filhos será transformada de engano desejoso à graça poderosa. Isso fará com que a nossa criação de filhos seja cristã. Nossos filhos não são naturalmente bons, e não deveríamos lhes dizer que eles são. Mas ele são amados e, se eles realmente acreditarem nisso, o amor de Deus os transformará.

- por Elyse Fitzpatrick e Jessica Thompson
- Fonte: Pais Fracos, Deus forte - Criando filhos na graça de Deus, Ed. FIEL, págs. 60-63.
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segunda-feira, 30 de março de 2015

Igreja Cristã Reformada de Blumenau - Aviso de suspensão das atividades


Amados irmãos, pretendo ser breve, porém não leviano. Ao se tratar da Igreja do Senhor, precisamos de seriedade, embora ser prolixo demais não irá ajudar em coisa alguma.

A Igreja Cristã Reformada de Blumenau, neste último domingo (29.03.2015) às 09:30, em reunião com todos os irmãos da igreja, decidiu suspender suas atividades até o fim do ano. Frise-se: suspender; não é acabar a igreja. Os motivos, sucintamente, estão abaixo. Orem por nós - seremos eternamente gratos.

1. Resumo de onde viemos

A Igreja Cristã Reformada de Blumenau (SC) é fruto de alguns anos de caminhada de várias pessoas, tendo seu começo nos anos de 2007/2008. À época se começou com uma igreja voltada ao underground e tribos urbanas (skatistas, punks, metaleiros...) e seguiu neste viés durante uns 3 anos e meio, aproximadamente. Naquela ocasião não havia doutrinada reformada ou qualquer coisa parecida, mas tentávamos fazer o possível para levar o evangelho a todos.

Passado estes 3 anos e meio, eu (Filipe Luiz C. Machado) acabei descobrindo as doutrinas da graça, razão pela qual fui radicalmente transformado em minha eclesiologia (doutrina da igreja), e soteriologia (doutrina sobre a salvação), de modo que não era mais possível continuar com a igreja nos moldes em que vinha seguindo - com shows dentro da igreja e outras diversões mais.

Uma vez não sendo possível continuar com a igreja naquele padrão, optamos por continuar à frente da igreja, todavia, em outro sentido, a saber, mais calvinista e reformado. Começamos, assim, a Igreja Cristã Reformada de Blumenau (ainda sem esse nome), ficando alguns irmãos conosco e outros preferindo outros círculos, vez que não tinham interesse em permanecer - o Senhor conhece cada coração.

Aqui, deixo registrado que estou omitindo o nome dos que nos ajudaram em toda essa caminhada na igreja underground (seja como membros ou na liderança comigo) por um simples motivo: talvez não gostem até hoje do desfecho da história e porque não desejo colocar qualquer responsabilidade em outrem; cabe a mim, portanto, tratar das falhas que tive e glorificar ao Senhor por tudo que todos fizeram; as omissões de nomes, então, visam não atrapalhar o breve relato, afinal, teria de se explicar uma série de acontecimentos que não vem ao caso.

2. A Igreja Cristã Reformada de Blumenau

Continuado o trabalho, agora com ênfase reformada, vários outros irmãos nos deixaram durante a caminhada, vindo o grupo que já era pequeno (não mais que 20 pessoas), a ser reduzido para algo em torno de 10 pessoas.

Com a doutrina reformada em mente, era preciso reformar mente, coração e a forma de se ver a igreja, o que todos lutaram para implementar em suas vidas. Tivemos bons frutos disto, ainda que estes sejam variados em sua quantidade e qualidade - mas eles existiram, graças a Deus. Embora várias pessoas tenham deixado a comunhão conosco, outros foram acrescentados para a glória de Deus. 

Ocorre que estando à frente da Igreja Cristã Reformada de Blumenau, já vinha pesando os anos anteriores à frente da "antiga igreja" (em tempos com ajuda de outros irmãos, noutros momentos sozinho) e a situação começava a ficar difícil, uma vez que não estava conseguindo dar conta do recado (luta contra os pecados, escrever estudos, leitura de livros teológicos, pregação toda semana, quando era possível, aconselhar irmãos - fora o trabalho online e as mais diversas pessoas que me procuravam [e ainda procuram]; infelizmente nunca foi possível viver integralmente do ministério).

Mais ou menos no começo de 2014, então, entrei em contato com os homens da igreja e pedi para que alguém, caso fosse chamado pelo Senhor, me auxiliasse à frente da igreja, pois precisava de auxílio. Por diversas questões de cada um deles, tal liderança acabou não logrando êxito, mas continuei à frente - achei que daria para continuar sozinho.

Aqui, faço boa menção aos irmãos das Igrejas Puritanas Reformadas no Brasil, os quais nos foram muito úteis em toda essa caminhada como igreja reformada, mesmo estando longe - não foi o auxílio perfeito (como nunca o é, mas fizeram de bom coração todo o possível; louvado seja o Senhor por vocês todos).

Voltando, fato é que em nossa congregação, somada a esta minha dificuldade em estar sozinho (novamente: luta contra os pecados e o que escrevi acima) e outras questões que alguns irmãos estavam enfrentando na vida pessoal, estava fazendo com que nossa congregação perdesse o fôlego que outrora tivera (quem lembra, vai recordar que paramos de fazer o Jornal Reforma Hoje, não demos continuidade à 1ª Conferência Reforma Hoje, o Confraria Reformada foi interrompido, meus escritos no blog diminuíram, cessei com as exposições em Efésios...).

Sim, o que aconteceu é semelhante à analogia de um carro que andava bem, mas que pelas mais diversas dificuldades (minhas e dos irmãos - ou seja, de todos) entrou em alguns buracos e acabou sendo danificado, e agora precisa parar e ser colocado na oficina. Não seria prudente continuar "empurrando com a barriga", pois não estamos lidando com alguma comida caseira, e sim com o Reino de Deus.

3. Da suspensão das atividades

Reunidos os irmãos neste último domingo, oramos e tivemos por bem suspendermos as atividades até o fim do ano, a fim de que o Senhor confirme em meu coração se devo continuar à frente da congregação, bem como se os irmãos querem continuar na igreja e passarem a se envolver mais, bem como testificarem de algumas vitórias contra alguns pecados mais específicos que lhes impedem de maior envolvimento no corpo do Senhor.

Importa notar que a "suspensão" das atividades, ao contrário do que pode parecer, é mais benéfica para nós do que o continuar da forma como estava. Sim, graças a Deus as pregações e diversos estudos em nosso canal do YouTube foram e ainda são bênçãos para muitas pessoas, mas como diz a Escritura, "Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (1Co 9.27 - grifado). Eu estava sendo reprovado e meus irmãos também - e como não há ninguém para assumir temporariamente, resta orarmos ao Senhor para que nos mostre uma direção.

Registre-se, outrossim, que durante todo o processo em que os irmãos que ficaram conosco, sempre foram questionados acerca se gostariam de ter a liderança à frente, de maneira que ninguém estava "à força" na pregação e demais ministérios.

Até o fim do ano, desta forma, nós vamos continuar nos reunindo esporadicamente como irmãos em Cristo, buscando melhorar os laços de amizade e cada um orará ao Senhor para onde deve ir - se começar a frequentar outra igreja ou o que fazer. Todos, porém, estão cientes de que até lá devem congregar em algum lugar, conforme comanda a Escritura (Hb 10.25).

4. O que irá continuar

Tão logo seja possível, retornarei com os estudos na Confissão de Fé de Westminster e com a tradicional transmissão online; também pretendo retomar as conversas no Confraria Reformada; entre os irmãos o desejo também é de voltarmos à editar e distribuir o Jornal Reforma Hoje.

Todavia, prefiremos não dar datas, para não gerar qualquer expectativa que possa a vir ser frustrada.

5. Pedido de oração

Orem por nossa igreja. Orem por mim, por minha esposa e nosso filho. Orem pelos irmãos que estiveram conosco (e suas famílias) e cada qual lutando com seus pecados e precisando os vencer para poder ajudar ativamente no Reino do Senhor. Orem para que sejamos quebrantados e o Senhor nos mostre o caminho a ser tomado. Orem para que este tempo de reflexão sirva para o crescimento de todos, a fim de que aprendamos com a boa disciplina do Eterno Pai, o qual corrige ao filho que ama (Hb 12.6).

Seja qual for a vontade do Senhor para o desfecho, queremos voltar fortalecidos e animados para continuar Sua obra.

Que o Senhor seja com todos os que amam a Cristo em sinceridade (Ef 6.24).

Em Cristo e para a progressão de Seu Reino,
Filipe Luiz C. Machado (quem escreveu) e todos os irmãos da Igreja Cristã Reformada de Blumenau.

segunda-feira, 16 de março de 2015

QUESTIONÁRIO - Análise da vida cristã


Amados irmãos, por gentileza, queiram preenchem o questionário abaixo (totalmente anônimo), o qual em muito pode ajudar a Igreja do Senhor, a fim de termos, ainda que pouco, alguns dados e estatísticas sobre o que os crentes atuais tem passado.

Pedimos a gentileza de ajudar a divulgar o link online: http://goo.gl/forms/GJzB4e8cLu

Se quiser incorporar o questionário em seu blog/site, envie um email para filipe.machado.123@gmail.com que eu lhe forneço.

Deus o abençoe e obrigado pela colaboração!

quarta-feira, 4 de março de 2015

O Jardineiro Celestial


A sabedoria do jardineiro é vista no cultivo de suas plantas; algumas ele coloca no sol, outras na sombra; algumas num solo rico e fértil, outras num terreno árido e estéril; e assim, a habilidade do jardineiro é evidente, pois cada uma floresce melhor em seu próprio solo. Então, visto que a Sabedoria Infinita designou uma grande parte da minha vida à tristeza e solidão (não que eu me queixe) – percebo que não poderia crescer melhor em outro solo.

Atrás do alto muro da adversidade, e na sombra da aflição, os santos produzirão frutos de humildade, abnegação, resignação e paciência. Essas graças não podem crescer tão bem nos raios solares da prosperidade.

Ora, se outro solo fosse mais apropriado para o meu crescimento espiritual, o Jardineiro Celestial já teria me transplantado para lá.

Isso não importa, conquanto eu cresça na sombra; sim, se o Sol da justiça brilhar em minha alma, e fizer cada graça florescer. Ele sabe mais do que eu mesmo qual é a melhor porção para mim. Ao escolhê-la, deveria antes admirar Sua sabedoria, do que reclamar de Sua conduta; e assim o faço, quando considero que num solo estéril, e numa sombra solitária, Ele pode cultivar plantas que se aquecerão nos raios eternos de glória!

- Converse with the Unseen World, James Meikle (recebido via email de Fabrício de Souza Zamboni)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Por que seu casamento virou uma prisão?


Tempos atrás alguém me disse que seu casamento era uma prisão. Como a cultura tem formatado a visão daqueles que dizem ser cristãos em nossos dias. A Bíblia diz: "Alegra-te com a mulher da tua mocidade." - Provérbios 5:18

Como isso é diferente do que nossa cultura ensina a cada dia. A Bíblia não diz: “Alegre-se na sua jovem esposa” – Apesar disso ser verdade também. Mas o que é enfatizado é “alegra-te com a mulher da tua mocidade” – Sim, aquela garota com quem você se casou quando ambos eram jovens. Já passou algum tempo deste então. Talvez tenha passado muito tempo. Mas NADA importante de fato mudou. Ela ainda é aquela garota que se deu a você diante de Deus no dia do seu casamento. Ela colocou-se nos seus braços. Da maneira mais profunda ela fez isso, vulnerável e confiante. Lembre-se disso todos os dias e maravilhe-se com isso. Deus planejou isso. Deus planejou assim o casamento.

Lembre-se daqueles dias, como costumavam rir e se divertir... é tua responsabilidade ter isso de novo e de novo... agora e sempre: "Alegra-te com a mulher da tua mocidade." – Sim, muitas coisas na vida mudam, e certamente mudaram. Vocês viram juntos uma quantidade de problemas e tristezas que jamais sonharam que veriam e sentiriam. Mas você ainda tem aquela garota... e ela conta mais do que todos os problemas do mundo e tristezas que possam ser vividas. Olhe para ela... anos e anos passaram... mas apesar da vida, muito não mudou. Pense sobre a fidelidade a você ao longo dos anos, apesar, você tem que reconhecer, das tuas falhas, fraquezas, defeitos... e tudo isso foi graça de Deus. Tua vida com ela é a expressão da misericórdia de Deus sobre você de muitas e variadas maneiras. Deixe o teu coração derreter de novo e de novo... e se glorie em Deus pelo plano eterno que é manifestado em teu casamento.

Teu casamento não é uma prisão... teu casamento, apesar do que afirma toda uma cultura a tua volta, que é voltada para o ego, não é uma sentença de morte – O casamento só é uma sentença de morte para o teu egoísmo. Teu casamento é uma fonte de alegria que flui da bondade e misericórdia de Deus. Que maravilha o plano de Deus no casamento, que cada dia mais visa a libertação do inferno do ego para um caminho de alegria que começa agora em nossa vida, e depois continua indefinidamente naquilo que ele representa na união de Cristo com sua igreja. Aqui essa alegria deve ser mais profunda e maior a medida que envelhecemos juntos e compartilhamos essa graça enquanto vivemos – esposa e esposo. A ordem não é só seguir adiante, é se alegrar: "Alegra-te com a mulher da tua mocidade."

- por Josemar Bessa
Fonte: Bereianos

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

10 maneiras de se tirar uma 'selfie' para a glória de Deus


"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

1. Tenha um coração agradecido por poder ter uma câmera para registrar os bons momentos (Ef 5.20);

2. Nem toda foto precisa ser publicada nas redes sociais; aprenda a ser humilde e guarde para registro próprio (Pv 29.23);

3. Se você for homem, não tire fotos efeminadas, pois isso é abominável (1Co 6.10);

4. Se você for mulher, não procure seduzir as pessoas, pois grande é o prejuízo ao Reino de Deus (Pv 30.20);

5. Se estiver indo à igreja e for tentado a tirar uma foto, se lembre de que seu coração é que deve estar pronto e não seus trajes da moda, razão pela qual evite querer chamar a atenção com suas 'selfies' (Sl 51.17);

6. Se for orar, recorde sobre que você não deve desejar o louvor dos homens e, portanto, não tire uma foto durante este tempo (Lc 11.43);

7. Se você for um seminarista, lembre-se de pouco importa se você está ou não estudando, bem como quanto tempo passa lendo; procure se dedicar ao ministério, em vez de buscar o louvor dos homens (At 6.4);

8. Mulheres, por favor: bico é coisa de pato; vocês são humanas e é bastante feio aquela boca torta (Gn 1.27).

9. Homens casados: caso tire uma selfie com sua esposa, procure verificar se o ângulo da foto não está enfatizando certas partes que deveriam ser só suas - quem tem olhos para ler, entenda (Hb 13.4);

10. Não utilize as fotos para suprir sua carência emocional; lembre-se de as verdadeiras amizades não são reveladas com uma "curtida", e sim na assistência no dia da dificuldade (Pv 18.24).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Série Homeschooling - parte 3 (Como praticar?)

 - parte 2 (O que é?)       
                       - parte 4 (A situação jurídica no Brasil)

Tendo compreendido as nuances anteriores, vamos às explicações sobre como praticar o ensino doméstico, sempre lembrando que eles não estão em ordem de importância.

Em primeiro lugar, certifique-se que entendeu o que é o homeschooling. Não adianta querer praticar sem entendimento ou começar para "tentar". Você precisa ter entendido quais são os bônus e ônus do ensino domiciliar, a fim de que possa traçar um alvo. Procure comprar livros, assinar blogs e acompanhar notícias de pessoas que ensinam seus filhos em casa, de maneira a se familiarizar com o assunto, buscando, ao máximo, entender e estar pronto para quando chegar o momento. Por favor, não inicie sem antes entender, porque não é sua vida que está em jogo, e sim a de seu filho.

Em segundo lugar, tenha a certeza de ter entendido quais atividades são mais apropriadas para o seu filho. Se seu filho possui dois anos, significa que ele não possui quatro ou seis, ok? Por mais óbvio que seja, pode surgir uma tendência de os pais desejarem "pular etapas" no aprendizado infantil. Talvez os pais creiam que o filho tem um potencial gigantesco e com isso se esqueçam de lançar boas bases, partindo diretamente para algo mais elevado. Por isso, procure entender quais atividades estão de acordo com a capacidade de seu filho - evidente que você não deve se prender à idade, mas se acautele, no intento de buscar o melhor para ele.

Em terceiro lugar, torne o ambiente domiciliar algo agradável. Crianças que estudam "fora" e frequentam o ensino formal, muitas vezes veem a escola como um "escape", um local onde podem encontrar os amigos e se divertir, e por isso, você deve fazer este local a sua própria casa. Se seu filho encarar o ambiente familiar como hostil, onde a mãe é um "carrasco" que só ensina e não brinca ou o pai chega cansado e não quer brincar, duvido que possa haver algum progresso real e que tal projeto se sustente por muito tempo. Todavia, se sua casa for um local onde seu filho deseja estar (e não só em casa, mas porque ali, possivelmente, estará na maior parte do tempo), meio caminho já será percorrido.

Em quarto lugar, faça uma planilha de estudos e/ou mantenha uma grade curricular. Salvo se você for um pai excepcional, precisará de uma planilha para acompanhar o bom progresso e planejar o que ainda virá. Ensinar em casa não é simplesmente ir à livraria, pedir livros para crianças da idade de seu filho e ir ensinando conforme orienta a cartilha. Muitas vezes os livros são defasados ou mesmo contra a boa moral e costumes, de modo que você precisa verificar o que será ensinado, em qual intensidade, com que frequência e até quando. Lembre-se: você não é apenas o genitor da criança, e sim o diretor da "escola".

Em quinto lugar, peça ajuda a pessoas mais bem qualificadas e seja humilde. Um grande problema que todo pai passa, quando inicia no ensino domiciliar, é se vangloriar de alguma forma e isso é um terrível mal. Procure se cercar de pessoas qualificadas e seja dócil para aprender. Não queira desprezar qualquer indivíduo que se diz pedagogo, somente porque você pensa que sabe muito mais do que ele. Troque experiências com pessoas que já praticam o ensino doméstico e aceite as críticas, caso elas venham; aceite, inclusive, ser censurado por seus familiares, caso eles façam alguma observação verdadeira. Talvez você queira conhecer este grupo na internet.

Em sexto lugar, busque compreender a forma como seu filho aprende. A pedagogia nos ensina que cada indivíduo aprende de uma forma diferente - ouvindo, lendo, tocando, etc. Quanto maior o número de estímulos, mais versada será a criança, certo? Bem, nem sempre. Para ilustrar, fiquei sabendo de um caso onde uma universitária simplesmente não conseguia responder perguntas negativas (por exemplo: "descreva quais elementos não fazem parte do diagrama"), entretanto, quando a professora alterava a pergunta ("descreva quais elementos estão fora do diagrama), tudo se resolvia e ela respondia sem problemas - o mesmo acontece com outras pessoas. Quem sabe seu filho aprenda muito mais quando você lê para ele; talvez ele goste de ler e recitar em voz alta; possivelmente goste de anotar tudo o que aprende; talvez conversar sobre o assunto lhe ajude a gravar mais as coisas. Independente da forma, o importante é você buscar a entender e focar nela, a fim de que o aprendizado seja mais efetivo.

Em sétimo lugar, entenda que livros não são tudo nesta vida. Livros que trazem conhecimento (diversão também é conhecimento, ok?) são importantes, mas nós não estamos mais na era (somente) do papel e caneta. Você pode ter matérias "divertidas" para seu filho, como jogar videogame, montar quebra-cabeças, passear no parque, fazer uma casa na árvore e coisas semelhantes. Cada atividade diferente é uma oportunidade de ensinar algo, como captando as missões de um jogo e demonstrando como pode ser usado na vida real; até mesmo um filme pode ensinar sobre situações que os adultos passam na vida cotidiana; a própria musicalidade e sua arte (não só a parte tocada) escrita com tempos, compassos e divisões, certamente pode ser um ótimo aliado ao aprendizado mais amplo.

Em oitavo lugar, regras são necessárias, mas não exagere. Se o objetivo é que seu filho tenha uma educação específica para sua individualidade, não surtirá efeito o cercar de meras regras criadas em manuais ou se pautar por exemplos de outras pessoas. Tudo bem seu filho ter hora para acordar e deitar, mas se a escola é em casa e ele vem fazendo bom progresso no ensino, por que o "aterrorizar" com uma inflexibilidade exagerada? Recentemente esta notícia me chegou ao conhecimento e demonstra o quão excelente pode ser um aluno, ao mesmo tempo em que se diverte tão pouco e se sente tão frustrado. Procure, portanto, ser moderado.

Em nono lugar, não confunda ensino domiciliar com autodidata. Ensinar de maneira livre não é sinônimo de deixar seu filho aprender "sozinho". Assim como o ensino domiciliar pode ser excelente nas mãos de bons pais, poderá se tornar em tragédia na mão de maus tutores. O papel do pai é guiar, facilitar e favorecer o aprendizado. Jamais deixe seu filho buscando qualquer conhecimento e estudando o que bem entender. É evidente que se ele tem maior afeições por química do que por história, você poderá focar os estudos nesta área, mas mantenha firme o empenho na boa direção em que seu filho deve andar.

Em décimo lugar, leve seus filhos para socializar e conhecer outras pessoas. Por maior que seja sua família e bem enturmada, é importante que seus filhos conheçam pessoas "diferentes" (inclusive isso lhe ajudará nas questões jurídicas). Leve seu filho ao parque o deixe conhecer outras crianças; sendo possível o matricule em alguma escola de artes ou coisa semelhante. Mostre ao seu filho que o fato de ele estudar em casa não o priva da sociedade, pelo contrário, o capacita para melhor interagir. Muitas vezes os pais possuem receio de sair de casa, com medo de que serão "perseguidos" por não enviarem seus filhos à escola tradicional, mas quando bem conversado e explicado, a receptividade pode ser boa.

Em décima primeiro lugar, cuidado ao falar sobre o homeschooling. Serei breve: é preciso tomar alguns cuidados. Tenha o cuidado com quem você fala sobre isso, pois inúmeras pessoas simplesmente não entendem a sua proposta e prontamente lhe "ameaçarão", dizendo que contarão tudo para o "juiz" e que sua vida estará "ferrada". Sei que é triste, mas é a realidade. Quando for falar, busque enfatizar os lados positivos do ensino domiciliar, em vez de ficar, somente, criticando a escola formal. Portanto, fale e compartilhe sobre o que você faz (até porque não poderá "esconder" para sempre), entretanto, com prudência e sabedoria, a fim de não criar problemas sem motivo.

Estas foram onze coisas que podem lhe ajudar a praticar o ensino doméstico. Na última parte, veremos quais são as implicações jurídicas deste tipo de ensino.

*agradeço a todos que leram previamente este texto e contribuíram com ele.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Quando você é tentado a irritar-se com a fraqueza dos outros


“Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.” (1 Tessalonicenses 5.14)

Deus salva todo tipo de gente, coloca essas pessoas juntas em sua igreja e diz “agora amem um ao outro”. A família de Deus inclui aqueles que já andaram com Deus por anos e aqueles que ainda estão esfregando os olhos, maravilhados por terem sido salvos por Deus duas semanas atrás. Deus une os fracos e os fortes, e nos diz para vivermos juntos de uma forma que irá glorificá-lo.

Às vezes precisamos admoestar os outros

Aparentemente havia alguns em Tessalônica que não estavam trabalhando. Talvez eles tivessem se demitido acreditando que o retorno de Jesus era iminente. Talvez eles fossem só preguiçosos. Paulo manda admoestá-los, avisá-los, exortá-los a trabalhar e prover para suas famílias, e serem diligentes.

No entanto, Paulo também manda ser paciente com eles. É fácil ficar chateado com alguém que é preguiçoso. Quando você levanta cedo, aguenta o tráfego na hora do rush, moureja no seu trabalho, aguenta um chefe exigente, e chega em casa pra descobrir que seu irmão dorme até o meio dia e quer pegar dinheiro emprestado com você. É fácil ficar irritado. Fale com ele. Admoeste-o. Mas seja paciente com ele.

Perceba que, dos três tipos de pessoas que Paulo menciona, dois terços são “desanimados” e “fracos”. Aparentemente, mais crentes tessalonicenses eram tentados ao desânimo do que à ociosidade. Esse tem sido o caso em minha experiência pastoral ao longo dos anos.

Paulo diz para “consolar os desanimados” – os desencorajados, débeis e tímidos. Eles querem desistir, estão com medo, é difícil para eles ter fé. Você gasta algumas horas encorajando-os, eles saem confiantes e crendo no Senhor, mas no dia seguinte eles voltam tão desanimados e incrédulos como sempre foram. Seja paciente com eles.

É fácil ficar frustrado com os desanimados, especialmente se você não tem as mesmas dificuldades que eles. Deus deu a alguns de nós um dom de fé, ou nós crescemos na fé ao longo dos anos, então somos capazes de confiar em Deus quando ele nos leva pela enchente ou pelo fogo. Outros não têm este tipo de fé. Eles são constitucional e continuamente “desanimados”. Eles não parecem acreditar nas promessas de Deus. Eles querem e tentam acreditar, até creem por um tempo. E então afundam de novo. Não despreze-os. Lide com suas quedas. Seja paciente com eles.

Outros crentes são “fracos”. Eles não têm muita força espiritual. Eles falham repetidamente e parecem não conseguir vencer o pecado. Seja paciente com eles.

É fácil para aqueles que são fortes julgar os outros a partir de sua própria força.

Meu pai era uma ótima pessoa, mas não conseguia entender por quê as pessoas tinham tanta dificuldade em parar de fumar. “Eu fumei por vinte anos, então um dia eu simplesmente decidi desistir e pronto. Nunca fumei outro cigarro depois disso. Você só decide parar e para”. Não foi tão fácil pra mim. Eu havia usado tabaco por uns poucos anos e parei quando me tornei um jovem crente. Foi tão difícil pra mim. Eu falhei repetidamente e demorei um bom tempo até finalmente parar.

Pode ser pecado sexual ou bulimia ou raiva, mas muitos de nós somos fracos em alguma área. Aqueles que nunca lutaram contra um pecado específico podem ser tentados a desprezar aqueles que lutam. É fácil ficar impaciente com alguém se você nunca passou por isso. Em vez de dizer pra alguém pra se animar, superar, simplesmente parar ou simplesmente fazer, Paulo diz “ampare os fracos”. Ajude-os em oração. Ajude-os com encorajamento ou gentilmente se oferecendo para que prestem contas. E seja paciente com eles quando eles falharem. Jesus vai ajudá-los e eles vão crescer. Talvez cresçam devagar, mas vão crescer.

Deus tem sido incrivelmente paciente e longânimo comigo. Como eu posso ser impaciente e não ser longânimo com outros? Jesus aguentou as minhas falhas, descrença, preguiça e diversas fraquezas por anos, ainda assim ele nunca desistiu de mim. Como eu posso não fazer o mesmo por outros?

- por Mark Altrogge
Fonte: Reforma21

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Série Homeschooling - parte 2 (O que é?)



 - parte 2 (O que é?)       
                       - parte 4 (A situação jurídica no Brasil)

Dando seguimento, listemos algumas coisas sobre o que vem a ser, efetivamente, o homeschooling.

Em primeiro lugar, significa usar todo o dia e todas as coisas para ensinar. A expressão "escola em casa", para fins práticos, significa o mesmo que ensinar em tempo integral. Quer dizer, esteja você limpando a casa ou cozinhando, pode e dentro do possível, deve, ensinar seus filhos sobre as coisas envolvidas. Por exemplo, ao encher um copo de água, ensine sobre a lei da física que diz não ser possível dois corpos ocuparem o mesmo espaço; se cortar uma fruta e ela tiver sementes, mostre o que é isso e qual a utilidade delas. Certamente você poderá ensinar muito mais do que apenas guiar as páginas e exercícios a serem feitos.

Em segundo lugarsignifica sair e mostrar o mundo, ensinar no cotidiano da vida. Se quando a criança vai à escola formal ela recebe ensinamentos sobre o que é "turismo", apenas para ilustrar, no ensino doméstico acontece a mesma coisa, só que de uma forma muito mais interessante. Ao sair com seu filho, seja criativo e ensine sobre o que é "fazer turismo"; qualquer viagem ou mesmo ida ao supermercado pode significar grande aprendizado (número, unidades de medida [gramas, litros...], expressões comuns em línguas estrangeiras [diet, light, no sugar...]). Conforme seu filho cresce a responsabilidade aumenta, ao mesmo tempo em que todas as coisas podem servir para ensinar - até mesmo um outdoor é uma oportunidade de ensinar sobre marketing, não é mesmo?

Em terceiro lugarsignifica ser parte ativa no processo de aprendizagem, e não somente fiscalizar. Em tese, no ensino formal, cabe aos pais a responsabilidade de fiscalizar o que os filhos estão aprendendo, entretanto, uma vez que você é o "professor", sua função não é somente verificar o quanto seu filho tem aprendido, e sim se envolver ativamente em todas as áreas. Não será o bastante a correção das tarefas no fim do dia, se você o deixou sozinho a tarde toda e não lhe ensinou ou guiou os primeiros passos. Não é porque você será um facilitador, conforme já dissemos, que isso lhe dê o direito de meramente verificar o progresso, pois muitas vezes ele pode não vir, caso você não esteja sendo participante intenso e eficaz.

Em quarto lugarsignifica que ambos os pais precisam estar envolvidos. É um erro o imaginar que somente à mãe cabe o ensino. Muito embora, geralmente, seja ela quem está em casa durante o dia e por isso ensine durante um tempo maior, o pai, mesmo após um cansado dia de trabalho, precisa se envolver, mesmo que um pouco. É preciso que seu filho entenda que os pais estão interessados em sua aprendizagem. Se ambos estão envolvidos, a criança não enxergará a mãe como "professora" e o pai como "brincalhão", e sim ambos em igual estima.

Em quinto lugarsignifica aprender que a responsabilidade pela criação é sua. Com a criança na escola formal é muito fácil colocar culpa na instituição, nas más companhias, na má grade curricular e em qualquer outra coisa quando seus filhos não estão aprendendo ou estão sendo rebeldes. Ao ensinar em casa, porém, cabe aos pais e tão somente a eles, a responsabilidade. Se seu filho está desobedecendo, entenda que a responsabilidade é sua - ainda que a culpa não seja sua, mas o dever de controlar a situação o é.  Esteja ciente de que o futuro de sua prole está em suas mãos. E por favor, não pratique o ensino doméstico se você foge das responsabilidades.

Em sexto lugarsignifica que alguém terá de ficar em casa com a criança ou precisará a levar para algum local semelhante. É preciso ter em mente que nem todos podem fazer isso. Muitos pais gostariam de poder ficar o dia inteiro com seus filhos, mas nem todos possuem condição financeira para tanto; porém, não é preciso ser "rico" para praticar, bastando que os pais reajustem os gastos e, por vezes, passem a viver mais modestamente. Assim, para ensinar domesticamente, seja na própria casa ou levando para cursos específicos (ou até mesmo casa de amigos, onde mais crianças se reúnem), é preciso que você se prepare para esta mobilidade. Certamente que o ensino em casa não se traduz em deixar o filho com a babá, lhe passar tarefas e só voltar no fim da tarde. É preciso disposição por parte de quem trabalhará "fora" e uma boa dose de planejamento, a fim de que mesmo com poucos recursos, o filho possa ter o máximo possível de ferramentas para compreender e entender o necessário.

Em sétimo lugarsignifica aprender o que é paciência e perseverança. Muitas vezes as expectativas são sufocadas pela tristeza e aparente falta de bons resultados. Os pais se esforçam para ensinar os filhos, entretanto, acabam vendo pouco ou nenhum progresso em curto/médio prazo. É imperioso, assim, entender a alta probabilidade de seu filho não gostar de estudar e/ou demorar muito para aprender certas coisas; não é porque o filho do amigo sabe o alfabeto inteiro que o seu também saberá. A vantagem de ensinar em casa é que seu filho será medido conforme a sua capacidade, acabando por não gerar frustrações ou concorrência desnecessária. E ainda que os esforços pareçam não dar resultados, persevere e não desista - talvez o filho seja a maneira pela qual você aprenderá isso.

Em oitavo lugarsignifica lutar por estabelecer um laço de amizade sem igual com o filho. Uma professora "chata" não agrada os alunos e pais igualmente inflexíveis ou pouco amorosos, também provocarão a raiva nos filhos. Se os filhos já possuem seus momentos de rebeldia, quando frequentam o ensino tradicional, quanto mais estando sempre na companha dos pais. Se não houver um estreito laço amoroso e fraterno na família, absolutamente tudo se tornará mais difícil e pesaroso, afinal, que pais gostariam de ensinar um rebelde ou que filhos desejariam ter pais/professores sem compaixão?

Em nono lugarsignifica que você precisará estabelecer limites entre a verdade e o erro. Jamais pense que seu filho é livre para criar a visão do mundo que bem entender, pois esta é a receita para uma vida conturbada e misturada às devassidões. É verdade que você não poderá delimitar todas as coisas que seu filho assiste na televisão (caso você opte por ter uma), na internet e com os amigos, no entanto, você precisa ensinar a ele que existem verdades inegociáveis. Se sua família possui valores essenciais, não deixe que seu filho se sinta livre para os quebrar.

Em décimo lugarsignifica que certos assuntos "cabulosos" precisam ser ensinados. Este interessante vídeo ilustra como os pais ficam envergonhados ao falar com os filhos sobre como os bebês são gerados. Palavras normais para adultos são temerosamente transmitidas aos filhos - e muitos deles ficam um tanto quanto surpresos (risos). Desta forma, não somente cabe aos pais ter o dever (veja como um privilégio!) de ensinar sobre sexo, e sim sobre os mais variados assuntos. Não deixe que o mundo doutrine seus filhos, sendo que você pode os guiar, tirar suas dúvidas e lhes ser a melhor companhia!

Em décimo primeiro lugarsignifica que você precisará disciplinar seu filho quando ele desobedecer. Crianças são teimosas e nem sempre um mero "falar mais sério" resolve os problemas. Como indivíduos em formação, seu filho precisa aprender que é recompensado quando faz o correto e punido quando transgride as ordens. Ensinar em casa, portanto, implica em estar preparado para ver o seu filho "sofrer" momentaneamente, seja com uma pequena disciplina e/ou sendo privado de algo que tanto gosta. Convém estabelecer, também, que a disciplina, primeiramente, é fundada no amor. Pais que castigam seus filhos a todo o momento e por qualquer coisa, mesmo quando eles nunca foram ensinados sobre aquilo (mas os pais acham que eles já deveriam saber), tendem a fazer mais mal do que bem. O objetivo do ensino em casa é fazer com que os filhos sejam obedientes por amor, e não que sejam disciplinados por toda e qualquer coisa que contrarie o mundo dos adultos (por exemplo, por que bater na primeira vez em que seu filho pular no sofá? Não seria melhor lhe ensinar primeiro sobre que ali não é o local adequado?) E lembre-se de que é melhor o fazer chorar agora do que chorar de desgosto por ter um filho obstinado e de dura cerviz.

Em décimo segundo lugarsignifica que deve haver um bom casamento. Querido leitor, preste atenção nisso: seu filho é uma das coisas mais importantes para você, mas ele deve vir depois do amor que você nutre por seu cônjuge. Todo esforço para ensinar, possivelmente será inútil, caso os pais briguem constantemente e não demonstrem ao filho um amor genuíno entre si. Ainda que ao filho seja dito que ele deve respeitar as pessoas, pedir "por favor" e dizer "obrigado", se dentro de casa ele enxergar um comportamento destoante do que lhe dizem para fazer, as chances de imitar o mau exemplo serão maiores. Um casal unido é um requisito essencial para um ensino domiciliar saudável.

Eis doze coisas sobre o que é o homeschooling. Em seguida anotaremos algumas dicas e sugestões sobre como praticar.

*agradeço a todos que leram previamente este texto e contribuíram com ele.

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