"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

quarta-feira, 4 de março de 2015

O Jardineiro Celestial


A sabedoria do jardineiro é vista no cultivo de suas plantas; algumas ele coloca no sol, outras na sombra; algumas num solo rico e fértil, outras num terreno árido e estéril; e assim, a habilidade do jardineiro é evidente, pois cada uma floresce melhor em seu próprio solo. Então, visto que a Sabedoria Infinita designou uma grande parte da minha vida à tristeza e solidão (não que eu me queixe) – percebo que não poderia crescer melhor em outro solo.

Atrás do alto muro da adversidade, e na sombra da aflição, os santos produzirão frutos de humildade, abnegação, resignação e paciência. Essas graças não podem crescer tão bem nos raios solares da prosperidade.

Ora, se outro solo fosse mais apropriado para o meu crescimento espiritual, o Jardineiro Celestial já teria me transplantado para lá.

Isso não importa, conquanto eu cresça na sombra; sim, se o Sol da justiça brilhar em minha alma, e fizer cada graça florescer. Ele sabe mais do que eu mesmo qual é a melhor porção para mim. Ao escolhê-la, deveria antes admirar Sua sabedoria, do que reclamar de Sua conduta; e assim o faço, quando considero que num solo estéril, e numa sombra solitária, Ele pode cultivar plantas que se aquecerão nos raios eternos de glória!

- Converse with the Unseen World, James Meikle (recebido via email de Fabrício de Souza Zamboni)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Por que seu casamento virou uma prisão?


Tempos atrás alguém me disse que seu casamento era uma prisão. Como a cultura tem formatado a visão daqueles que dizem ser cristãos em nossos dias. A Bíblia diz: "Alegra-te com a mulher da tua mocidade." - Provérbios 5:18

Como isso é diferente do que nossa cultura ensina a cada dia. A Bíblia não diz: “Alegre-se na sua jovem esposa” – Apesar disso ser verdade também. Mas o que é enfatizado é “alegra-te com a mulher da tua mocidade” – Sim, aquela garota com quem você se casou quando ambos eram jovens. Já passou algum tempo deste então. Talvez tenha passado muito tempo. Mas NADA importante de fato mudou. Ela ainda é aquela garota que se deu a você diante de Deus no dia do seu casamento. Ela colocou-se nos seus braços. Da maneira mais profunda ela fez isso, vulnerável e confiante. Lembre-se disso todos os dias e maravilhe-se com isso. Deus planejou isso. Deus planejou assim o casamento.

Lembre-se daqueles dias, como costumavam rir e se divertir... é tua responsabilidade ter isso de novo e de novo... agora e sempre: "Alegra-te com a mulher da tua mocidade." – Sim, muitas coisas na vida mudam, e certamente mudaram. Vocês viram juntos uma quantidade de problemas e tristezas que jamais sonharam que veriam e sentiriam. Mas você ainda tem aquela garota... e ela conta mais do que todos os problemas do mundo e tristezas que possam ser vividas. Olhe para ela... anos e anos passaram... mas apesar da vida, muito não mudou. Pense sobre a fidelidade a você ao longo dos anos, apesar, você tem que reconhecer, das tuas falhas, fraquezas, defeitos... e tudo isso foi graça de Deus. Tua vida com ela é a expressão da misericórdia de Deus sobre você de muitas e variadas maneiras. Deixe o teu coração derreter de novo e de novo... e se glorie em Deus pelo plano eterno que é manifestado em teu casamento.

Teu casamento não é uma prisão... teu casamento, apesar do que afirma toda uma cultura a tua volta, que é voltada para o ego, não é uma sentença de morte – O casamento só é uma sentença de morte para o teu egoísmo. Teu casamento é uma fonte de alegria que flui da bondade e misericórdia de Deus. Que maravilha o plano de Deus no casamento, que cada dia mais visa a libertação do inferno do ego para um caminho de alegria que começa agora em nossa vida, e depois continua indefinidamente naquilo que ele representa na união de Cristo com sua igreja. Aqui essa alegria deve ser mais profunda e maior a medida que envelhecemos juntos e compartilhamos essa graça enquanto vivemos – esposa e esposo. A ordem não é só seguir adiante, é se alegrar: "Alegra-te com a mulher da tua mocidade."

- por Josemar Bessa
Fonte: Bereianos

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

10 maneiras de se tirar uma 'selfie' para a glória de Deus


"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

1. Tenha um coração agradecido por poder ter uma câmera para registrar os bons momentos (Ef 5.20);

2. Nem toda foto precisa ser publicada nas redes sociais; aprenda a ser humilde e guarde para registro próprio (Pv 29.23);

3. Se você for homem, não tire fotos efeminadas, pois isso é abominável (1Co 6.10);

4. Se você for mulher, não procure seduzir as pessoas, pois grande é o prejuízo ao Reino de Deus (Pv 30.20);

5. Se estiver indo à igreja e for tentado a tirar uma foto, se lembre de que seu coração é que deve estar pronto e não seus trajes da moda, razão pela qual evite querer chamar a atenção com suas 'selfies' (Sl 51.17);

6. Se for orar, recorde sobre que você não deve desejar o louvor dos homens e, portanto, não tire uma foto durante este tempo (Lc 11.43);

7. Se você for um seminarista, lembre-se de pouco importa se você está ou não estudando, bem como quanto tempo passa lendo; procure se dedicar ao ministério, em vez de buscar o louvor dos homens (At 6.4);

8. Mulheres, por favor: bico é coisa de pato; vocês são humanas e é bastante feio aquela boca torta (Gn 1.27).

9. Homens casados: caso tire uma selfie com sua esposa, procure verificar se o ângulo da foto não está enfatizando certas partes que deveriam ser só suas - quem tem olhos para ler, entenda (Hb 13.4);

10. Não utilize as fotos para suprir sua carência emocional; lembre-se de as verdadeiras amizades não são reveladas com uma "curtida", e sim na assistência no dia da dificuldade (Pv 18.24).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Série Homeschooling - parte 3 (Como praticar?)

 - parte 2 (O que é?)       
                       - parte 4 (A situação jurídica no Brasil)

Tendo compreendido as nuances anteriores, vamos às explicações sobre como praticar o ensino doméstico, sempre lembrando que eles não estão em ordem de importância.

Em primeiro lugar, certifique-se que entendeu o que é o homeschooling. Não adianta querer praticar sem entendimento ou começar para "tentar". Você precisa ter entendido quais são os bônus e ônus do ensino domiciliar, a fim de que possa traçar um alvo. Procure comprar livros, assinar blogs e acompanhar notícias de pessoas que ensinam seus filhos em casa, de maneira a se familiarizar com o assunto, buscando, ao máximo, entender e estar pronto para quando chegar o momento. Por favor, não inicie sem antes entender, porque não é sua vida que está em jogo, e sim a de seu filho.

Em segundo lugar, tenha a certeza de ter entendido quais atividades são mais apropriadas para o seu filho. Se seu filho possui dois anos, significa que ele não possui quatro ou seis, ok? Por mais óbvio que seja, pode surgir uma tendência de os pais desejarem "pular etapas" no aprendizado infantil. Talvez os pais creiam que o filho tem um potencial gigantesco e com isso se esqueçam de lançar boas bases, partindo diretamente para algo mais elevado. Por isso, procure entender quais atividades estão de acordo com a capacidade de seu filho - evidente que você não deve se prender à idade, mas se acautele, no intento de buscar o melhor para ele.

Em terceiro lugar, torne o ambiente domiciliar algo agradável. Crianças que estudam "fora" e frequentam o ensino formal, muitas vezes veem a escola como um "escape", um local onde podem encontrar os amigos e se divertir, e por isso, você deve fazer este local a sua própria casa. Se seu filho encarar o ambiente familiar como hostil, onde a mãe é um "carrasco" que só ensina e não brinca ou o pai chega cansado e não quer brincar, duvido que possa haver algum progresso real e que tal projeto se sustente por muito tempo. Todavia, se sua casa for um local onde seu filho deseja estar (e não só em casa, mas porque ali, possivelmente, estará na maior parte do tempo), meio caminho já será percorrido.

Em quarto lugar, faça uma planilha de estudos e/ou mantenha uma grade curricular. Salvo se você for um pai excepcional, precisará de uma planilha para acompanhar o bom progresso e planejar o que ainda virá. Ensinar em casa não é simplesmente ir à livraria, pedir livros para crianças da idade de seu filho e ir ensinando conforme orienta a cartilha. Muitas vezes os livros são defasados ou mesmo contra a boa moral e costumes, de modo que você precisa verificar o que será ensinado, em qual intensidade, com que frequência e até quando. Lembre-se: você não é apenas o genitor da criança, e sim o diretor da "escola".

Em quinto lugar, peça ajuda a pessoas mais bem qualificadas e seja humilde. Um grande problema que todo pai passa, quando inicia no ensino domiciliar, é se vangloriar de alguma forma e isso é um terrível mal. Procure se cercar de pessoas qualificadas e seja dócil para aprender. Não queira desprezar qualquer indivíduo que se diz pedagogo, somente porque você pensa que sabe muito mais do que ele. Troque experiências com pessoas que já praticam o ensino doméstico e aceite as críticas, caso elas venham; aceite, inclusive, ser censurado por seus familiares, caso eles façam alguma observação verdadeira. Talvez você queira conhecer este grupo na internet.

Em sexto lugar, busque compreender a forma como seu filho aprende. A pedagogia nos ensina que cada indivíduo aprende de uma forma diferente - ouvindo, lendo, tocando, etc. Quanto maior o número de estímulos, mais versada será a criança, certo? Bem, nem sempre. Para ilustrar, fiquei sabendo de um caso onde uma universitária simplesmente não conseguia responder perguntas negativas (por exemplo: "descreva quais elementos não fazem parte do diagrama"), entretanto, quando a professora alterava a pergunta ("descreva quais elementos estão fora do diagrama), tudo se resolvia e ela respondia sem problemas - o mesmo acontece com outras pessoas. Quem sabe seu filho aprenda muito mais quando você lê para ele; talvez ele goste de ler e recitar em voz alta; possivelmente goste de anotar tudo o que aprende; talvez conversar sobre o assunto lhe ajude a gravar mais as coisas. Independente da forma, o importante é você buscar a entender e focar nela, a fim de que o aprendizado seja mais efetivo.

Em sétimo lugar, entenda que livros não são tudo nesta vida. Livros que trazem conhecimento (diversão também é conhecimento, ok?) são importantes, mas nós não estamos mais na era (somente) do papel e caneta. Você pode ter matérias "divertidas" para seu filho, como jogar videogame, montar quebra-cabeças, passear no parque, fazer uma casa na árvore e coisas semelhantes. Cada atividade diferente é uma oportunidade de ensinar algo, como captando as missões de um jogo e demonstrando como pode ser usado na vida real; até mesmo um filme pode ensinar sobre situações que os adultos passam na vida cotidiana; a própria musicalidade e sua arte (não só a parte tocada) escrita com tempos, compassos e divisões, certamente pode ser um ótimo aliado ao aprendizado mais amplo.

Em oitavo lugar, regras são necessárias, mas não exagere. Se o objetivo é que seu filho tenha uma educação específica para sua individualidade, não surtirá efeito o cercar de meras regras criadas em manuais ou se pautar por exemplos de outras pessoas. Tudo bem seu filho ter hora para acordar e deitar, mas se a escola é em casa e ele vem fazendo bom progresso no ensino, por que o "aterrorizar" com uma inflexibilidade exagerada? Recentemente esta notícia me chegou ao conhecimento e demonstra o quão excelente pode ser um aluno, ao mesmo tempo em que se diverte tão pouco e se sente tão frustrado. Procure, portanto, ser moderado.

Em nono lugar, não confunda ensino domiciliar com autodidata. Ensinar de maneira livre não é sinônimo de deixar seu filho aprender "sozinho". Assim como o ensino domiciliar pode ser excelente nas mãos de bons pais, poderá se tornar em tragédia na mão de maus tutores. O papel do pai é guiar, facilitar e favorecer o aprendizado. Jamais deixe seu filho buscando qualquer conhecimento e estudando o que bem entender. É evidente que se ele tem maior afeições por química do que por história, você poderá focar os estudos nesta área, mas mantenha firme o empenho na boa direção em que seu filho deve andar.

Em décimo lugar, leve seus filhos para socializar e conhecer outras pessoas. Por maior que seja sua família e bem enturmada, é importante que seus filhos conheçam pessoas "diferentes" (inclusive isso lhe ajudará nas questões jurídicas). Leve seu filho ao parque o deixe conhecer outras crianças; sendo possível o matricule em alguma escola de artes ou coisa semelhante. Mostre ao seu filho que o fato de ele estudar em casa não o priva da sociedade, pelo contrário, o capacita para melhor interagir. Muitas vezes os pais possuem receio de sair de casa, com medo de que serão "perseguidos" por não enviarem seus filhos à escola tradicional, mas quando bem conversado e explicado, a receptividade pode ser boa.

Em décima primeiro lugar, cuidado ao falar sobre o homeschooling. Serei breve: é preciso tomar alguns cuidados. Tenha o cuidado com quem você fala sobre isso, pois inúmeras pessoas simplesmente não entendem a sua proposta e prontamente lhe "ameaçarão", dizendo que contarão tudo para o "juiz" e que sua vida estará "ferrada". Sei que é triste, mas é a realidade. Quando for falar, busque enfatizar os lados positivos do ensino domiciliar, em vez de ficar, somente, criticando a escola formal. Portanto, fale e compartilhe sobre o que você faz (até porque não poderá "esconder" para sempre), entretanto, com prudência e sabedoria, a fim de não criar problemas sem motivo.

Estas foram onze coisas que podem lhe ajudar a praticar o ensino doméstico. Na última parte, veremos quais são as implicações jurídicas deste tipo de ensino.

*agradeço a todos que leram previamente este texto e contribuíram com ele.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Quando você é tentado a irritar-se com a fraqueza dos outros


“Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.” (1 Tessalonicenses 5.14)

Deus salva todo tipo de gente, coloca essas pessoas juntas em sua igreja e diz “agora amem um ao outro”. A família de Deus inclui aqueles que já andaram com Deus por anos e aqueles que ainda estão esfregando os olhos, maravilhados por terem sido salvos por Deus duas semanas atrás. Deus une os fracos e os fortes, e nos diz para vivermos juntos de uma forma que irá glorificá-lo.

Às vezes precisamos admoestar os outros

Aparentemente havia alguns em Tessalônica que não estavam trabalhando. Talvez eles tivessem se demitido acreditando que o retorno de Jesus era iminente. Talvez eles fossem só preguiçosos. Paulo manda admoestá-los, avisá-los, exortá-los a trabalhar e prover para suas famílias, e serem diligentes.

No entanto, Paulo também manda ser paciente com eles. É fácil ficar chateado com alguém que é preguiçoso. Quando você levanta cedo, aguenta o tráfego na hora do rush, moureja no seu trabalho, aguenta um chefe exigente, e chega em casa pra descobrir que seu irmão dorme até o meio dia e quer pegar dinheiro emprestado com você. É fácil ficar irritado. Fale com ele. Admoeste-o. Mas seja paciente com ele.

Perceba que, dos três tipos de pessoas que Paulo menciona, dois terços são “desanimados” e “fracos”. Aparentemente, mais crentes tessalonicenses eram tentados ao desânimo do que à ociosidade. Esse tem sido o caso em minha experiência pastoral ao longo dos anos.

Paulo diz para “consolar os desanimados” – os desencorajados, débeis e tímidos. Eles querem desistir, estão com medo, é difícil para eles ter fé. Você gasta algumas horas encorajando-os, eles saem confiantes e crendo no Senhor, mas no dia seguinte eles voltam tão desanimados e incrédulos como sempre foram. Seja paciente com eles.

É fácil ficar frustrado com os desanimados, especialmente se você não tem as mesmas dificuldades que eles. Deus deu a alguns de nós um dom de fé, ou nós crescemos na fé ao longo dos anos, então somos capazes de confiar em Deus quando ele nos leva pela enchente ou pelo fogo. Outros não têm este tipo de fé. Eles são constitucional e continuamente “desanimados”. Eles não parecem acreditar nas promessas de Deus. Eles querem e tentam acreditar, até creem por um tempo. E então afundam de novo. Não despreze-os. Lide com suas quedas. Seja paciente com eles.

Outros crentes são “fracos”. Eles não têm muita força espiritual. Eles falham repetidamente e parecem não conseguir vencer o pecado. Seja paciente com eles.

É fácil para aqueles que são fortes julgar os outros a partir de sua própria força.

Meu pai era uma ótima pessoa, mas não conseguia entender por quê as pessoas tinham tanta dificuldade em parar de fumar. “Eu fumei por vinte anos, então um dia eu simplesmente decidi desistir e pronto. Nunca fumei outro cigarro depois disso. Você só decide parar e para”. Não foi tão fácil pra mim. Eu havia usado tabaco por uns poucos anos e parei quando me tornei um jovem crente. Foi tão difícil pra mim. Eu falhei repetidamente e demorei um bom tempo até finalmente parar.

Pode ser pecado sexual ou bulimia ou raiva, mas muitos de nós somos fracos em alguma área. Aqueles que nunca lutaram contra um pecado específico podem ser tentados a desprezar aqueles que lutam. É fácil ficar impaciente com alguém se você nunca passou por isso. Em vez de dizer pra alguém pra se animar, superar, simplesmente parar ou simplesmente fazer, Paulo diz “ampare os fracos”. Ajude-os em oração. Ajude-os com encorajamento ou gentilmente se oferecendo para que prestem contas. E seja paciente com eles quando eles falharem. Jesus vai ajudá-los e eles vão crescer. Talvez cresçam devagar, mas vão crescer.

Deus tem sido incrivelmente paciente e longânimo comigo. Como eu posso ser impaciente e não ser longânimo com outros? Jesus aguentou as minhas falhas, descrença, preguiça e diversas fraquezas por anos, ainda assim ele nunca desistiu de mim. Como eu posso não fazer o mesmo por outros?

- por Mark Altrogge
Fonte: Reforma21

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Série Homeschooling - parte 2 (O que é?)



 - parte 2 (O que é?)       
                       - parte 4 (A situação jurídica no Brasil)

Dando seguimento, listemos algumas coisas sobre o que vem a ser, efetivamente, o homeschooling.

Em primeiro lugar, significa usar todo o dia e todas as coisas para ensinar. A expressão "escola em casa", para fins práticos, significa o mesmo que ensinar em tempo integral. Quer dizer, esteja você limpando a casa ou cozinhando, pode e dentro do possível, deve, ensinar seus filhos sobre as coisas envolvidas. Por exemplo, ao encher um copo de água, ensine sobre a lei da física que diz não ser possível dois corpos ocuparem o mesmo espaço; se cortar uma fruta e ela tiver sementes, mostre o que é isso e qual a utilidade delas. Certamente você poderá ensinar muito mais do que apenas guiar as páginas e exercícios a serem feitos.

Em segundo lugarsignifica sair e mostrar o mundo, ensinar no cotidiano da vida. Se quando a criança vai à escola formal ela recebe ensinamentos sobre o que é "turismo", apenas para ilustrar, no ensino doméstico acontece a mesma coisa, só que de uma forma muito mais interessante. Ao sair com seu filho, seja criativo e ensine sobre o que é "fazer turismo"; qualquer viagem ou mesmo ida ao supermercado pode significar grande aprendizado (número, unidades de medida [gramas, litros...], expressões comuns em línguas estrangeiras [diet, light, no sugar...]). Conforme seu filho cresce a responsabilidade aumenta, ao mesmo tempo em que todas as coisas podem servir para ensinar - até mesmo um outdoor é uma oportunidade de ensinar sobre marketing, não é mesmo?

Em terceiro lugarsignifica ser parte ativa no processo de aprendizagem, e não somente fiscalizar. Em tese, no ensino formal, cabe aos pais a responsabilidade de fiscalizar o que os filhos estão aprendendo, entretanto, uma vez que você é o "professor", sua função não é somente verificar o quanto seu filho tem aprendido, e sim se envolver ativamente em todas as áreas. Não será o bastante a correção das tarefas no fim do dia, se você o deixou sozinho a tarde toda e não lhe ensinou ou guiou os primeiros passos. Não é porque você será um facilitador, conforme já dissemos, que isso lhe dê o direito de meramente verificar o progresso, pois muitas vezes ele pode não vir, caso você não esteja sendo participante intenso e eficaz.

Em quarto lugarsignifica que ambos os pais precisam estar envolvidos. É um erro o imaginar que somente à mãe cabe o ensino. Muito embora, geralmente, seja ela quem está em casa durante o dia e por isso ensine durante um tempo maior, o pai, mesmo após um cansado dia de trabalho, precisa se envolver, mesmo que um pouco. É preciso que seu filho entenda que os pais estão interessados em sua aprendizagem. Se ambos estão envolvidos, a criança não enxergará a mãe como "professora" e o pai como "brincalhão", e sim ambos em igual estima.

Em quinto lugarsignifica aprender que a responsabilidade pela criação é sua. Com a criança na escola formal é muito fácil colocar culpa na instituição, nas más companhias, na má grade curricular e em qualquer outra coisa quando seus filhos não estão aprendendo ou estão sendo rebeldes. Ao ensinar em casa, porém, cabe aos pais e tão somente a eles, a responsabilidade. Se seu filho está desobedecendo, entenda que a responsabilidade é sua - ainda que a culpa não seja sua, mas o dever de controlar a situação o é.  Esteja ciente de que o futuro de sua prole está em suas mãos. E por favor, não pratique o ensino doméstico se você foge das responsabilidades.

Em sexto lugarsignifica que alguém terá de ficar em casa com a criança ou precisará a levar para algum local semelhante. É preciso ter em mente que nem todos podem fazer isso. Muitos pais gostariam de poder ficar o dia inteiro com seus filhos, mas nem todos possuem condição financeira para tanto; porém, não é preciso ser "rico" para praticar, bastando que os pais reajustem os gastos e, por vezes, passem a viver mais modestamente. Assim, para ensinar domesticamente, seja na própria casa ou levando para cursos específicos (ou até mesmo casa de amigos, onde mais crianças se reúnem), é preciso que você se prepare para esta mobilidade. Certamente que o ensino em casa não se traduz em deixar o filho com a babá, lhe passar tarefas e só voltar no fim da tarde. É preciso disposição por parte de quem trabalhará "fora" e uma boa dose de planejamento, a fim de que mesmo com poucos recursos, o filho possa ter o máximo possível de ferramentas para compreender e entender o necessário.

Em sétimo lugarsignifica aprender o que é paciência e perseverança. Muitas vezes as expectativas são sufocadas pela tristeza e aparente falta de bons resultados. Os pais se esforçam para ensinar os filhos, entretanto, acabam vendo pouco ou nenhum progresso em curto/médio prazo. É imperioso, assim, entender a alta probabilidade de seu filho não gostar de estudar e/ou demorar muito para aprender certas coisas; não é porque o filho do amigo sabe o alfabeto inteiro que o seu também saberá. A vantagem de ensinar em casa é que seu filho será medido conforme a sua capacidade, acabando por não gerar frustrações ou concorrência desnecessária. E ainda que os esforços pareçam não dar resultados, persevere e não desista - talvez o filho seja a maneira pela qual você aprenderá isso.

Em oitavo lugarsignifica lutar por estabelecer um laço de amizade sem igual com o filho. Uma professora "chata" não agrada os alunos e pais igualmente inflexíveis ou pouco amorosos, também provocarão a raiva nos filhos. Se os filhos já possuem seus momentos de rebeldia, quando frequentam o ensino tradicional, quanto mais estando sempre na companha dos pais. Se não houver um estreito laço amoroso e fraterno na família, absolutamente tudo se tornará mais difícil e pesaroso, afinal, que pais gostariam de ensinar um rebelde ou que filhos desejariam ter pais/professores sem compaixão?

Em nono lugarsignifica que você precisará estabelecer limites entre a verdade e o erro. Jamais pense que seu filho é livre para criar a visão do mundo que bem entender, pois esta é a receita para uma vida conturbada e misturada às devassidões. É verdade que você não poderá delimitar todas as coisas que seu filho assiste na televisão (caso você opte por ter uma), na internet e com os amigos, no entanto, você precisa ensinar a ele que existem verdades inegociáveis. Se sua família possui valores essenciais, não deixe que seu filho se sinta livre para os quebrar.

Em décimo lugarsignifica que certos assuntos "cabulosos" precisam ser ensinados. Este interessante vídeo ilustra como os pais ficam envergonhados ao falar com os filhos sobre como os bebês são gerados. Palavras normais para adultos são temerosamente transmitidas aos filhos - e muitos deles ficam um tanto quanto surpresos (risos). Desta forma, não somente cabe aos pais ter o dever (veja como um privilégio!) de ensinar sobre sexo, e sim sobre os mais variados assuntos. Não deixe que o mundo doutrine seus filhos, sendo que você pode os guiar, tirar suas dúvidas e lhes ser a melhor companhia!

Em décimo primeiro lugarsignifica que você precisará disciplinar seu filho quando ele desobedecer. Crianças são teimosas e nem sempre um mero "falar mais sério" resolve os problemas. Como indivíduos em formação, seu filho precisa aprender que é recompensado quando faz o correto e punido quando transgride as ordens. Ensinar em casa, portanto, implica em estar preparado para ver o seu filho "sofrer" momentaneamente, seja com uma pequena disciplina e/ou sendo privado de algo que tanto gosta. Convém estabelecer, também, que a disciplina, primeiramente, é fundada no amor. Pais que castigam seus filhos a todo o momento e por qualquer coisa, mesmo quando eles nunca foram ensinados sobre aquilo (mas os pais acham que eles já deveriam saber), tendem a fazer mais mal do que bem. O objetivo do ensino em casa é fazer com que os filhos sejam obedientes por amor, e não que sejam disciplinados por toda e qualquer coisa que contrarie o mundo dos adultos (por exemplo, por que bater na primeira vez em que seu filho pular no sofá? Não seria melhor lhe ensinar primeiro sobre que ali não é o local adequado?) E lembre-se de que é melhor o fazer chorar agora do que chorar de desgosto por ter um filho obstinado e de dura cerviz.

Em décimo segundo lugarsignifica que deve haver um bom casamento. Querido leitor, preste atenção nisso: seu filho é uma das coisas mais importantes para você, mas ele deve vir depois do amor que você nutre por seu cônjuge. Todo esforço para ensinar, possivelmente será inútil, caso os pais briguem constantemente e não demonstrem ao filho um amor genuíno entre si. Ainda que ao filho seja dito que ele deve respeitar as pessoas, pedir "por favor" e dizer "obrigado", se dentro de casa ele enxergar um comportamento destoante do que lhe dizem para fazer, as chances de imitar o mau exemplo serão maiores. Um casal unido é um requisito essencial para um ensino domiciliar saudável.

Eis doze coisas sobre o que é o homeschooling. Em seguida anotaremos algumas dicas e sugestões sobre como praticar.

*agradeço a todos que leram previamente este texto e contribuíram com ele.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

25 razões pelas quais eu tenho certeza que meu marido me ama


Estamos casados há mais de 50 anos e eu não trocaria meu marido por nada neste mundo. Quer saber por quê? Vou dizer em linguagem clara e simples. Para todos vocês que estão lendo, aqui está o que é preciso para ter uma esposa feliz e um casamento feliz.

25 coisas que meu marido faz

1. Ele me diz que me ama todos os dias, isso mesmo, todos os dias. Às vezes, várias vezes ao dia.

2. Ele me diz que meus abraços dão-lhe conforto e energia, tudo ao mesmo tempo. Ele diz: "Eu preciso de um abraço", e eu respondo: "Eu também." Nós gostamos de abraços.

3. Ele é um cavalheiro e me trata como uma dama - abre as portas para mim, me ajuda com o meu casaco, pega a minha mão quando atravessamos uma rua, cobre-me com o guarda-chuva quando chove. Coisas assim.

4. Ele sai comigo semanalmente. Ele tem feito isso por tanto tempo quanto posso me lembrar. Ele sabe o quanto é importante para nós termos um tempo juntos sem as crianças.

5. Ele está disposto a me levar para assistir a um filme tipo romance água com açúcar, e ainda age como se gostasse. Eu o recompenso assistindo com ele um filme de aventura da próxima vez.

6. Ele faz minha comida favorita quando estou me sentindo para baixo. Ele sabe o que eu realmente gosto - e isso é um remédio para mim, mesmo que ele não compartilhe meu gosto alimentar.

7. Ele ora por mim e comigo. Sou importante o suficiente para que ele fale com Deus sobre mim e minhas necessidades.

8. Ele trabalha duro para proporcionar uma vida para nós. Eu sempre me senti segura com sua determinação de fazer isso. Não significa que não tivemos nossos momentos difíceis, nós ainda temos. Mas ele continua a se ocupar em manter um teto sobre nossas cabeças, pelo qual eu sou muito grata.

9. Ele queria que eu fosse mãe de tempo integral para as crianças. Ele sabia como isso era importante para os nossos filhos e quanto eles significam para mim. Sou muito feliz que ele tenha fornecido essa oportunidade para mim.

10. Ele me encoraja a desenvolver meus talentos. Quando eu quis ter aulas de pintura a óleo, ele fez isso acontecer. Quando eu queria ser compositora, ele aplaudiu os meus esforços, ainda me elogiava para os outros.

11. Ele me diz que eu sou linda, mesmo durante os momentos em que eu não me sinto nem um pouco atraente. Você sabe, antes da maquiagem ou mesmo de pentear os cabelos. Isso me surpreende e me faz intimamente feliz. Ele me dá vontade de fazer tudo o que puder para parecer bela para ele e para mim mesma.

12. Ele gosta de me comprar roupas novas. Aprecio o fato de ele estar disposto a sentar-se fora dos provadores esperando que eu avalie e escolha a minha possível compra e ainda esteja disposto a ir até os mostruários e encontrar um melhor tamanho ou cor. Eu sei que é raro um homem fazer isso, então eu realmente aprecio sua atitude.

13. Ele me quer ao seu lado. Às vezes ele diz: "Quer ir à loja de ferragens comigo?" E eu vou, a maioria das vezes, porque gosto de estar com ele, mesmo que eu não me sinta nem um pouco atraída por loja de ferragens. Mas, fico feliz que ele gosta de estar comigo.

14. Ele me leva para a igreja. Se, por alguma razão, eu não posso ir, ele vai de qualquer maneira, porque ele acha que é importante. Eu amo a sua dedicação a Deus. Isso me conforta.

15. Ele me ajuda a arrumar a cama. Se eu me levantar antes dele, o que muitas vezes eu faço, ele arruma a cama sozinho. Isso mesmo, ele gosta de um quarto arrumado e limpo tanto quanto eu.

16. Ele se preocupa com os outros. Então, muitas vezes eu o vejo ajudando um vizinho, ou oferecendo-se para visitar alguém que está doente. Sua compaixão toca e preenche meu coração.

17. Ele ama nossos filhos e se preocupa com suas tristezas e mágoas. Ele não é tão emocional como eu, mas o seu amor é profundo e real. Seu coração está com eles. Ele os ajuda sempre.

18. Ele adora os nossos netos. Alegra-me porque fica ainda mais divertido mimá-los. E ele é bom em atiçá-los e ser brincalhão com eles. Eles adoram, e eu também.

19. Ele não questiona meus gastos. Ele sempre confiou em mim com relação às nossas finanças. Como resultado, eu faço o possível para ser sábia com o que temos.

20. Ele sempre foi fiel a mim. Por toda a nossa vida de casados eu sabia que ele nunca iria me trair, mesmo quando ele ficava fora a serviço como um piloto da Força Aérea. Como é que eu sei? Pela maneira como ele demonstra que considera sagrados nossos votos de casamento. Ele nunca vacilou na confiança, nem eu.

21. Ele cuida de si mesmo, se veste bem e cheira bem. Ele não é de usar perfumes porque sou alérgica. Ele só cheira bem naturalmente, porque ele é limpo. Claro, ele não tem medo de ficar suado e sujo com um pouco de trabalho no quintal. Eu meio que gosto desse cheiro também.

22. O que me faz lembrar que eu adoro o fato dele estar sempre disposto a fazer o trabalho no quintal, mesmo isso não estando no topo da sua lista de atividades favoritas. Ele faz isso para mim, porque eu gosto de um quintal bonito. Ele está disposto a trabalhar comigo para isso.

23. Ele come a minha comida sem reclamar. Eu nunca fui uma grande cozinheira. Alguns dias, só cozinho o essencial para não morrermos de fome. Ele foi sempre paciente e bondoso enquanto eu aprendia truques culinários. Ao menos alguns deles.

24. Ele cuida de mim quando estou doente. Depois de uma cirurgia difícil quando eu não conseguia segurar as lágrimas de dor, ele me abraçou e vi lágrimas em seus olhos. Ansiava por me fazer sentir melhor. Seu carinho ajudou muito.

25. Ele encontra suas tirinhas favoritas no jornal diário e as compartilha comigo. Ele ri, e isso me faz rir também.

Ele não é perfeito

A essa altura, você deve estar pensando que meu marido é perfeito. Bem, ele não é perfeito, mas é quase. Eu poderia dizer sobre o seu lado imperfeito, mas por que andar por este caminho? Minha mente está muito cheia de coisas boas sobre ele. Acho que isso é o que o casamento deve ser. Basta perceber e manter as coisas boas, e você verá todas as razões para ter certeza que seu marido a ama.

- por Gary e Joy Lundberg

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Série Homeschooling - parte 1 (O que não é?)


 - parte 2 (O que é?)       
                       - parte 4 (A situação jurídica no Brasil)

Iniciando esta pequena série, precisamos esclarecer o que não é homeschooling.

Em primeiro lugar, homeschooling, do inglês "escola em casa" ou "ensino domiciliar", não significa que se está afirmando superioridade de ensino, em oposição à escola "tradicional" ou "escola formal". Não é porque uma criança estuda em casa, que necessariamente será mais inteligente e aproveitará melhor o conhecimento (maiores informações na parte 3 desta série). Se seu filho aprende em casa, possivelmente será melhor dirigido em seu intelecto, mas não faça disso uma regra.

Em segundo lugar,  não significa que a escola tradicional seja algo maligno. A escola é boa, útil e creio que sempre precisará existir, pois nem todos os pais dispõe de tempo e esforços suficientes para guiar seus filhos. É verdade que a tradicional possui seus erros grotescos e influências do Estado, mas não é porque a criança é ensinada no lar que a família deve falar somente mal da escola comum. Aprenda mais a valorizar o ensino doméstico do que a criticar a escola tradicional.

Em terceiro lugar, não significa que todas as coisas sairão como você imagina e que seus filhos serão reconhecidos internacionalmente. Ainda que existam exemplos de crianças notáveis, se acautele para não criar expectativas além do razoável. Ensinar em casa é o meio para um fim, a saber, uma educação mais próxima e direcionada, e não uma ponte para o sucesso. Se você deseja ensinar seus filhos, saiba que eles não precisam impressionar o mundo, muito menos você; tão somente precisam aprender os valores corretos e serem privados do mal (até onde é possível).

Em quarto lugar, não significa que tudo será mil maravilhas. Não raro, o restante da família é contra sua opção e acaba sendo a principal pedra de tropeço para uma harmonia. Muitos não irão lhe compreender e poderão chegar a lhe intimidar, dizendo que falarão com o Conselho Tutelar, por exemplo. Lembre-se de que ensino domiciliar não significa aceitação total. Esteja preparado para ter de explicar mil vezes a mesma coisa e ter calma para lidar com as situações que podem surgir.

Em quinto lugar, não significa que os pais precisam ser peritos em todas as matérias. Na verdade, ensinar em casa não é sinônimo de mera transferência de conhecimento. Você não ensina tudo para o seu filho, pois o papel dos pais é serem como que intermediadores do conhecimento ou, noutras palavras, devem facilitar o aprendizado comprando livros, indicando sites e planejando as disciplinas. Nada, porém, relacionado aos pais precisarem ser uma enciclopédia viva. Você poderá chamar amigos para ensinar no que você tem dificuldade, contratar professores, os colocar em algum curso e coisas do gênero.

Em sexto lugar, não significa que você nunca colocará seus filhos na escola tradicional ou que ela será extinta. Como tudo nesta vida, nem sempre as perspectivas se concretizam e talvez você venha a desistir deste método de ensino. Ou talvez você prefira os ensinar somente nos primeiros anos da infância, fazendo com que tenham bases mais sólidas. Não inicie, porém, pensando que seu filho estará, necessariamente, sempre dentro de casa. Aliás, não pense que ensinar em casa é sinônimo de ficar trancado (mais sobre isso na parte 2) Ademais, o propósito da ensino domiciliar nunca foi o de banir a escola tradicional, e sim abrir o leque de oportunidades para os pais ensinarem da maneira que mais lhes convém.

Em sétimo lugar, não significa que será fácil. Enganam-se os pais que imaginam ser mais tranquilo ensinar em casa do que levar à escola tradicional. Em casa você precisa de mais disciplina própria, delimitar horários (quando a criança não consegue por si) e estipular algumas metas. É mais difícil e custoso do que a escola, pois você passa a ser o Diretor dela.

Em oitavo lugar, não significa que você, só porque ensina em casa, pode ensinar qualquer coisa a seus filhos. Jamais imagine que deixar as crianças vendo televisão (e geralmente bobagem) significa ensino domiciliar. Ensinar em casa requer, sim, excluir coisas maléficas a seus filhos. Se na escola tradicional você não consegue gerir a grade curricular, em casa você tem a obrigação de fazer.

Em nono lugar, não significa que você não precisará gastar com coisa alguma. Se seu filho fosse à escola tradicional, teria de comprar materiais, uniforme, gastar com o deslocamento, lanches e afins - em casa é a mesma coisa. Você precisará comprar alguns livros, quem sabe investir em uma internet um pouco mais rápida ou algum computador/tablet (o que achar melhor), materiais para seu filho escrever, brinquedos... Enfim, você terá uma mini escola em casa.

Em décimo lugar, não significa que tudo será monótono. Se num dado período seu filho perde o interesse por certa matéria, você precisa ser criativo! Se não há dinheiro suficiente para comprar os melhores mapas e tabelas, faça você mesmo! Em verdade, ensinar em casa é um desafio constante, pois você precisa, tal qual um professor, despertar o interesse na criança, o que muitas vezes não é nada fácil!

Em décimo primeiro lugar, não significa que seus filhos deixarão de socializar. Isto é um verdadeiro mito. "A família é o primeiro grupo social em que a criança aprende a exercer sua sociabilidade. Assim como a igreja, os vizinhos, os parentes, enfim, os diferentes grupos etários do qual a sociedade é feita, compõem um vasto campo de possibilidades de socialização. Também há a participação da criança em cursos extras, esportes e parques, bem como em toda a agenda curricular escolhida pela família"¹.

Até aqui, então, onze coisas sobre o que não é o homeschooling. Na próxima parte veremos sobre o que é o ensino em casa, de maneira a trazer uma visão mais clara sobre o tema.

*agradeço a todos que leram previamente este texto e contribuíram com ele.
¹ Contribuição da Coordenadora Pedagogica, Glaucia Mizuki - entre em contato com ela.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A Lei de Deus e a Cesta de Lixo


Quem nunca se deparou com uma daquelas cestas de lixo, como a da foto acima, e percebeu que o objeto em sua mão - latinha, sacola, etc - muito bem poderia ser jogado ali dentro, contudo não ficaria retido (cairia por entre os furos) e pensou: "bom, joguei dentro da cesta de lixo. Estou com a consciência tranquila"? Eu já.

E, infelizmente, isso se dá muitas vezes ao nos depararmos com a Lei de Deus e buscarmos cumpri-la, porque sabemos que tem de ser cumprida, porque Deus nos ordena ou porque aprendemos assim. Mas a questão é: estamos realmente interessados no motivo de obedecermos a Lei de Deus?

Deuteronômio 6:6-7 diz o seguinte sobre a lei de Deus: "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração" (grifo meu).

Segue-se então que primeiro a Lei de Deus vem pelo Seu Espírito, através do entendimento (Rm 10:14;17), depois desce ao coração e por fim produz os frutos da obediência ao Senhor (Gl 5:22). Isto quer dizer que a partir do momento em que o cristão é regenerado ele cumpre toda a Lei de Deus perfeitamente e de todo o coração? Não; não aqui nesta vida.

Então, qual o fim da Lei, visto que ela nos dá o entendimento do pecado (Rm 3:20), mas não é o suficiente para nos justificar (Gl 2:16)?

Paulo nos responde em Gálatas 3:24 "De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados". Mas, então, alguém responderá: "agora que sou justificado, não preciso mais cumprir a lei e posso viver da maneira como eu bem entender". Bom, não é isto que a Escritura nos diz, pelo contrário:

"Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.  Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Romanos 5:20-21 e 6:1-2. Grifo meu).

Isto demonstra que aqueles que não buscam viver de acordo com as ordenanças de Deus, devem questionar-se sobre seu cristianismo. E aqueles que buscam viver de acordo com a Escritura, com amor, não são legalistas, e sim amantes da palavra de Deus (Salmo 119:2), e portanto, temem pecar contra o Senhor que os resgatou de tamanha imundícia.

Deste modo, toda vez que formos tentados a simplesmente "arremessar o lixo na lixeira", sem nos importarmos com o fim deste gesto, e formos tentados ao formalismo, lembremo-nos do verdadeiro propósito da Lei: A glória de Deus (1 Samuel 15:22).

Que Deus nos auxilie nisto e nos faça viver de maneira que entendamos Sua Palavra e a busquemos seguir de todo o coração, e não apenas com atos ou palavras.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aceite sua fraqueza


Você já se sentiu falho? Inadequado? Ineficaz? Você já examinou seu coração e vislumbrou pecado, trevas e derrota? Eu já. E é desencorajador e desmoralizante. Faz-me imaginar o que Deus vê em mim. Não há dúvida de que eu sou um vaso falho. Mas isso significa que eu seja um vaso inútil?

Às vezes nós tentamos driblar nossa fraqueza ao negá-las. Outras vezes nós dizemos a nós mesmos que se apenas tentarmos um pouco mais.. nos animarmos, tentarmos por nossos próprios esforços, então seremos bem sucedidos; então nós experimentaremos vitória e derrotaremos as trevas. Mas essas não são as respostas que eu vejo na Escritura.

Em 2 Corintios 4:6-7, Paulo afirma que a "luz do conhecimento da Glória de Deus na face de Jesus Cristo" brilha em nossos corações, que inerentemente contém trevas. No entanto, temos esse tesouro em "vasos de barro, para mostrar que a excelência do poder pertence a Deus e não a nós.". O lugar para começarmos, então, é pelo conhecimento de que somos falhos e danificados - vasos de barro que são rachados, surrados e facilmente quebrados. Fraqueza não é para ser negada. Nem devemos nós vencê-la por nós mesmos. Ao invés, fraqueza é para ser aceita. Paulo realmente tem prazer e se gloria sobre suas enfermidades (2 Coríntios 12:9-10). Devemos reconhecer a escuridão que habita em nossos corações e a nossa falha e inabilidade para superá-las por nós mesmos.

Mas, uma vez aceito e reconhecido, essa escuridão e essa fraqueza se tornam canais para a brilhante luz e para o poder esmagador de Deus. Esta luz da glória de Deus que brilha na face de Cristo pode superar as trevas que se escondem em nossos corações. Sua luz sobrepuja e então resplandece nas nossa escuridão. E a razão pela qual Paulo tem prazer nas suas fraquezas é porque na sua fraqueza o poder e a força de Deus são feitas perfeitas (2 Coríntios 12:9-10). É por causa de sermos falhos e débeis que qualquer sucesso ou vitória brilham mais claramente ao demonstrar a eficácia de Deus e o resultado da impressionante força de de Deus. Elas emanam da excelência do poder de Deus, e não de qualquer força intrínseca que possuamos.

Se nós esperarmos até sermos perfeitos, até repararmos todas as nossas rachaduras, para então nos oferecermos a Deus, então nunca o faremos. Mas se nos oferecemos a Deus, com todas as nossas falhas e fraquezas, nossos machucados e escuridão, sua luz irá permear nossas rachaduras e então brilhará através delas. Ele vencerá nossa fragilidade com Sua força. Nós continuaremos sendo vasos de barro, mas jarros de barro são particularmente vasos apropriados para realçar o glorioso poder de Deus, porque, em si próprios, eles não tem poder algum.

O refrão de um poema chamado "Hino", de Leonard Cohen, expressa estas verdades de uma maneira particularmente sugestiva e eloquente:

"Toquem os sinos que ainda podem ser tocados
Esqueça seu sacrifício perfeito
Há uma rachadura em tudo
E é assim que a luz adentra."

- por Joy Mosbarger

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