"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Existe diferença entre "Heresia" e "Erro teológico"?


Este blog já foi de textos mais longos - hoje, porém, sigo a linha "curto e direto", até porque são poucos que dediquem alguns minutos à leitura. Assim sendo, o texto a seguir será breve.

Recentemente me perguntaram se existe diferença entre "heresia" e "erro teológico". O questionador, creio, tinha a intenção de verificar se é possível dizer que algumas coisas são frontalmente contrárias à palavra de Deus e Suas verdades essenciais, enquanto outras se enquadrariam, penso, em algum desvio da verdade, mas sem comprometer os sustentáculos do Reino.

Respondendo à pergunta, sim, acredito que exista, no nível humano da compreensão, diferença entre estas duas coisas. Digo "humano", porque para Deus não existe "meia verdade" ou "pequena distorção da verdade", pois não vemos em Sua palavra, qualquer resquício de sombra de variação (Tg 1.17), não podendo, qualquer indivíduo, supor que o Senhor tolere máculas a Sua vontade.

Por "heresia", entendo aquele ensino pecaminoso e frontal ao se dissimular, enganar, ludibriar e ensinar o que é flagrantemente falso e viole doutrinas claríssimas da Escritura. Exemplos não faltam: soberania plena de Deus, depravação do homem, necessidade da fé em Cristo, um único mediador... Todas doutrinas inegociáveis da fé cristã. A lista não tem fim e é composta de doutrinas que, quando negadas/distorcidas, correspondem a rejeitar o próprio Deus e Sua Palavra.

Já por "erro teológico", muito embora, novamente, para Deus, não exista diferença, na vida pós-pecado, todos os homens, por mais puros que sejam, erraram e erram em algum ponto. Presbiterianos e batistas discordam sobre vários pontos, mas nem por isso se consideram inimigos da fé, desde que concordem nos pontos básicos da salvação; alguns cristãos pensam que o culto pode conter alguns elementos (banda, apresentação de crianças...), enquanto outros entendem que o culto do Novo Testamento deve ser mais singelo e simples; questões sobre como será a vida no porvir, então, não cansam de render bons debates e suscitar as mais diversas interpretações. Seja como for, são possíveis erros na teologia, isto é, na interpretação de quem Deus é e o que nos ensina, erros de interpretação, mas que não interferem na comunhão direta e plena com o Senhor, bem como com os irmãos.

É evidente que alguém poderá argumentar, por exemplo, que um "culto bagunçado" fere a comunhão com o Senhor e nisto sou obrigado a concordar. Todavia, não posso anuir com a ideia de que somente um "tipo" de culto seja aceitável diante de Deus. Sim, Deus tem apenas um tipo de culto em Sua Palavra e Ele deixou exemplos claríssimos de que abomina outras variações - mas, se nem mesmo os teólogos reunidos em Westminster conseguiram unanimidade em todos os assuntos, que razões haveríamos para crer que iríamos chegar a tal patamar?

Friso: creio que o culto deve ser da maneira "x", mas conquanto eu creia que estou acertando "deste lado", com certeza erro em tantos outros, razão pela qual posso enxergar a multiforme graça e misericórdia de nosso Senhor, o qual escolheu salvar tão terríveis pecadores e que em tantos pontos discordam entre si, além de precisar ter sempre em mente que o tipo de culto que julgo ser correto, pode, no fundo, conter algum erro.

Desta forma, concluo que existe diferença: a primeira (heresia) é uma afronta direta ao evangelho e compromete a união entre igrejas/indivíduos, enquanto a segunda (erro teológico), uma divergência entre assuntos que, se comparados ao essencial, são secundários e, portanto, passíveis de discussão e pontos de vista diferentes.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

10 princípios para maridos e pais cristãos


A maioria dos homens cristãos em círculos conservadores abraçam a verdade bíblica de que eles devem liderar suas famílias em Cristo. Embora a maioria abrace essa realidade e esteja convencida da sua necessidade, é igualmente verdade que a maioria de nós não tem certeza de como fazer isso. Poucos de nós cresceram em lares cristãos com pais cristãos fortes e piedosos para nos modelar. Como um marido e pai cristão lidera bem a sua família em Cristo? Eu sugiro que os princípios abaixo são um ponto de partida:

Busque a santidade: essa é a chave para liderar as nossas famílias em Cristo. Um marido e pai cristão não pode liderar onde ele não pisou. Assim como Paulo admoestou Timóteo a respeito do pastorado, “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (1 Timóteo 4.16), o mesmo se aplica ao “pastor” da casa. Se falta santidade em nossas vidas, então ela também faltará nos membros da nossa família. O maior impulso para o crescimento deles é o nosso próprio crescimento em Cristo.

Reconheça o que você pode e não pode controlar: aquele que pensa que pode controlar o coração dos outros é um tolo. Nós não temos tal capacidade e graças a Deus por isso. Podemos encorajar, exortar e ensinar nossas esposas e filhos na fé, mas não podemos controlar o seu envolvimento e crescimento na fé. Mas é nossa responsabilidade manter nossos próprios corações. Não negligencie o que você tem por responsabilidade enquanto persegue as coisas pelas quais você não é responsável. Maridos e pais servem melhor suas famílias quando estão tentando controlar a sua própria raiva, egoísmo, orgulho e língua. Que saibamos o que somos habilitados a fazer e aquilo que somente o Senhor pode fazer.

Proveja em todos os meios: a maioria dos maridos e pais cristãos reconhece a necessidade de sustentar as suas famílias materialmente. “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1 Timóteo 5.8). Mesmo que isso seja verdade no reino físico, também o é no reino espiritual. Por favor, traga para casa o bacon! Mas não pare por aí. Pratique um culto familiar consistente e regular; lidere a sua família na leitura das Escrituras, orando e cantando. Alegremente, leve a sua família à igreja a cada semana, envolva a sua família no ministério da Igreja, busque a hospitalidade convidando outras pessoas para sua casa, ore com e por sua esposa e filhos. Não pense que seu trabalho está feito apenas ao garantir um teto sobre suas cabeças, roupas nos seus corpos e comida em seus estômagos. Eles são corpo e alma, eles precisam da sua provisão no reino espiritual.

Pratique a humildade: liderar em Cristo é diferente do que o mundo entende por liderança. O mundo promove um tipo de liderança que exige ser servido. A visão cristã de liderança exige o servir. Caro marido e pai cristão, você é o servo chefe de sua casa. Parabéns! Em Cristo, “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mateus 20.26). Lideramos ao servir e muitas vezes esse serviço é sacrificial (Efésios 5.25).

Persista em alegria e ação de graças: defina o tom da sua casa. Um marido e pai cristão estabelece a cultura de sua casa mais do que ninguém. O adolescente temperamental, a criança exigente ou mesmo a esposa mal-humorada não são os fatores determinantes. Você é. Prossiga na alegria do Senhor e persista em ação de graças a Deus por todas as Suas boas dádivas (Tiago 1.17). Este é um grande ponto de partida para moldar a sua casa.

Seja efusivo no amor: Nenhuma esposa ou filho já disse: “Eu fui amado além da conta!”. Não seja o marido ou pai que é reservado em expressar seu amor. Faça a sua esposa se sentir preciosa. Nutra e a acalente (Efésios 5.29). Honre a sua vida com elogios, flores, presentes e carinho constante. Abrace-a por trás enquanto ela está lavando os pratos, encontre um tempo regular para ela escapar das demandas da casa, incentive-a a buscar amizades femininas piedosas, agradeça o cuidado que ela dá a você e seus filhos, planeje e execute encontros. Que ela nunca duvide que você a estima mais do que todos os outros. Permita que seus filhos vejam esse carinho. Os pequenos olhos de seus filhos devem te ver abraçar sua esposa constantemente. Quanto aos seus filhos, tenha por eles um amor implacável e infalível. Não importa as falhas, fraquezas, ou lutas que eles possam ter, o seu amor vai ser uma constante em suas vidas. Ele é fixo e nada pode roubá-lo. Você não vai ser um pai perfeito, mas banhar os seus filhos em amor é um passo para ser um grande pai.

Viva pela graça: Pedro diz: “vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil…” (1 Pedro 3.7). Paulo diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Modele e pratique a graça em sua casa. Seja sensível ao pecado e ainda mais sensível para estender aos outros a mesma graça que você recebeu. Sua esposa e filhos devem te ver como alguém acessível, amável, gentil e gracioso. Ao ouvirem a palavra graça, ela não deve ser um conceito estranho às suas mentes. Eles devem conhecer e receber isso de você consistentemente.

Proteja e seja forte: Sua esposa e filhos precisam da sua força. Não só eles precisam da sua força, como também precisam saber que você está disposto a usar essa força para o bem deles. Você serve como seu defensor. Você deve defender a sua família com boa vontade e de bom grado, mesmo que isso lhe custe social, profissional, emocional ou mesmo fisicamente.

Glorie-se na fraqueza: mesmo quando você procura ser forte, deve reconhecer a glória em sua própria fraqueza. Sua esposa e filhos devem conhecê-lo como um homem que alegremente depende do Senhor. Quando eles refletirem sobre sua força, devem sempre entendê-la como vinda da parte do Senhor. E você deve se alegrar por eles conhecerem a fonte da sua força. Um marido cristão e pai fiel não vai mergulhar na sua fraqueza, mas glorificará nela. Ele irá continuamente olhar para Cristo e modelar essa virtude cristã suprema em sua família. Ele será um homem de oração, sabendo que grande parte de seu pastoreio ocorre de joelhos. Ele vai liderar o caminho ao pedir perdão em casa, tanto a sua esposa e filhos. Ele será rápido em conceder o perdão quando ofendido, vai refrear-se em ter expectativas muito altas sobre sua esposa e filhos, reconhecendo suas próprias falhas e fraquezas e estenderá a eles a mesma graça de que ele mesmo precisa.

Viva contemplando a Glória de Deus: esteja você no trabalho, descansando ou brincando, procure glorificar o Senhor. Paulo disse: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31). Modele a sua família para viver com propósito. Estamos sempre vivendo à sombra da glória de Deus. Mostre a eles que cada momento é importante, cada pessoa é significativa, cada tarefa é importante. Ria ao brincar com seus filhos, sue ao trabalhar e cante alto ao adorar. Faça todas as coisas contemplando a Glória de Deus e as faça com todo o seu coração e alma, especialmente ao liderar a sua família.

Maridos e pais cristãos, a vocês foi dada a tarefa gloriosa e maravilhosa de liderar suas casas em Cristo. Liderar requer pensamento e intencionalidade. Como você está liderando a sua família no Senhor? Que princípios, práticas e atividades você está empregando para o bem deles e para a glória de nossa Cabeça, Cristo Jesus?

- por Kevin DeYoung
Fonte: Reforma 21

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A casa impecável ou uma esposa gentil?


Já aconteceu de, antes do meu marido sequer abrir a porta da garagem, eu já estava com o bebê no colo prontinha pra entregar pra ele, pra poder terminar a janta com as mãos livres. Junto com o bebê,  na ponta da língua já tinha uma lista completa do que fiz naquele dia: “Nossa, hoje o dia foi longo! Já lavei 2 cestos de roupa, limpei os banheiros, busquei o Josh na escola, brinquei com eles lá fora, dei banho e agora estou aqui tentando preparar a janta com o bebê no colo, pois já está cansado e não quer mais ficar no chão brincando. Agora vai você brincar um pouco com eles pra eu poder terminar” Meu marido muito querido pega o Noah no colo, dá um sorriso e diz: “vem aqui com o papai neném pra mamãe poder terminar a janta”. Enquanto isso, o Ian e o Josh já sairam se atropelando pra ver quem vai ser o primeiro a se agarrar nas pernas do papai pra brincar.

E ali estou terminando de temperar a salada, colocar os pratos na mesa e ouvindo as risadinhas de alegria dos três brincando com o daddy e refletindo em algo lindo que li alguns dias atrás:

“Algum tempo atrás, eu mandei uma lista pro meu marido das coisas que eu achava que ele gostaria que eu fizesse durante o dia em casa. Eu pedi pra que ele pusesse a lista em ordem de prioridade, do mais para o menos importante. Esta foi a lista que eu fiz pra ele:

- roupas passadas e limpas
- refeições completas, incluindo pão caseiro para seus sanduíches
- checar emails e respondê-los
- ser hospitaleira
- fazer trabalhos pra comunidade (se trata de uma família missionária na Unganda)
- Casa limpa, sem brinquedos espalhados

E esta foi a resposta do meu marido:

“Muito obrigada por me perguntar, mas eu prefiro que você deixe de lado todas estas coisas se necessário pra que você comece o dia com a certeza de que eu te amo, e como consequência de você saber que eu te amo, qualquer coisa que eu faça ou diga você me dê o benefício da dúvida de saber que eu fiz com boas intenções porque eu te amo. Descanse e diga não para algumas coisas para que você possa ter energia pra ser gentil e legal comigo e com as crianças.

Honestamente, eu aprecio tudo o que você faz, mas estas coisa já não se tornam importantes se o preço delas é sua atitude conosco. Talvez você ache que eu penso que você é uma má esposa ou mãe se você não consegue realizar todas estas coisas da lista, mas isso não é verdade. Eu prefiro ter uma casa um pouco desorganizada, ter que fazer sanduíches com pão comprado, não ter todas as deliciosas coisas feitas em casa etc mas ter uma esposa feliz, realizada e gentil que gosta de mim, ao invés do contrário. Então, pra resumir, a sua demonstração de amor para nossa família tem mais haver com QUEM você é do que com o que você faz.  Eu casei com minha melhor amiga e é ela que eu quero ter do meu lado, pois eu não casei com minha empregada.” (http://joyforney.org/a-kind-wife-2/) – Joy Forney

Sabe, ler este texto me levou a refletir sobre algo que creio que seja fundamental pra saúde da nossa família. O que será mais importante: o que eu faço ou a atitude com a qual eu faço?

De que adianta estar cozinhando pro meu marido ou ajudando meus filhos com alguma tarefa se tudo o que eles ouvem enquanto eu o faço é resmungação e reclamação: “nossa,  essa rotina é horrível mesmo. Décima vez que eu junto brinquedos hoje. Nossa, você não sabe como foi meu dia hoje, enquanto você estava lá na boa trabalhando eu tava aqui me matando.”

Não, eu não estou aqui defendendo que sejamos preguiçosas e não façamos nada com a desculpa que a atitude é que importa. Certas tarefas são necessárias e o serviço também é uma demonstração de amor. Mas qual o problema dos brinquedos ficarem um dia sem serem ajuntados se isto vai significar uma esposa e mãe mais feliz, que possa se sentar-se à mesa e rir com a sua família durante o jantar?

Existe um ditado popular em inglês que diz assim: “If Momma Ain’t Happy, Ain’t Nobody Happy”, em português seria “se a mamãe não está feliz, então ninguém está feliz.” E acho que isso é bem verdade. Nós, mulheres, esposas, mamães, somos aqueles que dão o tom, o colorido da casa. Podemos fazer muitas coisas na nossa casa e pelos maridos e filhos, mas se estivermos sempre murmurando e reclamando, estaremos afastando nossos filhos e maridos, em vez de trazê-los pra perto de nós.

Claro que o dia a dia é corrido e puxado, mas vamos nos dar o direito de aproveitar um pouquinho? Quando estamos perto de amigos queridos, gostamos de ficar conversando ao redor da mesa, passear juntos e dar boas risadas. Por que não fazer isto com nosso marido e filhos? Vai colocar o bebê pra dormir? Curta aquele momentinho, alise a pele macia e sinta o cheiro gostoso dos cabelinhos. Deixe a casa sem varrer um dia e sente-se pra jogar dominó com seus filhos. Saia pra dar uma caminhada e pegar um pouquinho de sol com seu pequeno. E tudo bem se de vez em quando tiverem que comer pizza congelada, pão com ovo ou comida requentada. Mas vale uma mãe e esposa feliz do que uma casa sempre impecável!

- por: Tathi
Fonte: Mamãe Real

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Uma casa limpa e uma vida desperdiçada


Você provavelmente já ouviu o ditado: uma casa limpa é sinal de um vida desperdiçada. O que quer que essa frase signifique, ela expressa um pouco da frustração e do senso de futilidade da vida nesse mundo. Pensei nesse ditado quando me deparei com o provérbio “Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheitas“ (Provérbios 14.4). Um pouco de pesquisa nos mostra que comentaristas se dividem quanto ao real sentido dessa frase, mas creio que há uma explicação que se sobrepõe às demais.

De acordo com essa explicação, o provérbio fala sobre a bagunça de uma vida bem vivida. Tremper Longman diz que a moral da história é que “uma vida produtiva é uma vida bagunçada”.

Eu amo produtividade. Quero dizer, eu amo produtividade quando bem definida – a administração eficaz de talentos, dons, tempo, energia e entusiasmo para o bem dos outros e para a glória de Deus. Por essa definição, cada um de nós, não importa a vocação, deve buscar a produtividade com todo o vigor que possuir. E quando o fazemos, é inevitável que acumulemos alguma bagunça. Somos incapazes de usar nosso tempo, atenção, dons, energia e entusiasmo em busca de objetivos nobres enquanto mantemos cada canto de nossa vida arrumadinho.

A mesa do pastor estará ocasionalmente amontoada de livros e papéis. A bancada do padeiro algumas vezes estará repleta de potes, pães, farinha e açúcar. As mãos do mecânico estarão sujas de graxa e sua loja precisará mais uma vez ser limpa. E o lar – o lar as vezes será bagunçado, desordenado e descaradamente embaraçoso.

Longman diz: “Desejamos uma vida pura e limpa, como o celeiro ideal seria. Entretanto, um celeiro limpo, por natureza, significa um celeiro vazio, já que a presença dos bois não faz do celeiro um lugar arrumado. Entretanto, sem bois não há produtividade”.

Podemos facilmente dizer que desejamos uma casa limpa e organizada, assim como o perfeito celeiro deveria ser. Entretanto, uma casa limpa, por natureza, pode significar uma casa vazia, já que as crianças, maridos, convidados e aqueles filhos do vizinho não podem estar na casa para que ela fique livre de bagunça. Entretanto, sem todas essas pessoas, não há produtividade – não a verdadeira, bíblica, produtividade: sem crianças para cuidar, sem amigos para aconselhar, sem hospitalidade para oferecer.

Como muito nessa vida, você não pode ter tudo. Você não pode ter perfeita ordem e produtividade. Não pode ter uma casa cheia, acolhedora e convidativa, não pode ter todas as crianças alimentadas e arrumadas e ter todas as louças limpas e meias lavadas ao mesmo tempo. Você simplesmente não pode. É claro que isso não é uma desculpa para a preguiça e a negligência. Mas você precisa entender o que Derek Kinder diz: “a organização pode chegar ao ponto da esterilidade. Esse provérbio é o fundamento para a prontidão em aceitar a agitação e para ter a arrumação da bagunça como o preço do crescimento”. Crescimento ou produtividade, conforme for o caso. Uma casa arrumada é a prova de uma vida desperdiçada? De forma alguma. Mas uma casa em plena ordem não é necessariamente evidência de uma vida bem vivida.

Se você faz o que Deus te ordena, confusões certamente aparecerão. Mas tenha bom ânimo: de acordo com o homem mais sábio que já viveu, essa bagunça não é sinal de uma vida desperdiçada, mas de uma vida produtiva.

- por Tim Challies
Fonte: Reforma 21

terça-feira, 9 de junho de 2015

Por que Deus deveria impedir a guerra e nos dar paz?


Por que Deus deveria impedir a guerra? (por que o mundo e a sociedade deveriam ter paz?) Além da razão teórica que Deus deveria impedir a guerra porque é má... não pode haver dúvida de que a verdadeira razão pela qual as pessoas esperam que Deus impeça a guerra e dê paz social, é que elas desejam um estado de paz e sentem que têm o direito de viver em um estado de paz. 

Mas isso imediatamente levanta uma questão, que, em certo sentido, é a questão fundamental em relação a todo este assunto. Que direito temos nós à paz? Por que desejamos a paz? Quantas vezes, eu me pergunto, se nós enfrentamos essa questão? Não tem sido a nossa tendência tomar por certo que temos o direito a um estado e condição de paz? Será que não paramos para perguntar qual é o real valor e finalidade e função da paz? (...) Não é o suficiente desejarmos paz meramente para que possamos evitar o sofrimento... O negócio, a razão principal do homem na vida é servir e glorificar a Deus. É para isso que ele foi criado. É por isso que o dom da vida foi dado a ele. É por isso que estamos aqui na Terra. Todas as outras coisas são subservientes a isso - todos os dons e os prazeres que Deus nos dá tão livremente (...)

Mas é essa a nossa razão para desejar a paz? Essa é a razão pela qual desejamos a paz na sociedade e nações? É esse o motivo real em nossas orações para e pela paz? Merecemos a paz? Temos justificativas em pedir a Deus para preservar a paz e a conceder a paz? E se a guerra vem, e se sociedade e nações não tem paz, é porque não estavam aptos para a paz, porque não merecem a paz, porque nós pela nossa desobediência, impiedade e pecaminosidade, de maneira completa temos abusado das bênçãos de paz! Temos o direito de esperar em Deus para preservar um estado de paz apenas para permitir que homens e mulheres continuem uma vida que é um insulto ao seu santo Nome? 

- por Martyn Lloyd-Jones (Londres, 1939)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

10 maneiras de se trocar uma fralda suja para a glória de Deus


"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

1. Uma vez que o uso de fralda pressupõe alguma criança, agradeça a Deus por mais esta preciosa vida que foi concebida (Jó 3.10);

2. Caso a fralda esteja muito "carregada" e a criança tenha se sujado toda, veja além do ato de limpeza, se concentrando no bem-estar dela (Mt 7.12);

3. Se a criança for o seu filho, louve ao Senhor pela bênção recebida, pois é melhor uma casa com fraldas sujas, do que uma vazia e sem filhos (Sl 127.4-5);

4. Quando precisar a trocar durante a madrugada, muitas vezes com frio e bastante sono, louve ao Senhor por poder auxiliar o necessitado na hora da dificuldade, tal como Ele faz com os Seus filhos (Sl 40.17);

5. Mães: trocar muitas fraldas, realmente, pode ser cansativo, mas relembre que o foco não é a fralda, e sim o externar o amor por seu filho, ainda que com um singelo gesto; por isso, não seja cruel com seu pequeno (Lm 4.3);

6. Pais: embora seja a mãe quem amamente, geralmente quem prepara a mamadeira e troca as fraldas, não se esqueça de que sua responsabilidade também existe e por isso ajude sua esposa em tudo o que puder, inclusive trocando as fraldas, afinal, o filho também é seu (Mc 10.8);

7. Tenha em mente de que uma fralda suja significa um corpo em bom funcionamento e por isso agradeça a Deus (Sl 139.14);

8. Pode parecer algo "simples", mas o fato de poder trocar uma fralda suja, coopera para o seu bem, nem que seja para lhe dar um pouco mais de paciência (Rm 8.28);

9. Também pode parecer algo "normal", mas o momento de sujar a fralda foi já determinado pelo Senhor (At 17.24);

10. Ore a Deus para que a pequena criança que está diante de você, siga os caminhos do Senhor e use o seu corpo não para a prostituição, e sim para a glória do Eterno (Lv 19.29; Mt 6.22).

terça-feira, 5 de maio de 2015

O cristão e a Ecologia


O presente tema é de bastante importância para os cristãos, uma vez que sendo a Bíblia nossa regra de fé e prática, bem como sendo totalmente útil para nos habilitar às boas obras (2Tm 3.16-17), precisamos compreender o que o Senhor nos ensina sobre a ecologia.

Por ecologia, me refiro à natureza criada pelo Senhor. Sim, tudo aquilo que o Senhor "viu que era bom" e que posteriormente foi manchado pelo pecado. Por ecologia, quero pontuar sobre as coisas que também são fruto da criação de Deus por meio de dons dados aos homens, como a manipulação de espécies e outras coisas mais. Ainda: por ecologia, enfatizo todo o sistema natural que nos cerca, desde as águas até às menores criaturas.

A Bíblia é bem clara em registrar que o homem (gênero) é responsável pela criação de Deus. Vemos isso já no início do relato: "E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15 - grifado). Aqui temos a evidência cabal quanto à necessidade de Adão e Eva cuidarem daquilo que o Senhor havia feito. Este mandato cultural não era somente para eles, evidente, e sim se estendia para todos os seus descendentes.

Não é o propósito desta breve reflexão, mas pontuo sobre que Adão e Eva não andavam ociosos antes do pecado, antes, tinham todo um mundo para cuidar! O primeiro casal precisava plantar, regar, colher, mexer a terra e tudo quanto envolve o cuidado com a natureza, tendo, porém, a certeza de que tudo ainda não era manchado pelo pecado (não haviam "espinhos e cardos" - Gn 3.18). Desta forma, quando lemos que "toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Rm 8.22) e acerca de Cristo ser o novo Adão (1Co 15.22; 45) e, assim, redimir todos os Seus, podemos ter a certeza de que o porvir não nos espera com uma vida de ócio, andando pelas nuvens à toa e sentados em baixo de uma figueira gloriosa, e sim uma vida de trabalho, mas um trabalho magnífico, sem choro, lágrimas, tristezas e tudo quanto o mais inunda esta presente vida. Em resumo, voltaremos à excelência do Éden.

Voltando ao tratado, não devemos pensar que o pecado aboliu tal mandato cultural, pois mesmo após a desobediência e sentença de morte, lemos claramente: "O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado" (Gn 3.23 - grifado). Ou seja, mesmo estando fora do Éden e sujeito às paixões pecaminosas, o homem deveria cuidar da natureza.

Frise-se que "cuidar da natureza" não é sinônimo de se evitar a alimentação carnívora, por exemplo, porque o próprio Senhor destinou os animais para o consumo (Gn 9.3 - sim, devemos ser contra a crueldade com animais, é óbvio, mas não vamos além da Palavra, assim como a Escritura não diz quais animais são ou não apropriados para nós; biblicamente, ainda que contrário à nossa cultura, um gato é um animal comestível); também não significa que devemos pecar pelo excesso de "pureza" e proibirmos avanços que trarão benefícios a todos, como a construção de uma hidrelétrica. "Cuidar da natureza", aqui, tenho por preservar a criação de Deus, de modo que sirva aos interesses atuais e preserve os futuros, criando um sistema sustentável e que louve ao Senhor.

A Bíblia nos dá um motivo claro pelo qual devemos cuidar da natureza: "E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente" (Gn 2.16). A natureza "será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde" (Gn 9.3). Isso quer dizer que quando oramos ao Senhor pelo "pão nosso de cada" (Mt 6.11), estamos rogando a Ele para quem nos sustente e desde já podemos O agradecer, pois tudo o que temos vem, de alguma maneira (direta ou indiretamente) da natureza criada por Ele. A natureza, portanto, tem papel essencial ao homem, pois é dela que retiramos nosso mantimento. Devemos zelar por ela, pois é criada por Deus e o Ele mesmo disse que tudo o que criou é "muito bom".

Temos outro bom exemplo da importância de cuidarmos da natureza: "Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ela para a tomar, não destruirás o seu arvoredo, colocando nele o machado, porque dele comerás; pois que não o cortarás (pois o arvoredo do campo é mantimento para o homem), para empregar no cerco. Mas as árvores que souberes que não são árvores de alimento, destruí-las-ás e cortá-las-ás; e contra a cidade que guerrear contra ti edificarás baluartes, até que esta seja vencida" (Dt. 20.19-20 - grifado). Havia esta lei para o povo de Deus, a fim de que ao sitiarem uma cidade (fazer o cerco, a rodearem no intuito de atacar ou impedir a fuga), não destruíssem tudo o que vissem pela frente, pois a natureza serviria para a alimentação do Seu povo. Veja-se que, igualmente, "as árvores que souberes que não são árvores de alimento, destruí-las-ás e cortá-las-ás", demonstrando que derrubar árvorer, por óbvio, não é pecado - desde que não prejudique o mantimento e outras coisas mais.

Mais uma vez podemos ler sobre como o Senhor arquiteta e organiza a natureza de tal modo que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28): "Também enviarei vespões adiante de ti, que lancem fora os heveus, os cananeus, e os heteus de diante de ti. Não os lançarei fora de diante de ti num só ano, para que a terra não se torne em deserto, e as feras do campo não se multipliquem contra ti". (Êx 23.28-29). Quando o povo do Altíssimo estava conquistando a terra prometida, o Eterno Deus deixou explícito que iria dissipar aos poucos o povo inimigo, caso contrário a terra estaria desabitada por homens e as feras do campo se multiplicariam contra os filhos de Deus (pois não haveria homem para domar e/ou matar tais animais selvagens), demonstrando a necessidade de entendermos que toda a natureza trabalha segundo o bom propósito de Deus e que cabe a nós zelar por ela.

Desta forma, querido leitor, ainda que ligeiramente, penso ter ficado clara a mensagem: a natureza é criação de Deus e precisamos zelar por ela. Não serei atrevido a ponto de elencar tudo o que deveríamos fazer, até porque seria impossível, mas certamente você conhece alguns bons modos que podemos testemunhar do bom proceder cristão, tais como economizar água, reciclar o lixo, não jogar comida fora (não é porque você paga por ela que tem esse direito; seja prudente e pegue somente o necessário) e tantos outros atos "simples", mas que revelam um cuidado pelas coisas do Senhor.

Ninguém pense, porém, que estou exaltando a fauna e flora acima dos seres humanos, como se o cuidado com os "cachorrinhos" (Mt 15.26) fosse mais importante que o zelo pela família. Lembre-se: cuidar da natureza é importante, porque a natureza serve ao homem.

Que Deus nos abençoe e nos leve a um maior cuidado com Sua criação, "para que nos suceda bem, obedecendo à voz do Senhor nosso Deus" (Jr 42.6).

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O que penso sobre a redução da Maioridade Penal?


Em breve síntese, o projeto que visa diminuir a maioridade penal tem por finalidade a punição mais abrangente, englobando não somente os maiores de 18 anos, e sim todos os que completarem 16 anos. Intenta o projeto a maior aplicação de um sistema repressivo àqueles hoje chamados de “adolescentes”, uma vez que cresce exponencialmente a delinquência por parte deste grupo .

Se por um lado aumentar a maioridade penal é algo digno de louvor, uma vez que há defensores ferrenhos, por exemplo, da troca de sexo para pessoas de 16 anos, nada mais crível do que terem responsabilidades à altura de tão grande dever, mister que já são dotados de plena ciência sobre suas vidas. Doutro lado, é sabido que o encarceramento em nada tem melhorado, reabilitado ou produzido qualquer indivíduo melhor após sua saída, fazendo com que, em tese, se enviados forem hoje os “menores” para a prisão, tendem a sair “formados no crime”, o que não é a intenção do projeto (ou é – não é boa coisa confiar no ente estatal).

Assim, temos uma celeuma existencial, pois há a necessidade de se punir, ao mesmo tempo em que não se deve insistir em uma punição que é ineficaz. É preciso lembrar, também, que conquanto a atual forma de punir seja deficiente, não é plausível a crença de que a pena deve deixar de existir, tendo em vista que se estaria premiando a delinquência e incentivando um estado de barbárie institucionalizado.

É preciso, por isso, uma rápida avaliação dos seguintes pontos: se o indivíduo de 16 anos (ou até menos) possui capacidade cognitiva para agir publicamente – tal qual sair para “baladas” e fazer o que tem vontade, inclusive gerando filhos e tendo responsabilidade sobre eles – e por eles responder; se com 16 anos a pessoa deve ser colocada em alguma rede de punibilidade semelhante a de adultos (maiores de 18 anos); se o evitar de punir com maior rigor os maiores de 16 anos iria trazer benefícios à sociedade.

Para a primeira indagação acima, é necessário um retumbante “sim”, pois não se duvida que com as informações a cada dia mais aceleradas, um homem de 16 anos não seja consciência de que bater, furtar ou assassinar a outrem seja interessante ou digno de louvor; aliás, não é preciso informação para informar o indivíduo sobre o Direito Natural, uma vez que em todos é nato. Para a segunda, sim também, entretanto, com a ressalva de que o atual sistema penitenciário é, para poupar palavras, ridículo e totalmente na contramão, uma vez que o encarceramento não resolve coisa alguma – muito melhor seria o trabalho forçado (com as dignidades da pessoa humana respeitada) até solver a dívida, por exemplo. No tocante ao terceiro ponto, entendo que a punição não se trata de fazer a sociedade olhar e temer o mesmo para si ou visualizar uma boa atuação do poder estatal, e sim uma necessidade de se punir a quem for, as quais terão a certeza de que a verdadeira justiça será administrada.

Por falar em justiça, é imperioso o entendimento de que por “justiça” não se pode entender a mera aplicação do Código Penal ou Código de Processo Penal, até porque tais sistemas estão totalmente desvencilhados da realidade fática e não raro, punem muito excelsamente do que o crime correspondente. Justiça não é sinônimo de sistema positivado.

A fim de ilustrar tais injustiças cometidas, citemos a lei bíblica “olho por olho e dente por dente” (Êx 21.24 - ou como ficou conhecida, Lei de Talião). Tal lei, ao contrário do que possa aparentar, visa a justa retribuição ao crime cometido – se fratura, fratura; se furto, indenização; se morte, morte. E por que isso? Porque o ser humano é ávido por punir muito além do razoável, como é o caso de se encarcerar quem furta ou rouba para o próprio mísero sustento, o que muito embora seja socialmente reprovável, não representa tão grave ameaça a ponta de ser privado por completo da liberdade, existindo outras formas de se contornar tal atitude.

Nesta velocidade, se pode entender que caso a maioridade penal seja estabelecida para os 16 anos de idade, teremos mais adolescentes sendo punidos com maior rigor (o que é excelente), pois as medidas sociais impostas pelo ECA, muito embora tenham fundo de boa intenção (ou não), são ínfimas e não retribuem, na maioria das vezes, a injusta perversidade cometida pelo indivíduo – poupar um indivíduo que tira a vida de outrem? Jamais! Entretanto, se não há boa aplicação do atual sistema penitenciário e quase todos concordem que ele é reprovável socialmente e moralmente, tendo claro que sua função de privar a liberdade não satisfaz os verdadeiros baluartes da justa punição, ao se aumentar esta população com pessoas cada vez mais novas, se estaria, em tese, aumentando os guerreiros do crime ou quando menos, prejudicando a geração futura, posteriormente ao devolver à sociedade tais indivíduos marcados com as más administrações.

Desta forma, podemos encaminhar para o fim e dizer que a maioridade penal para 16 anos é plenamente desejável, entretanto, não nos moldes atuais, sendo mais crível a reforma completa de todo o sistema penal e ECA, deixando de existir “ficha limpa” depois de determinada idade, punição igual para os crimes idênticos e diferente aos ímpares cometidos, criando uma sociedade onde não se abranda a pena a “menores” e nem se pune com rigor excessivo casos de menor monta, podendo tais casos serem contornados, como já se disse, por outras vias, tais quais o trabalho para pagar a furto/roubo, indenizações e quando preciso, a morte do infrator, uma vez que retirar a vida de outrem sem justo motivo é se enquadrar na máxima potencialidade da maldade, haja vista que a vida pertence a Deus e Ele mesmo ordenou que tal execução acontecesse.

Concluindo e sendo objetivo: nem maioridade ou menoridade, e sim justa punição a todo aquele que cometer crime, seja quem for ou em que idade tiver, desde que provado o óbvio discernimento sobre que está realizando.

*texto feito por ocasião de um trabalho da faculdade

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Minta ao seu filho para torná-lo bom


Muito do que nos é aconselhado a fazer como pais é para que os nossos filhos se sintam bem consigo mesmos. Este conselho tem raízes no movimento da autoestima, que alegou que o sucesso na vida de uma criança está baseado na possibilidade de sentir-se boa ou não. Embora o movimento da autoestima moderna tenha começado na década de 1950 e 1960, essa não era uma mentira original. Ela tem estado por aí há milhares de anos. É a mesma fraude em que Eva acreditou no início. Hum, ela pensou; esta fruta parece ser boa e me fará bem. Eu acho que nós a comeremos no jantar de hoje à noite. Desde a queda da raça humana, estamos alternadamente nos dizendo que somos bons, que se nos esforçarmos bastante seremos bons o suficiente, ou que ser bom é uma impossibilidade, por isso, devemos simplesmente desistir e nos divertir. Afinal de contas, ninguém é perfeito!

À luz de tudo isso, o que nós, pais, devemos fazer? Se você crê na Bíblia, temos a certeza de que você percebe que nem nós nem nossos filhos são verdadeiramente bons. "Boa menina!", "Bom trabalho!", "Você é uma linda princesa!" - esses são os refrãos incessantes quando os pais procuram criar a sua própria versão de filhos bons e de sucesso. Mas, quando todos os outros pais no grupo passam o dia dizendo à pequena Rebeca o quão boa ela é, como os pais cristãos devem responder? Ao invés de dizer à Rebeca que ela é uma boa menina, poderíamos dizer, "Eu notei que você compartilhou o brinquedo hoje. Sabe o que isso me lembra? Como Cristo compartilhou sua vida conosco. Eu sou muito grato pelo trabalho de Deus em sua vida dessa maneira. Sei que nenhum de nós jamais faria qualquer coisa amável se Deus não estivesse nos ajudando. Estou muito grato".

Caso você esteja se perguntando se a Bíblia dá um exemplo deste tipo de incentivo, aqui está o relato de Lucas a respeito do que aconteceu quando Barnabé viu a graça de Deus trabalhando no povo de Antioquia: "E enviaram Barnabé até Antioquia. Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se o exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor" (At 11:22-23). Barnabé viu a graça de Deus trabalhando na vida das pessoas, por isso exortou-as a permanecerem fiéis. Nós também podemos ver a graça de Deus agindo em nosso filhos e podemos exortá-los a permanecerem fiéis.

Digamos que a Rebeca tenha o hábito de ser egoísta, então, antes de a mamãe levá-la para brincar com o seu coleguinha, elas gastam algum tempo orando juntas. A mãe poderia simplesmente agradecer a Deus por compartilhar tantas coisas boas - tais como amigos, luz do sol, momentos para brincar - com a Rebeca e, em seguida, pedir a Deus para ajudá-la a lembrar-se de sua generosidade quando os outros quiserem o que ela está usando. Então, se a mãe percebe a sua generosidade, ela pode dizer: "Rebeca, você está compartilhando! Não é maravilhoso ver como Deus respondeu a nossa oração? Viu, Rebeca, mesmo que todos nós odiemos compartilhar, Deus é mais poderoso do que o nosso egoísmo. Ele não é bom?"

Por não sabermos se a Rebeca é regenerada, nós não a agradeceremos por obedecer à lei de Deus. Se ela não for salva, ela não tem o Espírito Santo em si e não pode escolher responder a Deus ou o obedecer à sua lei de coração. O único encorajamento que sempre podemos dar aos nossos filhos (e uns aos outros) é que Deus é mais poderoso do que o nosso pecado, e ele é forte o suficiente para nos fazer querer realizar a coisa certa. Nós podemos assegurar-lhes que a ajuda de Deus pode alcançar todos, até mesmo eles. Nosso encorajamento deveria sempre estimular o louvor à graça de Deus em vez de a nossa bondade.

Por outro lado, se persistirmos na busca de construir a autoestima dos nosso filhos elogiando-os, nós os faremos à nossa própria imagem, meninos e meninas que idolatram a bênção, adultos escravizados à opinião dos outros, e pais que passam a mentira para a próxima geração - ainda que ela não tenha funcionado para torná-los bons também. Como nós, nossos filhos anseiam a bênção bem-aventurada: "Você é bom!" Mas a Bíblia diz que, porque não somos bons, essas palavras não se aplicam mais a nós. Nós não somos bons. Veja como a Bíblia descreve a nossa situação: "Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração" (Gn 6:5).

Ansiamos por ouvir: "Você é bom", mas apenas Jesus Cristo e os revestidos de sua bondade merecem ouvir isso. E se realmente abraçarmos essa verdade, a forma de criarmos nossos filhos será transformada de engano desejoso à graça poderosa. Isso fará com que a nossa criação de filhos seja cristã. Nossos filhos não são naturalmente bons, e não deveríamos lhes dizer que eles são. Mas ele são amados e, se eles realmente acreditarem nisso, o amor de Deus os transformará.

- por Elyse Fitzpatrick e Jessica Thompson
- Fonte: Pais Fracos, Deus forte - Criando filhos na graça de Deus, Ed. FIEL, págs. 60-63.
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segunda-feira, 30 de março de 2015

Igreja Cristã Reformada de Blumenau - Aviso de suspensão das atividades


Amados irmãos, pretendo ser breve, porém não leviano. Ao se tratar da Igreja do Senhor, precisamos de seriedade, embora ser prolixo demais não irá ajudar em coisa alguma.

A Igreja Cristã Reformada de Blumenau, neste último domingo (29.03.2015) às 09:30, em reunião com todos os irmãos da igreja, decidiu suspender suas atividades até o fim do ano. Frise-se: suspender; não é acabar a igreja. Os motivos, sucintamente, estão abaixo. Orem por nós - seremos eternamente gratos.

1. Resumo de onde viemos

A Igreja Cristã Reformada de Blumenau (SC) é fruto de alguns anos de caminhada de várias pessoas, tendo seu começo nos anos de 2007/2008. À época se começou com uma igreja voltada ao underground e tribos urbanas (skatistas, punks, metaleiros...) e seguiu neste viés durante uns 3 anos e meio, aproximadamente. Naquela ocasião não havia doutrinada reformada ou qualquer coisa parecida, mas tentávamos fazer o possível para levar o evangelho a todos.

Passado estes 3 anos e meio, eu (Filipe Luiz C. Machado) acabei descobrindo as doutrinas da graça, razão pela qual fui radicalmente transformado em minha eclesiologia (doutrina da igreja), e soteriologia (doutrina sobre a salvação), de modo que não era mais possível continuar com a igreja nos moldes em que vinha seguindo - com shows dentro da igreja e outras diversões mais.

Uma vez não sendo possível continuar com a igreja naquele padrão, optamos por continuar à frente da igreja, todavia, em outro sentido, a saber, mais calvinista e reformado. Começamos, assim, a Igreja Cristã Reformada de Blumenau (ainda sem esse nome), ficando alguns irmãos conosco e outros preferindo outros círculos, vez que não tinham interesse em permanecer - o Senhor conhece cada coração.

Aqui, deixo registrado que estou omitindo o nome dos que nos ajudaram em toda essa caminhada na igreja underground (seja como membros ou na liderança comigo) por um simples motivo: talvez não gostem até hoje do desfecho da história e porque não desejo colocar qualquer responsabilidade em outrem; cabe a mim, portanto, tratar das falhas que tive e glorificar ao Senhor por tudo que todos fizeram; as omissões de nomes, então, visam não atrapalhar o breve relato, afinal, teria de se explicar uma série de acontecimentos que não vem ao caso.

2. A Igreja Cristã Reformada de Blumenau

Continuado o trabalho, agora com ênfase reformada, vários outros irmãos nos deixaram durante a caminhada, vindo o grupo que já era pequeno (não mais que 20 pessoas), a ser reduzido para algo em torno de 10 pessoas.

Com a doutrina reformada em mente, era preciso reformar mente, coração e a forma de se ver a igreja, o que todos lutaram para implementar em suas vidas. Tivemos bons frutos disto, ainda que estes sejam variados em sua quantidade e qualidade - mas eles existiram, graças a Deus. Embora várias pessoas tenham deixado a comunhão conosco, outros foram acrescentados para a glória de Deus. 

Ocorre que estando à frente da Igreja Cristã Reformada de Blumenau, já vinha pesando os anos anteriores à frente da "antiga igreja" (em tempos com ajuda de outros irmãos, noutros momentos sozinho) e a situação começava a ficar difícil, uma vez que não estava conseguindo dar conta do recado (luta contra os pecados, escrever estudos, leitura de livros teológicos, pregação toda semana, quando era possível, aconselhar irmãos - fora o trabalho online e as mais diversas pessoas que me procuravam [e ainda procuram]; infelizmente nunca foi possível viver integralmente do ministério).

Mais ou menos no começo de 2014, então, entrei em contato com os homens da igreja e pedi para que alguém, caso fosse chamado pelo Senhor, me auxiliasse à frente da igreja, pois precisava de auxílio. Por diversas questões de cada um deles, tal liderança acabou não logrando êxito, mas continuei à frente - achei que daria para continuar sozinho.

Aqui, faço boa menção aos irmãos das Igrejas Puritanas Reformadas no Brasil, os quais nos foram muito úteis em toda essa caminhada como igreja reformada, mesmo estando longe - não foi o auxílio perfeito (como nunca o é, mas fizeram de bom coração todo o possível; louvado seja o Senhor por vocês todos).

Voltando, fato é que em nossa congregação, somada a esta minha dificuldade em estar sozinho (novamente: luta contra os pecados e o que escrevi acima) e outras questões que alguns irmãos estavam enfrentando na vida pessoal, estava fazendo com que nossa congregação perdesse o fôlego que outrora tivera (quem lembra, vai recordar que paramos de fazer o Jornal Reforma Hoje, não demos continuidade à 1ª Conferência Reforma Hoje, o Confraria Reformada foi interrompido, meus escritos no blog diminuíram, cessei com as exposições em Efésios...).

Sim, o que aconteceu é semelhante à analogia de um carro que andava bem, mas que pelas mais diversas dificuldades (minhas e dos irmãos - ou seja, de todos) entrou em alguns buracos e acabou sendo danificado, e agora precisa parar e ser colocado na oficina. Não seria prudente continuar "empurrando com a barriga", pois não estamos lidando com alguma comida caseira, e sim com o Reino de Deus.

3. Da suspensão das atividades

Reunidos os irmãos neste último domingo, oramos e tivemos por bem suspendermos as atividades até o fim do ano, a fim de que o Senhor confirme em meu coração se devo continuar à frente da congregação, bem como se os irmãos querem continuar na igreja e passarem a se envolver mais, bem como testificarem de algumas vitórias contra alguns pecados mais específicos que lhes impedem de maior envolvimento no corpo do Senhor.

Importa notar que a "suspensão" das atividades, ao contrário do que pode parecer, é mais benéfica para nós do que o continuar da forma como estava. Sim, graças a Deus as pregações e diversos estudos em nosso canal do YouTube foram e ainda são bênçãos para muitas pessoas, mas como diz a Escritura, "Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (1Co 9.27 - grifado). Eu estava sendo reprovado e meus irmãos também - e como não há ninguém para assumir temporariamente, resta orarmos ao Senhor para que nos mostre uma direção.

Registre-se, outrossim, que durante todo o processo em que os irmãos que ficaram conosco, sempre foram questionados acerca se gostariam de ter a liderança à frente, de maneira que ninguém estava "à força" na pregação e demais ministérios.

Até o fim do ano, desta forma, nós vamos continuar nos reunindo esporadicamente como irmãos em Cristo, buscando melhorar os laços de amizade e cada um orará ao Senhor para onde deve ir - se começar a frequentar outra igreja ou o que fazer. Todos, porém, estão cientes de que até lá devem congregar em algum lugar, conforme comanda a Escritura (Hb 10.25).

4. O que irá continuar

Tão logo seja possível, retornarei com os estudos na Confissão de Fé de Westminster e com a tradicional transmissão online; também pretendo retomar as conversas no Confraria Reformada; entre os irmãos o desejo também é de voltarmos à editar e distribuir o Jornal Reforma Hoje.

Todavia, prefiremos não dar datas, para não gerar qualquer expectativa que possa a vir ser frustrada.

5. Pedido de oração

Orem por nossa igreja. Orem por mim, por minha esposa e nosso filho. Orem pelos irmãos que estiveram conosco (e suas famílias) e cada qual lutando com seus pecados e precisando os vencer para poder ajudar ativamente no Reino do Senhor. Orem para que sejamos quebrantados e o Senhor nos mostre o caminho a ser tomado. Orem para que este tempo de reflexão sirva para o crescimento de todos, a fim de que aprendamos com a boa disciplina do Eterno Pai, o qual corrige ao filho que ama (Hb 12.6).

Seja qual for a vontade do Senhor para o desfecho, queremos voltar fortalecidos e animados para continuar Sua obra.

Que o Senhor seja com todos os que amam a Cristo em sinceridade (Ef 6.24).

Em Cristo e para a progressão de Seu Reino,
Filipe Luiz C. Machado (quem escreveu) e todos os irmãos da Igreja Cristã Reformada de Blumenau.

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