"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

“Bateram no meu filho! E agora?”



Quantas de nós já precisamos lidar com uma situação parecida? Sua menina de três aninhos é mordida na escola, ou volta da classe de EBD com o bracinho vermelho: ela foi empurrada pelo coleguinha. A primeira reação que uma mãe tem é de acolher e consolar sua pequena. A segunda é querer saber quem fez aquilo, ansiando por justiça! Às vezes, inclusive, a ordem dos sentimentos é alterada. Quem teria a coragem de maltratar minha bebê tão dócil e frágil? Essa criança não tem mãe? Onde estava a professora que não viu isso acontecer? Todas estas e muitas outras perguntas e indagações se aninham no coração da mãe ao ver seu filho injustamente machucado.

Quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa…”

Como somos alertadas pela Palavra de Deus, todos os nossos pensamentos, desejos, sentimentos e ações devem ser voltadas para a Sua glória! E você acha que isso se refere apenas a coisas “espirituais”? Não! O próprio texto citado acima usa como exemplo os gestos mais básicos do nosso dia- a- dia: comer e beber! Nas atitudes mais cotidianas precisamos buscar a glória de Deus, nos perguntar como podemos dar testemunho da nossa fé e sermos sal e luzeiro deste mundo. Não precisamos esperar grandes e memoráveis situações para agirmos assim. Não devemos achar que provar a nossa fé é um ato reservado apenas para momentos de grandes provações, em que teremos que sofrer pelo Evangelho e talvez, um dia, darmos nossa vida por ele. Podemos ir treinando nas pequenas situações da vida, onde SIM, também nos é exigida uma vida de santidade e provas da nossa fé. E quer momento melhor para refletir a luz do Evangelho do que quando seu filho é agredido? Tantas coisas estão em jogo, tantos pecados vêm à tona num acontecimento tão cotidiano quanto este, que podemos nos assustar!

Em primeiro lugar, devemos analisar o nosso próprio coração. Talvez ele esteja permeado por idolatria e sequer saibamos. Identificaremos a idolatria em nós mesmas, no momento em que pecarmos porque pecaram contra os nossos! Se a nossa primeira atitude é uma atitude de ira, autocomiseração e justiça própria (“que vontade de esganar aquele moleque!”), já temos aí um ídolo erigido contra o qual precisamos lutar: o bem estar de nossos filhos a qualquer custo. Não entender que pecar contra Deus porque pecaram contra nossos pequenos é idolatria, é um sério risco que corremos.

Nossos filhos são pecadores também, lembra? E como pecadores estão inseridos num mundo de pecado, cheio de outros pecadores. Isto significa que nossos pequenos estão expostos a todo tipo de desgraça que o pecado trouxe sobre a humanidade: morte, doenças (algumas muito graves), inimizades, agressões, injustiças. Você acha mesmo que conseguirá proteger seu filho das adversidades a que estão expostos? Lembre-se que ele nasceu num mundo contaminado pela praga do pecado. Será que temos exagerado na busca da proteção deles? Será que temos tanto medo de que algo ruim aconteça com eles que estamos dispostas até mesmo a pecar para manter o status de “são e salvo” de nosso filho? Estas perguntas merecem um profundo questionamento a nós mesmas!

Não estou querendo dizer, entretanto, que você não deva cuidar ou proteger seus filhos de perigos e dores. Não é esse o ponto. Você DEVE protegê-lo, foi chamada para isso! Se seu filho foi agredido na escola, por exemplo, procure a professora e converse com ela, evite deixar seu filho brincar com aquela criança que você sabe que é agressiva, troque-o de turma se for o caso. É lícito tomarmos atitudes para tirarmos nossos pequenos de situações que podem provocar dor a ele. Mas a questão que gostaria que você analisasse é a do coração. Como lidar com acontecimentos que você não foi capaz de evitar, é o assunto deste artigo!

Convivemos com uma natureza caída: a nossa, a do nosso filho e a do coleguinha!

Esta é a primeira coisa que devemos ter em mente quando nos deparamos com uma bochecha mordida! Nosso filho é pecador, e isso quer dizer que ele pode ter provocado a situação que culminou em agressão. Mas se ele é totalmente inocente neste episódio, lembre-se que não é inocente em todos! Em algum momento seu filho também já foi (ou com certeza ainda será), o agente que causou dor física ou emocional em outra criança. Algumas delas não são de bater, mas são mestres em levar outras crianças ao extremo da ira!

Certa vez presenciei uma situação que ilustra bem o que estou querendo dizer. A filha de uma amiga minha, de três anos, foi convidada para uma festinha infantil. A festa era linda e a aniversariante, vestida de princesa, sussurrava ao ouvido da amiguinha: “essa festa não é sua, é minha! Você nem tem um vestido de princesa como o meu… essa festa é MINHA, não é sua”. A filha da minha amiga, que é uma pimenta, ouviu a primeira e a segunda provocação. Na terceira, já aos prantos (afinal a festa não era dela e ela não tinha um vestido de princesa!!), deu um empurrão na aniversariante que se pôs a chorar inconsolável. Pense na situação! Ninguém exceto eu, que estava bem ao lado, havia visto a cena toda. Para todos os efeito, a filha da minha amiga deu um empurrão na pobre e doce princesa! Ninguém havia visto os requintes de maldade e o prazer da pequena ao dizer à colega que ela não era a dona da festa. Percebe como nem sempre temos todos os dados para fazer um julgamento correto? A filha da minha amiga estava errada e pecou por se irar e empurrar a menina. Esta por sua vez, pecou ao sentir prazer em menosprezar a criança que não era a estrela da noite! Ambas precisavam ser corrigidas e admoestadas a abandonar seus pecados. Apenas pais muito atentos e preocupados serão capazes de perceber estas nuances e agir de modo sábio e bíblico, não sendo uma “Alice no país das maravilhas” achando que seu filho nunca tem culpa de nada e é sempre vítima de alguém.

Mas e se, de fato, meu filho for a vítima?

Eu sei bem como é a situação de uma criança que agride outra de graça, sem ter acontecido absolutamente nada que gerasse a agressão. Para meu desespero, meus dois filhos mais velhos passaram pela terrível fase de morder, e quando o faziam, era apenas porque tinham vontade e não porque eram provocados! É fato que situações assim acontecem, e como você deve reagir quando seu filho foi agredido sem ter culpa no cartório? Será que, aí sim, te é permitido dar largas à sua ira e agir com justiça própria? Antes de tratarmos do coração do nosso filho que sofreu a injúria, precisamos tratar do nosso! Como eu encaro os sofrimentos neste mundo, como eu me vejo diante de Deus, com quantas armas defendo os meus direitos em detrimento do que a Bíblia fala, são conceitos que farão toda a diferença no meu modo de agir. Não se engane minha irmã, tudo que você aprende com as pregações de seu pastor, com o que você lê na Bíblia e em outros livros cristãos, todo o corpo de doutrinas que você tem aprendido, precisam ser usados nas situações mais corriqueiras de sua vida. Para isso serve a Palavra de Deus. A Bíblia não é formada por conhecimentos intangíveis, que não têm nada a ver com a minha vida diária! Todas as grandes doutrinas do Evangelho devem ser postas em prática na nossa vida, devem pautar a maneira que encaro o mundo a minha volta, devem ser a minha regra de viver diário! Não podemos separar as grandes doutrinas do Evangelho do beliscão que meu filho levou na escola. Precisamos fazer estas conexões o tempo todo. E mais: precisamos ensinar estas grandes verdades, aplicadas ao cotidiano, aos nossos pequenos. Se não for assim, alguma hora ele desejará deixar de lado estes ensinamentos tão bonitos, mas que não têm aplicação nenhuma em sua vida. O Evangelho é vida! Tiago nos ensina isso de forma taxativa: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” Tiago 2.14. A prática das boas obras testificam a nossa fé! Uma vida de prática daquilo que a Bíblia ensina, demonstra ao mundo de forma gritante em que nós cremos.

Dito isso, pergunto a você: por que muitas vezes, ao verem seus filhos serem agredido, os pais fomentam a ira em seus próprios corações e nos corações de seus filhos? Por que os pais não optam por perdoar e ajudar os pais que estão tendo dificuldade com seus filhos? Por que adultos preferem ensinar as crianças a revidar os ataques sofridos? Por que se recusam a obedecer ao Evangelho neste quesito específico?

Ensiná-los a sofrer injúrias, sofrer o dano.

Em I Coríntios 6, Paulo trata de contendas e litígios entre irmãos e diz que só haver estas contendas, já era completa derrota para eles. Ir a um tribunal de ímpios, para que fosse julgada uma causa entre irmãos, então… seria vergonhoso. No final desta advertência ele diz que entre levar a causa a tribunais injustos e ficar no prejuízo, os crentes deveriam optar pela segunda alternativa: “Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” (verso 6). Paulo não está ensinando neste texto que não podemos ir à justiça, pleitear nossos direitos. A questão é quando fazer isso traz dano ao Evangelho. Se fazer sobressair a sua causa justa, for em alguma medida prejuízo ao Evangelho, você deve optar por sofrer o dano!

Na sociedade que vivemos hoje, a palavra de ordem é: “meus direitos!”. Estamos dispostos a tudo para fazer valer nossos direitos. Ficar no prejuízo, sair perdendo, ser lesado, ficar com a pior parte é simplesmente impensável. Ser agredido e não revidar, ser ferido e não pagar na mesma moeda? Nunca! Somos ensinados por este século a nos estimar a tal ponto, que somos capazes inclusive de pecar para defender a nossa honra e os nossos direitos. Mas Jesus agiu de forma completamente diferente. Ele é o nosso modelo, a Ele devemos imitar e seguir!

Se você pretende que seu filho seja um seguidor do Evangelho de Cristo, que seja um crente fiel às Escrituras, comece plantando desde cedo em seu coração os grandes princípios nela contidos! Ensine-o a sofrer pelo Evangelho. Ele será escarnecido e zombado na escola por seu honesto e diferente procedimento. Ensine-o a não se importar com o que os outros pensam dele, mas com o que Deus pensa a seu respeito. Ensine-o a não dar valor demais à aceitação que ele pode ou não ter dos amiguinhos, isto não o tornará melhor. Seu valor não está na popularidade que alcança na escola, mas em ser um filho obediente e temente ao seu Deus. Incentive-o a perdoar e a buscar reconciliação, mesmo quando o causador da contenda não for ele.

Ajude-o também a orar pela criança que o agrediu. Não é assim que a Bíblia ensina? “…amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” Mateus 5.44-48. O que me espanta é porque pais crentes ensinam seus filhos a revidar e a detestar o coleguinha que os feriu, para mais tarde ensiná-los a dar a outra fase, a não revidar as ofensas. O que os faz pensar que a Lei de Deus é uma para os pequenos pecadores e outra para os pecadores já crescidos? Onde a Bíblia nos autoriza a ensinarmos nossos filhos a revidar ofensas, a detestar? Deveríamos ensinar a nossos filhos que dias piores virão, dias em que talvez eles tenham que dar a vida por amor ao Evangelho como fez Estevão, Pedro, João Batista e tantos outros mártires que pagaram um alto preço por sua fé. Começar por ensinar que o mundo não gira em torno deles e que sofrer uma agressão injusta não é a pior coisa que pode acontecer a alguém, é um bom começo para prepará-los para os sofrimentos que a vida de um crente fiel pode trazer.

Reafirmo o que disse acima: você pode e deve proteger seu pequeno de crianças que o maltratam, mas COMO você fará isso é a questão. Como você pastoreará o coração de seu filho quanto ao que aconteceu fará uma grande diferença para seu futuro! Será que numa situação destas você agiganta os sentimentos dele de auto-piedade, do quanto ele é bonzinho e o colega mau? Será que você tem nutrido no coração de seu filho sentimentos de amargura e vingança contra aquela criança? Ou ao contrário, tem procurado minimizar o acontecido, explicando a seu filho que ele ainda enfrentará muitas situações parecidas? Será que você tem incentivado-o a orar pelo coleguinha e a buscar reconciliação, quando possível? Será que você tem auxiliado-o a lutar contra a sensação de que ele só será feliz se todos o tratarem muito bem, e se ele for amado por absolutamente todos a sua volta? Você tem ensinado seu filho a lidar de forma santa com a rejeição? 

Treine-o a pensar e a viver de acordo com as Escrituras desde a tenra idade! Ensine-o a colocar em prática desde muito cedo as grandes e poderosas verdades do Evangelho, ensine-o a viver por meio d'Ele! Desta forma você estará treinado-o para ser um valoroso servo de Deus, que pauta tudo o que faz, sente e pensa pela única regra de fé e de prática que nos revela quem Deus é e o que exige de seus filhos: A sua santa Palavra!

- por Simone Quaresma

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O porquê de eu não concordar com a castração química e similares



Como já escrevi, o perdão não exclui a punição no que concerne aos atos da vida civil, por exemplo. Não é porque uma pessoa foi convertida, que as multas de trânsito não possuem mais "poder sobre sua vida" ou que as infrações penais passarão ao largo, afinal, não devemos confundir o perdão com as consequências dele. Cristo perdoou o ladrão na cruz, mas não o livrou da morte, pois era necessário enfrentar as consequências impostas.

Bem, mas por que sou contra a castração química, em especial fortemente desejada aos estupradores, e pedófilos? Por uma razão muito simples: "E se algum homem no campo achar uma moça desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ela, então morrerá só o homem que se deitou com ela; Porém à moça não farás nada. A moça não tem culpa de morte; porque, como o homem que se levanta contra o seu próximo, e lhe tira a vida, assim é este caso" (Dt 22.25-26).

Biblicamente, o estupro é comparado ao homicídio, tamanha sua crueldade. Para a Bíblia, ainda que um estuprador se arrependa "com todas as suas forças", ele deve ser punido (o que não exclui sua salvação, caso seja realmente regenerado). A gravidade deste pecado, evidente, não precisa ser sequer comentada, pois mesmo os não cristãos concordam que é um crime terrível e que merece fortíssimas reprimendas.

E a questão sobre a castração ainda tem outro ponto: "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" (Mc 7.21-23). Castrar quimicamente alguém, mediante injeções e substâncias que refreiem o desejo sexual, embora pareça uma boa solução, não retira "os maus pensamentos" dos ser humano. Poderiam, se quisessem, cortar o órgão genital, que mesmo assim o desejo pelo mal continuaria existindo.

Ou seja, é preciso ser contra esse método não bíblico, afinal, além de não funcionar, não faz justiça ao pecado tão grandemente cometido.

Que Deus nos abençoe e nos leve a sempre lembrar: "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Dt 12.32).

*edição após publicação: sou conhecedor de que Dt 22.28-29 fala de algo diferente, demonstrando que caso a mulher não seja desposada (prometida em casamento), ou seja, esteja solteira, a punição não seria a morte do homem, e sim que deveria casar com ela. Esta é uma distinção importante, pois embora no caso tratado se fale de mulher prometida em casamento (devendo o estuprador ser executado) e nos versículos 28-29, de mulher solteira, o diferencial não está ser prometida em casamento ou não, e sim no "e o homem a forçar" (Dt 22.25), demonstrando que no caso dos versículos da mulher solteira, não houve estupro, e sim um homem e uma mulher solteiros que acabaram tendo relações sexuais antes do casamento - devendo, então, se casarem.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

4 coisas que você jamais deve falar para mães que ficam em casa


Mães.

Elas trabalham 24 horas por dia, 365 dias por ano - horas extras nos feriados, sob estresse e demandas e necessidades constantes, executam todos os tipos de tarefas insanas e raramente, ou nunca, têm uma pausa. Se por acaso elas conseguem uma pausa ou sair de férias, seus pensamentos são consumidos com preocupações sobre os filhos e todas as coisas que terá que fazer quando chegar em casa. Além desse trabalho de tempo integral (até mais que isso), algumas mães também possuem trabalhos fora de casa ou trabalham em casa. Isso também pode se aplicar aos pais ou responsáveis. Como eles fazem isso?

No entanto, às vezes parece que as mães que ficam em casa são subestimadas pela sociedade de hoje. Família, amigos ou estranhos às vezes podem fazer comentários que fazem as mães se sentirem pouco ou nada importantes. Infelizmente, uma grande quantidade de comentários rudes vem de outras mães. (Leia: Mom vs. Mom: How to keep the peace amid the 'mommy wars.') Independentemente se você for um amigo, um parente, outra mãe ou um estranho, há coisas que soam como julgamento ou dolorosas, mesmo que você tenha boas intenções, quando fala com uma mãe que é dona de casa.

"Eu gostaria de poder me dar ao luxo de ficar em casa", ou "Seu marido deve ganhar muito dinheiro!" ou "Eu não estou tão bem quanto você, então não posso ficar em casa."

Muitas vezes, esta afirmação vem de mães que trabalham, que provavelmente comentam devido ao seu próprio desejo de ficar em casa com seus filhos. No entanto, ela faz parecer como se a mãe que fica em casa estivesse vivendo uma vida de luxo. Provavelmente, o dinheiro está apertado. Independentemente disso, é um sacrifício financeiro. É uma decisão difícil - trabalhar ou ficar em casa, mas devemos ter cuidado para não julgar uns aos outros por causa disso.

"Você não trabalha?!" ou "Para que você fez faculdade?" ou "Você não quer contribuir para a casa?"

Acredite ou não, as mães ESTÃO trabalhando. O tempo todo. Estamos de plantão 24 horas por dia. Contribuímos para a casa de uma forma muito significativa. Os diplomas da faculdade também vêm a calhar. Muitas mães controlam as finanças e pagam as contas, compram mantimentos, limpam a casa, o que inclui - roupas, louça, chão, recolhem brinquedos, limpam banheiros - cuidam de machucados e contusões, higienizam a casa após fraldas tóxicas e problemas de estômago, limpam a casa (sim, eu disse isso duas vezes), acompanham cronogramas, ensinam crianças e as ajudam com o dever de casa. A lista continua. Um diploma universitário e a experiência da faculdade ajudam nesta arena. Que outro trabalho exige tantas habilidades, horas e capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo? Nenhum. E, eu mencionei que não é remunerado? Mas há muitos beijos e abraços, então isso ajuda.

"Deve ser bom ficar em casa e não fazer nada o dia todo", ou quaisquer sentenças que assumem ou sugerem que ser uma dona de casa é fácil e livre de estresse.

Embora ser mãe seja um trabalho importante com muitas recompensas e alegrias, eu acho que nenhuma mãe diria que é fácil ou livre de estresse. Existe uma suposição de que as mães passeiam o tempo todo, indo à manicure e pedicure, assistindo filmes e comendo chocolates o dia todo? Eu acho que, mesmo se tentássemos, haveria certamente uma criança lá para estragar o esmalte, exigir um programa para crianças e comer toda a nossa sobremesa. Quero dizer, nós não podemos nem ir ao banheiro ou tomar um banho ininterrupto, muito menos sentar para almoçar. É uma ocupação sem pausas com apenas devaneios de "não fazer nada". E, se "não fazer nada" acontece alguma vez - como tentar ir dormir (haha!), nossos cérebros nos bombardeiam com todas as coisas que deveríamos estar fazendo.

"Ela (mãe que fica em casa) pode fazê-lo, ela não tem nenhuma programação e muito tempo livre" ou "O que você faz o dia todo?" ou "Sua casa deve ser muito limpa."

Calma. O quê? Sim, podemos estar limpando a casa ou realizando tarefas o dia todo, mas nossos filhos também estão fazendo suas bagunças e realizando nossas tarefas conosco o dia todo. Não há tempo "livre". Nenhum. Na verdade, nos leva ainda mais tempo para fazer qualquer tarefa com crianças. Enquanto limpamos, alguém está bem atrás de nós fazendo uma bagunça. Imagine ir ao mercado para pegar algumas coisas como leite, pão, ovos e queijo. Cinco a dez minutos no máximo, certo? Não com crianças.

- Colocar os sapatos nas crianças novamente (já que elas os tiraram no carro antes de chegar ao mercado).
- Sair do carro e tentar encurralar as crianças para dentro da loja (é como pastorear gatos com pistolas de água).
- Puxar as crianças para longe dos doces/ brinquedos/ bebidas/ coisas legais que elas querem (isso pode acontecer várias vezes).
- Parar as birras ou colapsos seguidos.
- Ir para o outro lado do mercado pegar um item que você esqueceu durante a crise mencionada.
- Na hora de pagar, um dos pequenos corre para a porta (e estacionamento lotado) enquanto o outro abre - e come - o doce que está ao seu alcance (eles realmente deveriam colocar essas coisas atrás de vidros, como cigarros).
- Você compra coisas - como o doce meio comido - que você não estava planejando.
- Você esqueceu um item, mas não vai perceber até estar cozinhando o jantar.
- Outra criança batalha durante a tentativa de colocar o cinto em seus assentos de carro.
- E agora, a "viagem rápida" ao mercado já levou mais de uma hora.
- Onde é que está todo esse "tempo livre"?!

Mães que ficam em casa não são "apenas mães". Nossa carga de trabalho é enorme e muitas vezes fica maior ainda devido aos nossos pequenos "ajudantes". Sim, passamos muito tempo em casa (e desejamos ter tempo para sair e conversar com outros adultos às vezes), mas isso não significa que nós não fazemos nada, temos uma agenda livre, estamos vivendo no luxo ou estamos desperdiçando nosso diploma e vida sem nossa potencial carreira. C.S. Lewis disse, "A dona de casa tem a carreira definitiva. Todas as outras carreiras existem para um único propósito - que consiste em apoiar a carreira definitiva." Temos a carreira definitiva - e trabalhamos bem duro nela. 

Parabéns para todas as mães - que trabalham, as donas de casa e Sr. Mãe, também conhecidos como pais que ficam em casa.

- por Wendy Jensen

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Carta ao Sansão - Um crente que pensa que a Bíblia só fala de salvação


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Bom dia, Sansão! Lembrei de você hoje pela manhã, após ler algumas notícias no Facebook acerca de algumas postagens sobre política. Como estão todos em sua família? Seguem progredindo em fé e no amor para com nosso Senhor? Espero que sim.

Amado, rapidamente, como conhecido teu e pessoa que se importa contigo, quero lhe chamar a atenção para um problema que tenho percebido em tua vida: a crença de que a Bíblia só fala de salvação e de que ela não menciona sobre como devemos viver neste mundo. Deixe-me explicar.

Desde os tempos que você conheceu as doutrinas da graça, tenho percebido que você parece ter esquecido de que a Bíblia não fala apenas do porvir, isto é, do céu, inferno e da eternidade, e sim que ela também prescreve como os crentes devem viver neste mundo. Muitas vezes você tem repetido que "somos cidadãos dos céus" e por isso não precisamos nos preocupar com este mundo, pois ele "jaz no maligno". Sim, é verdade que o mundo está morto no maligno, mas a Escritura afirma que devemos ser "sal e luz" por aqui.

Em especial, venho percebendo que no âmbito político, você crê que pode ser um cristão e ao mesmo tempo defender propostas totalmente contrárias ao Evangelho. Veja, por exemplo, sua defesa em prol da "reforma agrária", algo que não é bíblico, pois a Bíblia é clara em demonstrar que a propriedade privada é um direito social. Sim, Sansão, eu sei que existem muitas pessoas que são donas de imensas terras, mas isso não habilita o governo a retirar deles esse direito - sinto muito. 

Outra coisa que noto é sua familiarização com os chamados "movimentos de esquerda", os quais pregam que o governo deve intervir na economia, deve fazer a chamada "distribuição de renda" e outras coisas mais. Inclusive, meu amado, cheguei a ver que você apoia a maldita ideia de "retirar do rico" para "dar ao pobre", forçando os ricos a pagarem mais impostos, também. Onde isso se encontra na Palavra?

Vi, ainda, você dizendo que o cristão não tem o direito à legítima defesa e que ter armas em casa é sinônimo de pouca confiança no Senhor? Como assim? E todas as passagens bíblicas no AT e NT sobre isso, onde vemos claramente os cristãos se defendendo quando necessário?

Outrossim, me recordo de ter visto você apoiando a ideia de que cabe ao governo a ajuda aos pobres, sendo que, biblicamente, isto sempre foi papel da Igreja do Senhor, pois o pão físico, sem o verdadeiro Pão, é completamente inútil.

Sendo sincero contigo, preciso lhe perguntar: quais são suas bases bíblicas para defender este tipo de coisa? Noutras palavras, por que você acha que a Bíblia não se importa com estas suas atitudes? Acaso você acha que ter ciências da soberania de Deus e da depravação do homem, lhe levará para o céu? Sendo ainda mais direto, você crê que ser "calvinista", "reformado", "de Jesus" ou qualquer outra coisa que o valha, te levará para o céu? Amigo, a salvação é pela fé em Cristo!

Mas, meu amado, embora a salvação seja pela fé em Cristo, lembre-se das palavras sagradas: "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6). E para o caso de você se perguntar "como Cristo andou, já trago a resposta: "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos" (Lc 24.44).

Pelo que tenho visto, você não conhece a Lei do Senhor e Sua Palavra de maneira correta, pois estás proclamado, "curtindo" e "compartilhando" coisas contrárias ao estabelecimento de Deus. Veja que a Lei do Senhor tem um propósito muito claro: "Guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos depois de ti para sempre, quando fizeres o que for bom e reto aos olhos do Senhor teu Deus" (Dt 12.28). A Lei do Senhor nos livra do mal e nos abençoa.

Portanto, Sansão, embora aprecie nosso contato, rogo ao Senhor para que mude o teu coração, de maneira que você entenda que o Senhor é é dono de todo o nosso ser e que Sua Palavra não fala apenas de salvação, e sim sobre como o cristão deve viver em cada aspecto de sua vida, afinal, assim somos instados: "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

Que o Senhor seja contigo e te leve ao arrependimento.

Em Cristo,
Filipe Luiz C. Machado

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

As redes sociais e os cristãos solitários


A constatação não é boa: vivemos em dias onde muitos cristãos estão sozinhos. Não, não estou dizendo que eles moram sozinhos ou vivem em cidades pequenas, e sim que, mesmo cercados de pessoas, se sentem sozinhos. Isso, além de triste, é grave; porém, diagnosticando o problema corretamente, podemos encontrar sua cura.

Poderíamos citar diversos fenômenos sociológicos que visualizamos nas redes sociais, desde os indivíduos que se acham "feios" e por isso vivem tentando mostrar que são lindos (maquiagem, roupas da marca X ou Y); pessoas tristes e querem que outras se apiedem delas; pseudo-intelectuais que escrevem sobre tudo, quando, em verdade, não sabem sobre nada.... 

Muitas coisas ocorrem, mas queremos falar dos cristãos solitários. Por esta forma de dizer, me refiro àqueles crentes que fazem das redes sociais o seu espelho, o seu "confessionário evangélico", o seu "melhor amigo", o seu saco de pancadas e, não raro, o seu local onde pode disseminar suas fantasias, isto é, passar uma imagem que não condiz com a realidade. Falo dos crentes que possuem milhares de amigos na internet, mas sentam sozinhos no culto; dos que são adorados virtualmente, mas ninguém os suporta pessoalmente. E por que fazem isso? Porque se sentem sós, ainda que rodeados de pessoas.

Já foi dito com muita propriedade, aqui, sobre as moças cristãs e suas "selfies sedutoras", mas não podemos deixar notar os crentes que tiram fotos de todas as coisas - deles dormindo, da comida, da roupa que estão em dúvida para usar, do cachorro lindo que compraram, do tênis novo, dos músculos na academia, do estudo no seminário... E aqui, não me refiro aos outros, porque eu também faço isso. A questão é: por que fazemos isso? (por que, ó céus?!) Noutras palavras, não questiono informações valiosas que são compartilhadas, e sim aqueles fatos irrelevantes que servem, tão somente, para elevar o nosso ego ou transmitir uma falsa imagem sobre nós, revelando o quanto nos sentimos solitários.

Permita-me o leitor, num momento de descontração, mostrar uma imagem que circula pelo Facebook


Fotos do Chapolim, o mestre em nos fazer das risadas, são frequentemente usadas para montagens deste tipo. Todavia, as imagens irônicas, em verdade, refletem algo muito genuíno, afinal, quantas pessoas você não conhece que se enquadram no dizer acima? Quer dizer, quem nunca disse que ficou "horrível" em uma foto 3x4? Quem nunca disse "tira outra, porque eu fiquei feio". Ora, qual o problema em se assumir e dizer que não se é tão lindo? Há algum pecado nisso? Receio, sim, que o pecado esteja em desejarmos transmitir algo que não somos.

Recentemente havia uma febre no Facebook: mulheres se desafiando a postar "fotos sem make" ou em uma linguagem mais popular, "fotos sem maquiagem". Pergunto-me, até hoje, qual a razão disso. Sei que existem crentes fieis que participaram - inclusive uma gentil irmã veio falar comigo isso - e não estou negando o cristianismo de alguém, apenas pretendo levantar a indagação sobre o porquê se tornou tão "extraordinário" postar foto sem maquiagem.

Evidente que os homens também são atingidos. Não faltam fotos de conhecidos meus na academia, com livros do seminário, Bíblias em grego, preparando um sermão, da filha pequena se trocando para ir ao culto, se fazendo parecer o justiceiro na política, o mestre das boas obras, o intocável indivíduo que não se deixa dominar pelas modas do momento... A lista é sem fim. 

Nada nisso, em si, é errado, mas não seria um sinal de que estamos nos sentindo sozinhos? 

Quer dizer, porque não podemos comer algo delicioso e ficar sem postar uma foto sobre isso?! É assim tão desafiador? Por que motivos um "like" nos traz tanta alegria no dia? Por quê? Por quê? Eu realmente não entendo. Por que uma mulher cristã não pode sair de casa sem "make"? Por que um homem cristão não pode ir para a academia e ficar sem postar sobre seu treino? A mulher sai de casa para agradar a outrem e o homem "puxa ferro" para querer aparecer ao próximo? Qual a dificuldade em não sermos "vistos" pela multidão?

Realizamos todas estas coisas e gostamos de as publicar, sem nos percebermos que Cristo já falou de algo muito mais nobre que deveríamos fazer, mas não para agradar a homens! "Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus" (Mt 6.1). Sejamos sinceros: se ajudar o próximo, cuja atitude é excelente, não deve ser feita "diante dos homens", isto é, sem o intuito de aparecer e receber alguma glória, por que desejamos que a multidão virtual nos olhe e perceba que somos atraentes, fortes, estudiosos, desportistas ou qualquer outra coisa? Não estamos indo na contramão da Escritura?

Creio, assim, que a cura para este egocentrismo exacerbado, que acaba nos deixando "solitários", pois não conseguimos ter toda a atenção que gostaríamos, é clara: "É necessário que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.30). Como cristãos, precisamos orar para que o Senhor mude nossos corações. Precisamos orar para que busquemos mais agradar a Deus, do que aos homens.

Querido irmão, sei que a internet é boa quando corretamente utilizada, mas não faça dela a sua união nesta terra. Lembre-se: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mt 24.35). "Curtidas", "compartilhamentos" e comentários irão passar, mas a Palavra de Deus permanecerá. Ou como Cristo afirmou noutro lugar, "que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?" (Mc 8.36).

Que proveito temos aos buscarmos a glória diante de uma "multidão", sendo que, não raro, nosso coração está distante de Deus? Qual a validade de nosso pequeno evangelho via wireless, sendo que em nosso dia-a-dia  somos calados e não proclamamos as verdades? Por que você se sente sozinho, isto é, imagina que está sozinho e por isso faz do computador o seu palco de espetáculos para uma multidão, não raro, desconhecida? Há algum crescimento cristão nestas coisas? Pense nisso, crente.

E finalizo dizendo: esta postagem não é para ninguém, e sim escrita por mim e para mim, pois sou o primeiro a errar.

Que Deus nos abençoe.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Nem sempre é um pecado desobedecer o governo


É comum ao vermos ou ouvirmos no noticiário que a "Justiça" está investigando "fulano de tal" por suposto desvio de dinheiro, digamos, já tomarmos um partido e passarmos a defender que a "Justiça" está fazendo o correto; quando ouvimos que determinado empresário, supostamente, desviou "milhões" de impostos devidos, já nos posicionamos e achamos que o mesmo deve ser brutalmente punido. Mas será isto verdade?

Um grande erro de nossos dias, certamente, é achar que a "Justiça" não erra. Sim, todos são levados a pensar desta forma, pois ninguém ao ter ciência de uma das notícias acima, se põe a perguntar se realmente os fatos são verdadeiros. Aliás, importa notar que um dos meios mais eficazes para tornar alguém um "criminoso", é criando uma série sem fim de leis estúpidas e sem qualquer sentido.

Assim, quando o assunto é obedecer ao magistrado civil, boa parte dos crentes se lembra de Romanos 13, onde o apóstolo é enfático sobre a necessidade de se obedecer ao governo, "pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas" (v. 1). Mas isto significa que toda desobediência seja um pecado? Evidente que não.

O cerne em que o apóstolo trabalha na carta aos crentes em Roma é com respeito à necessidade dos cristãos se submeterem ao governo de Deus, ainda que muitas vezes ele seja mau. O princípio para esta obediência tem como fundamento o fato de que todas as autoridades foram estabelecidas pelo Senhor, seja para benefício ou castigo do povo, conforme comumente vemos pela Escrituras.

É sabido que os crentes em Roma estavam passando por muitas lutas e dificuldades, em especial por terem sua fé perseguida e sofrerem para viver piedosamente. Por isso, diante dessa dificuldade, o apóstolo lhes escreve, dentre outras coisas, que mesmo o governo sendo mau, ele estava naquela posição pela vontade de Deus.

Notemos, também, que a principal razão para o governo existir, não é o assistencialismo, e sim o promover a segurança dos seus cidadãos e demais indivíduos que por ali transitam; tanto é verdade que o apóstolo diz: "Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela (Rm 13.3). Isto significa dizer que o governo deve punir os que praticam obras más. Biblicamente o assistencialismo cabe à Igreja do Senhor (Tg 1.27).

Bem, mas quais seriam as obras más que o governo deve punir? A resposta é clara: todas as que constituem pecado. E como podemos ter esta certeza? Eis a resposta: "Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei" (1Jo 3.4). Já no Antigo Testamento o Senhor havia dito: "E que nação há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós?" (Dt 4.8). O padrão para o governo seguir, portanto, deve ser a Lei de Deus, pois os governantes devem ser instrumentos servidores do Senhor (Sl 2).

Todavia, o que fazer quando o governo não segue a Lei de Deus e não estabelece os Seus padrões? Subjugamos todas as coisas à Lei do Senhor, quer o governo goste ou não. Exemplificarei para melhor compreensão.

Nossa Constituição Federal estabelece:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:  
(...)
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

O artigo é claro em dizer que o tributo (que se divide em demais espécies, tal qual impostos, taxas e contribuições - art. 5º do Código Tributário Nacional) não pode ter efeito de confisco, ou seja, não pode ter a natureza de retirar do indivíduo algo que este possui, porque a finalidade do tributo é de manter as atividades do governo, não devendo servir para empobrecer ou até mesmo privar o indivíduo daquilo que lhe é de direito.

Com isto em mente, fica evidente que pelo princípio do "não confisco" (como é conhecido), toda vez que o indivíduo se ver diante de uma carga tributária excelsa, o que estaria violando este dispositivo Constitucional, pode "desobedecer" o governo, não recolhendo aos cofres públicos a quantia supostamente devida. E como isso pode ser feito? Através das mais diversas ações jurídicas, bem como, simplesmente, não pagando o tributo devido (ciente de que poderá, futuramente, ter de se explicar ao governo - podendo vir a ganhar ou não a causa).

Desta forma, fica claro que, não raro, o governo cria leis contraditórias, ora estabelecendo um princípio, ora editando uma lei que vai de encontro a outras garantias já estabelecidas, de modo que o cristão, quando "desobedece" o magistrado civil em uma destas áreas (desde que, evidente, a desobediência não implique em contrariar a Lei de Deus), não está pecando, pois o próprio governo se contradiz, fazendo com que o indivíduo escolha o meio em que possa pagar menos tributos.

O próprio quinto mandamento nos orienta a obedecer pai e mãe, cuja obediência não se restringe somente aos genitores, e sim a todos que estão sob autoridade, demonstrando que devemos, de fato, obedecer, desde que não viole a Palavra de Deus - a qual ensina, inclusive, que o governo não deve ser pesado ao povo (como foi Salomão, por exemplo - 2Cr 10.10-11).

Vemos, inclusive, este reflexo do quinto mandamento na citação bíblica abaixo, na qual os apóstolos desobedeceram o governo, pois o mesmo os estava obrigando a cessar a pregação: "E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo. Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo). E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou, Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 5.25-29).

Que o Senhor nos ajude a fazer o bem e obedecer o governo, sempre em mente, porém, que devemos raciocinar e ser criteriosos em nossos deveres. Ou como já disse alguém, "Dai a César o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus. Mas e quando o Cesar pede o que não é dele?"

Cristo seja com todos os que amam o Senhor em sinceridade (Ef 6.24).

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

6 benefícios de se cantar os salmos


Aqui estão, pois, seis benefícios do cântico congregacional dos salmos:

1. Ao cantar os salmos, você literalmente canta a Bíblia.

Bons hinos são teologicamente profundos, artisticamente profundos e bíblicos em seu conteúdo, mas eles não são as próprias palavras da Escritura. Contudo, quando cantamos os salmos, estamos cantando a própria Bíblia. A estrutura poética, os temas e o conteúdo dos salmos são a Palavra inspirada de Deus para a sua igreja em todas as eras.

2. Ao cantar os salmos, você interage com uma riqueza de teologia.

Martinho Lutero disse acerca do Saltério: “Ele poderia ser apropriadamente intitulado uma Pequena Bíblia, na qual tudo o que há na Bíblia inteira é bela e brevemente abrangido”. Os 150 salmos cobrem a orla da teologia. Salmodia é estudo teológico.

3. Ao cantar os salmos, você memoriza a Escritura.

Uma parte importante da maturidade cristã é a habilidade de recordar passagens da Escritura conforme a necessidade. Os educadores há muito têm reconhecido o papel da música no auxílio à memorização. Isso não é por acidente; antes, reflete a mão providencial do nosso Deus Criador. Ele deseja que você memorize a sua Palavra e providenciou um meio de facilitar a memorização – o Saltério, que é, e deve ser usado assim, a Escritura em forma musical.

4. Ao cantar os salmos, você se protege da heresia.

Andrew Fletcher disse: “Deixe-me escrever as canções de um país, e eu não importo com quem escreve as suas leis”. Isso faz sentido. Cânticos gravam informações no profundo de nosso coração. Contudo, esse poder pode ser usado de modo maligno. Desde que a igreja existe, canções têm sido usadas para inculcar heresias. Os salmos são recursos contra heresias.

5. Ao cantar os salmos, você canta com toda a extensão das emoções humanas.

Ira piedosa, tristeza comovente, depressão profunda, alegria exultante, dúvida honesta e louvor exuberante são apenas alguns exemplos da extensão de emoções abarcada pelos salmos. A maioria das igrejas compreende o encargo de ensinar o seu povo a como pensar. Muito poucas consideram a sua responsabilidade de ensinar o seu povo a como sentir. Os salmos servem como os tutores das nossas afeições.

6. Ao cantar os salmos, você louva a pessoa e a obra de Jesus Cristo.

Uma das afirmações mais desinformadas que um cristão pode fazer contra a salmodia é: “Eu não canto os salmos porque eles não falam sobre Jesus”. Quando os cristãos primitivos desejavam cantar acerca da morte expiatória de Jesus e da sua gloriosa ressurreição, eles se voltavam para os salmos. Um rápido passeio pelas referências cruzadas no Novo Testamento seria suficiente para convencer até o mais ferrenho crítico de que cantar os salmos é cantar sobre a pessoa e a obra de Cristo.

- por Joe Holland

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A importância da obrigatoriedade na vida do cristão


Você já deve ter ouvido falar que "na vida cristã, nada é obrigatório", certo? Ocorre, porém, que esta frase é completamente descabida, pois está fora dos parâmetros bíblicos. Deus requer obediência e isto é mandamental.

A Bíblia diz: "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Dt 12.32). Notemos que a Escritura diz "ordeno" ou como no original "Tsavah", que significa "dar um comando; dar uma comissão; dar uma ordem" [1]. Isso se traduz em dizer que o crente está obrigado à seguir o que Bíblia diz para fazer - e tal coisa não deve ser considerada como um peso, pois lemos: "Então clamaram ao Senhor na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades. Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões" (Sl 107.13-14). Como diz o salmista, "Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia" (Sl 119.97). E como escreve João: "os seus mandamentos não são pesados" (1Jo 5.3).

É verdade que o crente não é mais servo do pecado, e sim servo de Cristo - todavia, Deus ordena, isto é, comanda que os crentes tenham determinadas atitudes, quer eles queiram ou não. Usarei meu próprio exemplo para clarear.

Há mais ou menos oito anos estou à frente da igreja (em momentos com outros irmãos ajudando, mas nos últimos anos, sozinho no presbitério), de maneira que, como todo servo sincero, por vezes não tenho vontade de ir à igreja pregar; não tenho vontade de ler a Bíblia e orar; não tenho vontade de responder o email do irmão pedindo ajuda; não tenho vontade de responder a quem já perguntou a mesma coisa uma dezena de vezes; simplesmente, porque ainda luto contra o pecado, muitas vezes não tenho vontade de fazer nada do que eu deveria fazer. A questão, entretanto, é: possuo a opção de não fazer? A resposta é clara: não.

Tenho certeza absoluta que se não fosse a obrigatoriedade de pregar, ensinar, ajudar e auxiliar meus irmãos na igreja (e dentre tantas outras coisas), eu já teria desistido. Se Deus não me forçasse com Sua Lei e seus terrores, muitas vezes, como que com um chicote para me fazer retornar ao bom caminho (como dizia João Calvino), certamente eu já teria perecido. Acaso ficasse esperando a "vontade de pregar" chegar, já teria abandonado este barco. Se estivesse à espera de alegria para fazer determinadas coisas, certamente eu não estaria mais escrevendo neste blog. 

Desta forma, amados irmãos, entendam que se a Escritura nos comanda a orar, então devemos fazer (1Ts 5.17); se ela diz para não deixarmos de congregar, é isso que temos de realizar (Hb 10.25); uma vez que somos ordenados a cuidar dos necessitados, isso façamos (Gl 6.10;Tg 1.27); porque a ela diz que devemos ofertar ao Senhor, então esta é nossa obrigação (2Co 9.7). "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer" (Dt. 12.32).

Que o Senhor nos dê graça para cumprirmos sua Palavra, mesmo quando nossa carne milita tão fortemente contra o Espírito (Gl 5.17).

"E disse o povo a Josué: Serviremos ao Senhor nosso Deus, e obedeceremos à sua voz" (Js 24.24).

Nota:
[1] http://www.biblestudytools.com/lexicons/hebrew/kjv/tsavah.html

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Porque Garotas Cristãs Postam "Selfies" Sedutoras?


Quando eu estava no ensino médio, Bethany e eu decidimos que queríamos fazer uma sessão de fotos bem legal de nós mesmas.
Colocamos as roupas mais modernas que poderíamos encontrar, nos cobrimos com jóias, colocamos duas camadas de rímel e nos dirigimos a um lugar privilegiado – o nosso telhado. Recrutamos (imploramos) uma de nossas irmãs mais novas para ser a nossa fotógrafa. Todas nós subimos ao telhado de nossa casa e ela começou a tirar as fotos.
Sim, um telhado é um lugar inusitado para fazer uma sessão de fotos, mas nós fizemos lá para que a perfeita brisa de top model soprasse direitinho o nosso cabelo. Para cada foto, nós posavámos exatamente do jeito que tínhamos visto as modelos profissionais fazerem – com os lábios franzidos, uma sobrancelha erguida, a mão no quadril e olhos sérios.
Sem que ninguém nos ensinasse como posar sedutoramente, nós fomos “profissionais” e sabíamos exatamente o que fazer. Nós postamos nossa sessão de fotos no Facebook com todo orgulho e esperamos os elogios aparecerem.
Sedução é a nova norma.
Infelizmente, vivemos em uma cultura que treina as nossas mentes para ver sedução como norma a partir de uma idade muito jovem. Basta dar uma rápida caminhada pelo shopping e você verá cartazes atrás de cartazes com modelos em pose sensual. Desde a invenção do Pinterest, Instagram e outros aplicativos, imagem sensuais estão em nossa frente mais do que nunca.
Como garotas cristãs, estamos sendo bombardeadas por mensagens de nossa cultura que sedução e poses sensuais são legais, descoladas e normais. Tirar selfies sedutoras não é mais atrevido… é aceitável e louvável. Por vivermos em um mundo caído, faz sentido que a cultura incentive as garotas a agirem assim.
Faz sentido que as supermodelos e meninas não-cristãs não tenham problema em postar selfies assim.
A pergunta que eu tenho pra você é esta: Por que razão as meninas cristãs estão postando selfies sedutoras?
Fico chocada, às vezes, quando eu entro no meu Instagram e vejo algumas das poses sensuais que minhas amigas cristãs estão postando. O que mais me surpreende é que eu leio os comentários de outros amigos cristãos que estão elogiando as imagens e chamando-as de “lindas”. Como assim? Parece uma epidemia ao longo dos últimos anos.
Por que meninas cristãs gostam tanto de postar selfies sedutoras?
Eu sei a resposta para estas perguntas, porque eu costumava ser uma daquelas meninas. Eu costumava ser a garota por trás do iPhone tirando aquelas selfies sedutoras. Eu era a garota do telhado fazendo uma sessão de fotos para que eu pudesse exibir os resultados para os meus amigos.
Quanto a mim, eu postava as fotos porque queria que os rapazes me notassem. Eu queria que as pessoas elogiassem “o quão bonita eu era”. Eu adorava ouvir o louvor e afirmação dos meus amigos. Nunca foi por um “acidente” que eu postei uma foto minha. Era sempre intencional e planejado. Eu já tinha visto imagens suficientes de modelos da moda para saber como uma foto sensual devia ser.
Muitas de vocês que estão lendo este blog, sabem exatamente do que estou falando, porque você já fez a mesma coisa.
A verdade é que, postar selfies sedutoras é apenas um sintoma exterior de uma questão muito mais profunda.
É um sinal de uma menina que anseia por algo mais. É um sinal de uma menina que está tentando encher o seu ego através dos louvores e elogios de seus amigos. Uma menina que deseja atenção de rapazes e tem a esperança de que eles vão notar uma de suas fotos. Uma menina que quer parecer confiante, mas é fraca e solitária no interior. Uma menina que gosta de seduzir os rapazes fazendo com que eles “queiram o que não podem ter.”
Selfies sedutoras são nada mais do que imagens que gritam, “Olhe para mim!”. Elas são uma oportunidade para apontar os holofotes sobre si mesma por um breve momento e esperar que alguém note.
Como garotas cristãs, Deus nos chama para um padrão muito elevado para ficarmos jogando o jogo “selfie sedutora”.
Todo o propósito de nossas vidas é apontar outros a Cristo, não para nós mesmas. Esse tipo de foto nunca é centrada em Cristo, mas é sempre centrada em sí mesma. Deus nos chama a viver uma vida moralmente pura em todos os sentidos. Postando fotos sedutoras de si mesma, você não está promovendo a pureza ou santidade dentro do corpo de Cristo.
Desde aquele dia no telhado, Deus me deu convicção de pecado acerca da motivação e condição do meu coração. Diga-me se você acha que selfies sedutoras não são erradas de acordo com Efésios 5:1,3: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados. Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”.
O que você acha?
Primeiro somos chamadas a sermos imitadoras (reflexos) de Deus para o mundo que nos rodeia. Você e eu somos filhas de Deus! Precisamos refletir bem o caráter e a pureza de nosso Pai. Em segundo lugar, somos ordenadas a ficar longe de qualquer forma de imoralidade sexual e toda a impureza. Você entendeu isso? “Qualquer forma … toda a impureza”.
Selfies sedutoras não tem chance contra estes versículos.
Nossa cultura nos diz que santidade e pureza é careta e que ser rigorosa demais consigo mesma a levará a uma vida de tédio. Se for esse o caso, então por que há tantas meninas solitárias, tristes, deprimidas, inseguras e carentes?
Deus nos dá padrões de pureza e santidade, porque Ele sabe que é o que é melhor para nós. A verdadeira alegria e contentamento não virá através dos aplausos de seus amigos, ela só virá através de obedecer e honrar a Deus. “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR. Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração” Salmo 119:1-2.
Eu sei que você quer ser abençoada por Deus. Tenho certeza! Em vez de ficar se esforçando para alcançar o aplauso vazio deste mundo, se esforce para receber os aplausos gratificantes de seu Rei.
Nada lhe fará mais feliz do que viver para a glória de Deus.
Como garotas cristãs, temos o dever de honrar nosso Rei, em todas as áreas de nossas vidas. Temos a responsabilidade de refletir a imagem de Cristo para o mundo perdido ao redor de nós.
Você vai se juntar a mim em rejeitar a tendência de selfies sedutoras? Você vai dizer não às postagens de fotos que te auto-glorificam e colocam toda a atenção em você?
Nosso mundo precisa desesperadamente de meninas cristãs que estejam dispostas a defender a verdade de Deus, exibindo algo muito maior do que elas mesmas.
Vamos tornar isto pessoal:
  • Você é culpada por postar selfies sedutoras? Se assim for, qual é a sua motivação por trás das publicações?
  • Você está disposta a pedir perdão a Deus por não refletir bem a Sua imagem? Se assim for, confesse seus pecados e peça a Deus para criar um coração limpo e puro dentro de você.
  • De que forma você é tentada a colocar a atenção sobre si mesma, em vez de Deus?
- por Kristen Clark
Fonte: Mulheres Piedosas

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Por que eu coloco meu marido antes de nossos filhos


Antes de ter meus próprios bebês, eu imaginava o tipo de mãe que gostaria de ser: um pouco de Carol Brady pela paciência, um toque da Claire de "Modern Family" pelo senso de humor e uma pitada da Peg de "Married with Children" pelos bombons. E tinha plena consciência de que jamais poderia ser June Cleaver; simplesmente não está no meu DNA fazer jantar a partir do zero todas as noites, e não tenho um colar de pérolas.

Quando meu marido e eu recebemos o "Bebê Número 1 em 2009", eu imediatamente estabeleci expectativas realistas para mim mesma como mãe e para nós como casal, porque de que adianta ter objetivos se eles não são alcançáveis? Eu obviamente queria ser a melhor mãe possível, mas não queria mergulhar tão completamente em meus filhos que ficasse distante de meu marido. Ou de mim mesma. Foi enquanto lutava para encontrar um equilíbrio entre meus desejos e minha realidade que fiquei cara a cara com as expectativas predeterminadas que a sociedade, especialmente outras mães, haviam definido para mim.

Desafiar ideias insossas de quem as mães devem ser foi o tema de um artigo escrito por Amber Doty intitulado "Colocando seu marido em primeiro lugar". Nesse texto, Doty afirma ousadamente que seu marido é sua prioridade número 1:

"Embora eu compreenda... a possível impermanência do casamento em comparação com o elo indissolúvel entre mãe e filho, vejo meu investimento em meu relacionamento com meu esposo como algo que é benéfico para nossa família como um todo. Priorizar as necessidades de meu marido diminui a probabilidade de divórcio e aumenta as chances de que nossos filhos permaneçam em um lar com pai e mãe."

Quando leio esse trecho, balanço a cabeça em solidariedade. Ser pai ou mãe é difícil, e eu honestamente não quero fazer tudo sozinha. Lembrei-me das vezes em que coloquei as necessidades de meu marido antes das de nossos filhos e -- você está sentada? -- dos dias, embora raros, em que coloquei minhas próprias necessidades antes deles todos. Não há dúvida de que jantar com amigos e sair à noite com meu marido ajudam a acalmar os mares turbulentos da criação de filhos.

A explicação da autora -- com a qual concordo -- é que ela e seu marido são um time, e os times vencedores treinam juntos e exercitam a comunicação aberta. Certamente, a última nem sempre é fácil de alcançar com filhos constantemente interrompendo a conversa (e os momentos sensuais), por isso os instantes roubados longe dos pequenos são cruciais. Desculpem-me, crianças, mas às vezes mamãe prefere ficar abraçada com papai no sofá em vez de jogar Candy Land pela enésima vez.

Isso nos torna mães ruins?

Sim. Pelo menos segundo os comentários venenosos deixados por várias leitoras anônimas (chocante!). Muitas ficaram perturbadas com a ideia de que uma mãe "ignore de maneira egoísta seus filhos" ao "atender a seu marido". Outras simplesmente não podiam compreender por que uma mulher tem filhos se não vai fazer deles seu foco absoluto.

Deixem-me esclarecer: se nossos filhos forem nosso único motivo para existir, eles crescerão autocentrados, moleques malcriados que não sabem doar ou compartilhar seu tempo ou suas coisas. Já não temos pessoas como essas suficientes entre nós?

Pedir a nossos filhos para esperar um pouco ou lhes dizer "não" não vai prejudicar sua autoestima nascente. Demonstrar amor e apreço por seu pai não vai danificar suas psiques delicadas. Pelo contrário, na verdade. Ao dar prioridade a nossos maridos e às vezes a nós mesmas, estamos ensinando nossos filhos a respeitar os outros e a si mesmos. Presenciar seus pais cuidarem das necessidades do outro de vez em quando pode estimular um pouco de paciência e compaixão. Não vejo por que isso é ser egoísta. Na verdade, para mim parece uma criação exemplar.

Não estou dizendo pegue o próximo voo para Paris e tenha uma aula de culinária His & Her enquanto seu filho sobe no palco na formatura do colégio, mas enviar as crianças à casa da vovó por uma noite? Isso não a torna uma mãe ruim.

Valorizar nossos esforços, amar nossos filhos e encontrar tempo para nós mesmas pode coexistir com um casamento saudável e uma família feliz. Ao construir qualquer coisa, é crucial ter uma base forte, e é por isso que continuo colocando a relação com meu marido antes de nossos filhos. Como pais, nosso objetivo para o futuro inclui filhos felizes e saudáveis que são independentes de nós, e talvez uma casa na praia. Como casal, esperamos evitar olhar em branco um para o outro sobre a mesa da cozinha, quase desconhecidos da pessoa com quem nos casamos há mais de 50 anos. E como mulher eu uso orgulhosamente os títulos de esposa e mãe, mas antes de me casar com as crianças eu era Stephanie, e me recuso a esquecer isso.

- por Stephanie Jankowski
Fonte: Brasil Post

Salvar PDF

Compartilhe

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

pop-up LIKE